“O pop alentejano está na moda”: A viagem de Khiaro da infância alentejana ao pop nacional em entrevista

“O pop alentejano está na moda”: A viagem de Khiaro da infância alentejana ao pop nacional em entrevista, ao Infocul.pt.

Kickboxing e pop alentejano

Um artista pop, mas com Alentejo no coração e com influências musicais do Cante da região em alguns temas, diz também: “sou e serei sempre alentejano”. 

O seu projeto mais mediático surge na banda sonora de três temporadas na série “Festa é Festa” e o grande publico não ficou incólume à composição, por isso deixou a sua canção “bebé ganhar asas e voar”. Este ano, já lançou “Cinco e Meia” com colaboração dos ÁTOA, “Eu Espero Por Ti” e, mais recentemente, “OH CLEMENTINA” em colaboração com Luís Fialho e Marotos da Concertina. 

“Como é que eu posso dizer a um filho meu para correr atrás do seu sonho se eu não conseguir alcançar o meu?” conta Khiaro

Entre influências dos avôs, processo de criação introspetiva, kickboxing, pop alentejano e novidades para breve, ficámos à conversa com um artista que se tem destacado pelos temas irreverentes e diferentes, e pelo sonho de construir um legado, até porque, como ele nos diz: “Como é que eu posso dizer a um filho meu para correr atrás do seu sonho se eu não conseguir alcançar o meu?”.

Entrevista a Khiaro

1.Khiaro, sendo natural de uma localidade distante de Lisboa nem sempre é fácil ficar próximo da indústria musical. Como aconteceu esta paixão?

Estou em contacto com a música desde que me lembro de ser gente. Os meus avôs foram os principais responsáveis de eu gostar de música desde sempre. Foi com eles que aprendi a tocar os primeiros instrumentos. Foi com eles que subi ao palco pela primeira vez, ainda em criança. Foi assim que tudo começou.

“Os meus avôs foram os principais responsáveis”

2.Como foi esta viagem, desde Beja, até ser considerado uma das revelações pop em Portugal?

Seria hipócrita se dissesse que tem sido tudo um mar-de-rosas. Tem sido difícil. Com muitos obstáculos. Mas com uma bagagem de aprendizagem necessária. Tenho conhecido pessoas boas, outras nem por isso. É como tudo na vida, há dias bons e outros assim assim. Cabe-nos a nós decidir o rumo.

3.Quais são os artistas que influenciam o seu trabalho e percurso?

Procuro ouvir o que se está a fazer lá fora, como Teddy Swims, James Arthur, Bruno Mars, mas também oiço muito música portuguesa e o que se está a fazer neste momento cá em Portugal. Acho que hoje em dia temos muita diversidade, muitos artistas a lançarem canções com qualidade. A música Portuguesa está de muito boa saúde. 

4.A música “Aquelas Madrugadas” fez parte das três primeiras séries da telenovela da TVI, “Festa é Festa”. O nome passou a ser conhecido e o tema claro que também. Como foi este primeiro contacto com a fama, com um tema de sucesso?

É sempre um orgulho ver as nossas canções na televisão ou na rádio. Dedicamo-nos bastante tempo a criar algo, que é só nosso, muito nosso, dentro de quatro paredes. No caso de “Aquelas Madrugadas”, foi criada durante a pandemia, então foi um processo muito solitário. E quando a lançámos para o mundo, é como se estivéssemos a deixar o nosso bebé ganhar asas e voar. 

“É como se estivéssemos a deixar o nosso bebé ganhar asas e voar”

5.Em “A Chamada”, fala de saudade e de querer “dar só mais um beijo para matar a saudade de si”. Afirma também “Nunca um amor tão verdadeiro devia ver o outro assim a partir”. Foi uma situação que teve raiz na sua vida? É uma letra muito próxima de todos nós em que nos revemos nessas situações e nessa nostalgia. 

Escrevi esta canção depois da partida do meu avô paterno, em 2024. Mas pode ser perfeitamente dedicada aos meus outros avós que já partiram há mais tempo, infelizmente. Tenho muitas saudades deles e fazem-me falta. Todos tiveram um peso importante na minha vida, durante a infância principalmente. Quem nunca, não é? 

6.O seu trabalho nasce sempre de experiências pessoais?

Quase sempre. É inevitável. No processo de criação acabo sempre por olhar para as minhas experiências e vivências. 

“Escrevi esta canção depois da partida do meu avô paterno, em 2024”

7.Sendo um cantor e compositor pop. Como é que o Alentejo o influencia na criação das letras? E o imaginário alentejano?

O pop alentejano está na moda [sorri]. Antes de ser cantor e compositor pop, sou e serei sempre alentejano. 

8. Recentemente esteve anunciado um concerto para o Coliseu dos Recreios, mas acabou cancelado. Fez um comunicado e posteriormente um vídeo em que se mostrou triste. O que falhou?

Prefiro não falar sobre este assunto. É uma página virada na minha vida, serviu a aprendizagem e agora é lutar novamente para fazer acontecer.

“O pop alentejano está na moda”: A viagem de Khiaro da infância alentejana ao pop nacional em entrevista

“A música Portuguesa está de muito boa saúde”

9. Actuar nesta sala tão mítica é, depois do que aconteceu, ainda mais um objectivo a cumprir?

Sim, sem dúvida.

10. Fora dos palcos – tendo em conta a profundidade das suas canções – quem é o Khiaro e o que o faz emocionar-se?

O Khiaro é uma pessoa que gosta imenso de estar sozinho, muito sentimental e amigo. Pratica kickboxing e gosta muito de estar em silêncio, apenas a ouvir o nada.

Estou a criar o meu próprio legado, fazendo o bem.”

11.Quais são os seus objetivos de carreira a longo prazo na indústria da música?

Estou a criar o meu próprio legado, fazendo o bem. Quero provar que quando se quer mesmo muito, que se consegue. Custe o que custar. A realidade é: como é que eu posso dizer a um filho meu para correr atrás do seu sonho se eu não conseguir alcançar o meu? É isso…

12. Como está a agenda para este ano e quais as novidades para breve?

Muita música, muito trabalho e muitas novidades. Estamos a trabalhar muito.

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André Nunes
André Nunes
André Nunes escreve e fotografa para o Infocul.pt. Entre a cultura western e country, a música, o cinema, os desportos americanos e a tauromaquia, procura novas formas de olhar o espetáculo taurino, mundo do espetáculo no geral, a tradição e as narrativas que continuam a reinventar-se no tempo, como corpo vivo da identidade humana.

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