Os Quatro e Meia na MEO Arena em 360º e com solidez, na primeira de duas datas na maior sala do país.
Fotografia: Diogo Nora
Sala cheia, público de todas as idades e uma expectativa clara no ar. Os Os Quatro e Meia regressaram à maior sala do país com um concerto que confirmou o lugar que hoje ocupam no panorama da música nacional.
Nada foi deixado ao acaso. Desde logo, a escolha de um palco em 360 graus marcou a noite e condicionou a forma como o espectáculo foi vivido. A banda optou por se deixar rodear pelo público, aproximando-se fisicamente de quem encheu a arena, mesmo num espaço de grande dimensão.
Um alinhamento pensado como viagem
A banda mesclou temas mais conhecidos com outros mais recentes, tentando criar diferentes dinâmicas ao longo do espetáculo.
Segue o Coração, Se Eu Pudesse ou Prá Frente é Que É Lisboa deram início a um espetáculo sólido, sem exuberâncias, nem momentos de êxtase. Os chamados “hits” ficaram guardados, surgindo mais tarde, quando a ligação com a plateia já estava firmemente construída.
Foi uma escolha consciente. E funcionou.
A força especial de “Pontos nos Is”
A meio da noite, houve um segmento que se destacou claramente. A revisita ao álbum Pontos nos Is revelou-se o momento mais consistente do concerto.
Aqui, a banda soou particularmente segura. Os arranjos respiraram melhor. As canções cresceram sem pressa. E o público respondeu com atenção total, mais do que com euforia imediata. Foi, sem dúvida, a fase mais bem conseguida do alinhamento.
Convidados que somaram, sem desviar o foco
Ao longo do concerto, o saxofonista Samu juntou-se ao concerto em vários momentos. As entradas foram bem medidas e nunca excessivas.
Mais tarde, surgiu um dos momentos mais aguardados da noite. Luís Represas subiu ao palco para interpretar Perdidamente, num dueto que arrancou uma reação imediata da plateia. Não foi um momento de histeria. Foi um momento de emoção contida e partilhada. A canção – sobejamente conhecida – surgiu com novo arranjo. Um arranjo peculiar…
Uma banda que anuncia novos caminhos… regressando às raízes
Nesta noite, foi anunciada uma digressão acústica por dez cidades do país. Uma ideia que tem tudo para resultar e devolver a banda ao seu habitat natural. Ganham com profundidade, perdem quando viajam para uma vertente mais ‘mainstream’. São escolhas. O que é indiscutível é a qualidade da banda, porém o contexto acaba por condicionar.
Ao longo da noite, ficou evidente que os Quatro e Meia funcionam especialmente bem em registos mais próximos e intimistas. Mesmo numa arena cheia, há algo na sua música que pede silêncio, atenção e proximidade.
Um concerto bem executado, sem necessidade de ruptura
Em termos globais, o espectáculo foi bem cantado, bem tocado e cuidadosamente estruturado. Sem falhas, apenas com alguns momentos vídeo e um momento dedicado ao São Valentim que podiam ter sido encurtados. Destacar João Bessa, no som, tendo em conta que numa arena conhecida pelas suas peculiaridades acústicas, ontem o som foi irrepreensível!
Ao mesmo tempo, também não houve a necessidade de romper ou surpreender a todo o custo. A banda apresentou-se segura, confiante e consciente do lugar que ocupa.
Talvez por isso, em grandes salas como a MEO Arena, o impacto seja mais sólido do que avassalador.
O público como parte essencial do concerto
Quando chegaram temas como Olá Solidão, Meu Amor, Dorme Bem, Na Escola ou Baile de São Simão, a arena respondeu em uníssono. Cantou. Acompanhou. Esteve presente.
No final, ficou a sensação de um concerto honesto, coerente e bem construído. Um espectáculo que não tentou ser maior do que aquilo que é.
E, no caso dos Quatro e Meia, isso continua a ser uma virtude.
Hoje sobem novamente ao mesmo palco, no Dia dos Namorados.

