O golpe militar que para nossa sorte falhou

Texto: Pedro Contreiras
Vogal da Juventude Popular de Setúbal

O golpe militar que para nossa sorte falhou

Hoje celebra-se um dos dias mais importantes da história do nosso país e da nossa cidade, Setúbal. O dia em que resistimos às forças radicais de extrema-esquerda que com o intuito de tornarem Portugal uma ditadura comunista, tentaram um golpe militar, que para nossa sorte veio a ser falhado.

Na época em que decorria o PREC, o mesmo estava no seu auge após o Verão Quente, a revolução, o medo, as instabilidades políticas e sociais sentiam-se nas ruas e eram passíveis de serem palpadas no mais ínfimo canto do nosso Portugal. A banca e as seguradoras já tinham sido nacionalizadas, a reforma agrária no Alentejo e no Ribatejo estava no seu ponto mais alto, com a tomada das terras aos seus proprietários através da força e do terror. Imaginemos o que seria tirar, agora, as terras e bens às pessoas, à força, sem motivo aparente. Caminhávamos, portanto, a passos largos para a precariedade, para a desordem social, para o restringimento das liberdades fundamentais, ou seja, marchávamos rumo a tornar o Estado Português, num Estado Comunista, dominado pelo lado oriental e vermelho da Guerra Fria. Estava para chegar o tempo da vassalagem à URSS, estilo Cuba de Fidel Castro.

Foi um período conturbado, com tentativas de golpes e contragolpes constantes. Portugal era um barril recheado de pólvora e preste a explodir, até que a nomeação de Vasco Lourenço para Comandante da Região Militar de Lisboa, em câmbio com o extremista Otelo Saraiva de Carvalho, enfureceu os radicais de esquerda e foi o rastilho para a tentativa de Golpe.

Cinco dias antes do dia que hoje assinalamos, a 20 de novembro, foi cercada a Assembleia da República e os deputados e membros do governo então presentes, sequestrados. Estava prestes a explodir o barril de pólvora em que nos tínhamos tornado. Até que no dia 25 de novembro de 1975, os paraquedistas entram em ação, levantaram as armas em protesto e tomaram várias bases na região de Lisboa. 

Opuseram-se às forças reacionárias de extrema-esquerda, que se dividiam entre os

“gonçalvistas” e os “otelistas”, apoiantes do ex-primeiro ministro e do estratega do 25 de abril e à época líder do COPCON e acirrado professante do movimento revolucionário, as forças moderadas e democráticas, apoiadas pelo então Presidente da República, que congregavam todo o espectro político à direita do PCP, desde o PS de Mário Soares ao PSD, do futuramente assassinado, Sá Carneiro.

Na tarde desse mesmo dia, o General Costa Gomes, declarou estado de sítio, Portugal estava à beira da Guerra Civil, mas os comandos liderados por Jaime Neves controlaram a situação e desocuparam as bases, iniciando-se assim o início da normalização e de uma certa estabilidade política e social em solo português acalmando a efervescente agitação popular que se sentia desde o dia 25 de Abril de 1974.

Ditou assim o fim do PREC e foi aí que verdadeiramente se iniciou a consolidação do primeiro “D”, da revolução de abril, a Democratização, algo que nunca foi verdadeiramente a vontade do PCP e seus apoiantes. Algo que nós, apoiamos vivamente. “D” de Democracia e de Desenvolvimento, o que sabemos, que com um estado comunista nunca iríamos poder ter.

Em Setúbal não foi diferente, a agitação popular era também enorme, sendo até das cidades mais agitadas no país. Desde cedo a região do sado virou claramente à esquerda, o elevado número de operários residentes na região explica isso mesmo, tendo ficado conhecida como a cidade vermelha.

A ambiência revolucionária que a cidade ostentava, não passava ao lado dos meios de

comunicação locais e regionais, e a história do agora intitulado jornal “O Setubalense”, é uma clara demonstração disso mesmo, desde as suas lutas internas vividas logo em maio de 1974 até à ocupação pelos trabalhadores, em outubro de 1975.

O Movimento Democrático Setubalense (MDS) assumiu um papel de destaque na época, reivindicando o aumento dos salários e a melhoria das condições de vida dos operários, mas a realidade é que o fizeram de forma autoritária, tentado subjugar e silenciar quem com eles não concordava, tal como é apanágio da ideologia Marxista-Leninista que os mesmos defendiam.

Setúbal, derivado de vários acontecimentos ao longo do PREC, radicalizava-se e apoiava efusivamente os radicais de esquerda e passou a ser constante o apelo à formação de um exército popular e ao armamento da população sadina.

Até que no dia 25 de novembro de 1975, com o eclodir da tentativa de Golpe Militar a maioria dos habitantes da cidade estavam do lado e apoiavam os radicais ficando por isso a cidade marcada na época e associada ao último dia do PREC em Portugal, o dia 25 de novembro de 1975, onde tal como o resto do país a cidade foi salva dos comunistas e radicais de extrema-esquerda. Nunca nos esqueçamos disso!

O 25 de novembro de 1975, foi o dia em que fomos salvos de sermos subjugados por uma ideologia política que não respeita a democracia, que não visa o desenvolvimento económico e social, que é contra a meritocracia e defende os facilitismos e que com certeza nos iria guiar até à pobreza a todos os níveis.

Infelizmente, atualmente temos de continuar a lidar com as tentativas do PCP e seus discípulos de apagarem uma parte da história, apropriando-se da grande vitória do dia 25 de abril de 1974 e tentando fazer esquecer e desassociar-se da sua ligação à tentativa de Golpe, que hoje recordamos com alegria que foi malsucedido. Nós nunca nos esqueceremos de quem sempre esteve do lado certo da história e de tudo faremos para que a democracia continue a ser valorizada. E isso só se faz, condenando aqueles que, outrora, quiseram terminar com ela!

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