Sexta-feira, Setembro 24, 2021

Olivença: Ferrera esteve poderoso e Morante foi arte em estado puro

Olivença: Ferrera esteve poderoso e Morante foi arte em estado puro

A Praça de Touros de Olivença recebeu, hoje, uma extraordinária corrida de touros. Frente a um curro de touros da ganadaria de Núñez del Cuvillo, actuaram Antonio Ferrera, Morante de la Puebla e Ginés Marin.

António Ferrera recebeu o primeiro touro, da corrida e do seu lote, lanceando à verónica, rematando o tércio com uma meia verónica. O tércio de bandarilhas foi extremamente competente por parte dos seus bandarilheiros, que saudaram de montera em mão. O tércio de muleta teve em António Ferrera um toureiro inteligente e dominador, entendedor das distâncias que o touro exigia. Começou muito bem com uma extraordinária série pela direita, seguindo-se uma outra de igual valor. O touro veio a menos, na série desenhada pelo piton esquerdo, tendo Ferrera terminado em excelente plano com mais uma série pelo piton direito. Estocada com sucesso à primeira tentativa e corte de uma orelha, concedida pela presidência.

José António Morante de La Puebla mostrou, em Olivença, algumas das qualidades que fazem dele um toureiro ímpar.
No capote esteve pouco expressivo, seguindo-se um tércio de bandarilhas muito competente pelos seus subalternos.
Na muleta, custou até que o touro permitisse repetição e sequência. E aqui esteve muito bem Morante, percebendo os tempos e distâncias e fazendo tudo muito tranquilamente e com muita ‘toureria’. Bons momentos do sevilhano por ambos os pitons, com um touro nobre mas de pouca transmissão e que que ‘rachou’ a meio da faena deixando Morante sem grandes possibilidades. Estocada executada com êxito à segunda tentativa. Ovação calorosa dada pelo público ao andaluz.

Ginés Marin mostrou estar num bom momento, depois de ter triunfado em Badajoz na Feira de São João. Bonita a forma como recebeu o touro por templadas verónicas, começando aí por conquistar o público logo no início da sua actuação.
Mas na muleta, Ginés subiu ainda mais o nível da actuação com um excelente início, executado de pés juntos, numa postura muito toureira. Seguidamente desenhou uma faena muito ligada e de grande verdade. Intensos, os largos naturais que concebeu, perante um touro com investida desconcertada. Estocada certeira e corte de uma orelha, com forte petição de segunda.

Um grande e muito competente Ferrera, frente ao quarto touro da corrida. Começamos do fim para o início, um grande toureiro com a muleta, começando por desenhar esse tércio com uma mão apoiada nas tábuas e um dos pés no estribo. Depois, pelo piton direito foi tirando o touro de junto das tábuas e desenhou uma faena em tom crescente, com um touro que nem sempre humilhou. Destacar ainda, um Ferrera muito profundo quando toureou por naturais. Estocada certeira e citando a larga distância, resultando no corte de duas orelhas.

Morante de la Puebla esteve numa tarde de profunda toureria e de intensa arte. É um regalo ver Morante com uma concepção artística tão profunda, bonita e fazendo os ponteiros do relógio parar, perante a arte que promove na arena. Foi na muleta que Morante parou o tempo, com bonitas séries por ambos os pitons, perante um touro sem grande classe, mas ao qual Morante sacou tudo o que tinha para dar. Com o público entregue e rendido, Morante rematou a faena por naturais, levando o oponente de largo.
Estocada concretizada com êxito à primeira tentativa e duas orelhas como troféus. 

Fechou a noite, Ginés Marin. Uma actuação que começou com bonitas e cadenciadas verónicas. No tércio de bandarilhas, mais uma vez bem os seus subalternos. Na muleta e perante um touro com crença em tábuas, Ginés Marin teve que suar muito para conseguir retirar algo de um oponente de excelente apresentação mas com comportamento muito complicado. Destaca-se uma excelente série pelo piton direito, com a muleta muito exposta e muito próxima da cara do touro, encurtando cada vez mais distâncias no decorrer da lide. Quanto tentou pelo piton esquerdo, Ginés Marin teve por diante um touro que tirava a cara a meio das investidas e complicava a sequência. Perdeu uma orelha quase garantida, pelo mau uso da espada. Foi aplaudido.

A destacar ainda a competência dos bandarilheiros nesta tarde, principalmente no tércio de bandarilhas. José Manuel Montoliú no primeiro touro (Ferrera), António Jiménez ‘Lili’ e Javier Ssnchéz Araujo no segundo (Morante), Fernando Sanchéz no quaurto touro (Ferrera) e Rafael Viotti no sexto (Ginés Marin).

O curro de touros da ganadaria Núñez del Cuvillo teve boa apresentação, de comportamentos muito distintos, com o primeiro a apresentar bastante classe e o 3º e 6º a serem os de pior nota (ambos lidados por Ginés Marin).

A Praça registou uma boa afluência de público, contudo sem esgotar.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

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