Os Vizinhos apresentaram o primeiro disco em dia peculiar de estrada

Os Vizinhos apresentaram o primeiro disco em dia peculiar de estrada que culminou no Campo Pequeno, em Lisboa.

Texto: Rui Lavrador
Fotografia: Arquivo / André Nunes

Os Vizinhos apresentaram ontem o primeiro disco da banda, Só se estraga uma casa, com uma ação diferente nas ruas.

Assim, o grupo saiu de autocarro pelo Alentejo, com showcases em Évora, Montemor-o-Novo, Vendas Novas e Lisboa. A viagem terminou junto à porta principal do Campo Pequeno, já com nuvens carregadas e chuva a ameaçar cair.

No entanto, antes da chegada à capital, a digressão promocional teve um contratempo inesperado. Em Montemor-o-Novo, ao passar por uma lomba, o autocarro bateu com força no chão. O impacto provocou a quebra do cárter e um derramamento de óleo na rua.

A brincadeira que ganhou vida na estrada

Durante a manhã, a Praça do Giraldo, em Évora, recebeu o primeiro momento da apresentação com lotação esgotada. Maria Morango, apresentadora do Curto Circuito, da SIC Radical, perguntou ao grupo, em tom de brincadeira, se o autocarro também era “para estragar”.

A banda respondeu entre risos que “só se estraga uma casa”. Porém, pouco depois, a piada ganhou outro significado.

Francisco Cartaxo desvalorizou o imprevisto perante o público e manteve o humor.

“Independentemente do que se passou aqui, acho que já destruímos um autocarro. O álbum chama-se ‘Só se estraga uma casa’, e nós passámos para ‘Só se estraga um autocarro’”, afirmou.

Entretanto, o plano teve de ser adaptado. David Mendonça confirmou à NiT que o percurso até Lisboa se mantinha. Sem condições para atuar no topo do veículo avariado, a banda montou os instrumentos no chão, em Vendas Novas, perto do público.

Campo Pequeno recebeu Os Vizinhos com chuva à vista

Mais tarde, em Lisboa, Os Vizinhos chegaram ao Campo Pequeno com o tempo instável. Ainda assim, a banda subiu ao autocarro e apresentou algumas canções do disco.

Entre os temas escolhidos estiveram Pobre ex-namorado, Casar é para esquecer, Pessoa Certa, com participação de Aurora Pinto, e Pôr do Sol, o tema que deu maior projeção ao grupo.

A chuva já começava a cair quando a banda interpretou o seu maior sucesso.

“Este álbum é do público”

Após o showcase, David Mendonça e Miguel Brites falaram ao Infocul.pt sobre o disco, a digressão e os concertos marcados para os Coliseus.

O balanço feito pela banda é de surpresa, gratidão e orgulho.

“Acho que é um ano de história, um ano de memórias, um ano de Vizinhos, um ano de… nunca na vida pensávamos que isso ia ser possível e acho que o álbum veio só para afirmar e para mostrar que o Alentejo ainda é bem maior e sem dúvida que tudo o que nós fizemos até hoje desde o Monsanto’s Open Air até Setúbal [referindo-se a dois concertos nos quais fizemos reportagem], eu acho que é história, porque não é todos os dias que se vê quatro rapazes a vir dos cursos, de trabalhos, de uma vida difícil e de decidirmos se vamos avançar ou não para criar uma banda e sem dúvida que o público fez com que isto parecesse mais fácil, isto não é todos os dias que nós sentimos que podemos criar uma banda e que, olha, vamos criar uma banda e vai resultar. Eu acho que todo o público fez com que isto acontecesse, os coliseus estão marcados por causa do público e os concertos estão esgotados por causa do público e este álbum é do público e fizemos-o com muito amor, estamos muito orgulhosos, muito, muito, muito, muito e escolhemos as músicas a dedo para as pessoas ouvirem de todas as idades e todas as gerações”, disse David Mendonça.

Depois de “Pôr do Sol”, havia confiança nas novas canções

Apesar de Pôr do Sol ter aberto caminho ao grande reconhecimento público, Os Vizinhos garantem que já existia confiança no material que vinha a seguir.

“No início até pensámos, a gente já tinha algumas canções escritas e selecionámos a Pôr do Sol como a primeira, portanto realmente tínhamos alguma confiança nas canções que vinham a seguir e sabíamos que talvez corresse bem e acho que correu bem, as pessoas aderiram logo às canções que lançámos a seguir Pobre ex-namorado, Casar é pra esquecer, A vizinha do 1º andar, Na próxima vida. As pessoas aderiram muito, portanto…”, acrescentou Miguel Brites.

Seguidamente, destacou uma canção do disco: Pessoa Certa.

“É uma música incrível, tem uma história incrível, com uma pessoa muito, muito, muito especial para nós. A Aurora escreve as canções, escreveu maior parte deste álbum connosco, portanto não a poderíamos deixar de fora neste álbum e é uma canção incrível, por acaso é até a minha preferida.”

Brasil pode ganhar mais peso no futuro dos Vizinhos

Na conversa com o Infocul.pt, o grupo também falou da ligação ao Brasil. Essa aproximação já passou por gravações e poderá trazer novidades.

“Olha, o Brasil sempre fez parte da nossa história desde o início e por isso fizemos a música da Próxima Vida que éramos muito fãs do Atitude 67 e eles convidaram-nos, não fomos nós que os convidámos e só por aí percebemos que havia alguma ligação especial ainda mais forte ao Brasil e nós fizemos questão de ir lá para conhecer a cultura também do Brasil que é muito parecida à nossa e principalmente em termos musicais que nós identificamos muito com o pagode brasileiro. Com o grupo Menos é Mais, com os Atitue 67 e acho que queríamos trazer uma sonoridade um bocadinho diferente daquilo que Portugal está habituado e acho que o Brasil abriu-nos um horizonte diferente, gravámos lá umas canções com outros artistas e que estamos a pensar ainda se lançamos como single, se vai pertencer ao álbum mas que vamos ter aqui quem sabe mais canções com artistas brasileiros e com o toque brasileiro porque identificamos-nos muito e eu acho que o ano de 2027 ainda vai ser melhor que este”, disse David Mendonça.

Coliseus quase esgotados e concertos com surpresas

Os Vizinhos têm também pela frente os concertos nos Coliseus de Lisboa e Porto. Segundo a banda, a procura tem sido forte.

“Ambos os Coliseus já estão quase a esgotar, só falta vender alguns bilhetes na plateia em pé, na plateia principal o resto já está tudo esgotado e estamos a preparar grandes coisas para o Coliseu. Apesar de não termos nada em concreto, temos muitas ideias na cabeça e vai ser um espetáculo muito especial.”

Ainda assim, o grupo promete preparar algo diferente para estas salas.

“E sem dúvida que tanto no Coliseu do Porto como no Coliseu de Lisboa vão ser concertos exclusivos que não vão poder ver ao longo do verão e vamos ter convidados quem sabe do Brasil também e vamos ter lá muitas surpresas.”

Antes disso, a banda terá uma agenda intensa. O número avançado impressiona: 111 concertos.

“Sim, sem dúvida, sem dúvida. Acho que este verão com os palcos que nós vamos fazer é muito difícil também. Temos 111 concertos e vai ser difícil fazer algo diferente nos Coliseus, mas estamos a preparar algo grande e muito maior por isso estamos muito contentes e vamos trabalhar no bom sentido para realizar um concerto muito exclusivo.”

Um lançamento entre estrada, público e imprevistos

Desta forma, Os Vizinhos transformaram o lançamento do primeiro disco num momento de proximidade com os fãs. Houve autocarro, estrada, música e até uma avaria inesperada.

No fim, o incidente acabou por encaixar no espírito do álbum. Afinal, para uma banda que assumiu Só se estraga uma casa como título, a estreia discográfica ficou marcada por outra imagem: um autocarro parado, o público por perto e a música a continuar.

E o melhor ainda está por vir, certamente.

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Rui Lavrador
Rui Lavradorhttp://www.infocul.pt
Jornalista e Director Infocul.pt

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