Sexta-feira, Abril 16, 2021

Opinião. O Plano deve ser faseado

D.R.

Escrever sobre a gestão da pandemia, é um exercício que deve ser alvo da maior ponderação. Afinal trata-se de um tema complexo onde a obtenção de consensos por vezes é difícil até mesmo entre especialistas.


De todo o modo, esta ponderação não nos deve eximir da permanente responsabilidade de avaliarmos as decisões do governo, e, se for necessário, as criticar ou elogiar.

Se é verdade que no segundo e terceiro trimestres de 2020, as coisas até foram correndo bem a António Costa, de Outubro a esta parte foram tomadas uma série de decisões que vieram a provar-se fatídicas, não só do ponto de vista económico, mas sobretudo, do ponto de vista social e humano.

Semana após semana fomos assistindo à inércia paralisante do governo sobre o país, ao burnout em directo da Ministra da Saúde, aos conflitos internos entre o Primeiro Ministro e o seu contendor Pedro Nuno Santos, e no meio de tudo isto, a uma descompostura paternalista do chefe de governo ao povo português, que supostamente se “portou mal” no Natal.

Fantástico mundo este em que tudo o que corre bem é fruto do trabalho do governo, e tudo o que corre mal é responsabilidade dos portugueses.

Passados praticamente dois meses desde o início deste novo período de confinamento, continuamos sem ouvir do Primeiro Ministro uma palavra sobre um potencial plano de desconfinamento. Se quando as coisas corriam bem era amiúde vê-lo na televisão, hoje são raras as vezes em se presta a transmitir-nos uma palavra de consolo ou de esperança.

Felizmente, enquanto António Costa e o governo continuam manietados na sua própria teia de contradições, erros e incapacidade de gestão e de planeamento, a sociedade civil vai dando provas de vitalidade e de maturidade.

Um bom exemplo desta vitalidade é o comunicado conjunto da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP), da direcção do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos e da Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente, que, a par de outros sectores da sociedade, vêm alertando para a necessidade de estabelecermos, o quanto antes, um plano de desconfinamento faseado, quer no tempo, quer no espaço.

Assim, ao invés de recolhimentos e desconfinamentos ad hoc e obrigatórios para todo o território nacional, é absolutamente vital, como afirmou Rui Rio “que o governo apresente um plano que determine, ouvidos os técnicos e especialistas, em que circunstâncias e com que critérios o país pode desconfinar como um todo ou então de forma diferenciada (por distrito, concelho ou por área, como as escolas, mas por ciclos de ensino diferenciados”. Um plano que dever ser baseado em métricas rigorosas e pré-estabelecidas, que cruze os números de novas infeções, internamentos em UCI e valor do R, e tenha em consideração o número de testes realizados e de vacinas administradas.

A bem das nossas crianças, dos nossos trabalhadores e das nossas empresas, há que não perder tempo. Senhor Primeiro Ministro, o plano deve ser faseado!

Fernando Santos
Fernando Santoshttps://www.facebook.com/fernando.paulo.santos.oficial
Licenciado em Ciência Política (ISCPS). Pós-graduado em Economia Monetária e Financeira (ISCTE). Presidente do Sindicato Independente do Comércio e Serviços (www.sicos.pt). Vice-Presidente da Comissão Executiva da União dos Sindicatos Independentes (www.usi.pt). Vogal da Comissão Política do PSD de Oeiras

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