Padeiro que salvou crianças abandonadas em Alcácer lamenta não se ter despedido: “Era o mínimo”

Padeiro que salvou crianças abandonadas em Alcácer lamenta não se ter despedido: “Era o mínimo”, assinalou.

Alexandre Quintas voltou a falar dos dois meninos franceses que encontrou numa estrada em Alcácer do Sal. Barthélémy, de 3 anos, e Zacharie, de 5, já regressaram a França, mas o padeiro que os ajudou ficou sem a despedida que desejava.

Em declarações à TV Guia, Alexandre revelou que, depois de ter estado com as crianças, nunca mais recebeu qualquer informação direta sobre elas.

O caso emocionou o país. Porém, para quem viveu o primeiro momento de socorro, ficou uma sensação por resolver.

“Nunca mais soube nada deles”

Alexandre Quintas explicou que acompanhou o desenvolvimento do caso apenas através da comunicação social.

O padeiro afirmou: “Nunca mais soube nada deles. O que sei é só pelas notícias”.

Depois, acrescentou: “Só soube pelas notícias que foram sexta-feira para França”.

A distância criada depois do resgate deixou mágoa. Alexandre chegou a afirmar que gostaria de ficar com os meninos, mas agora lamenta sobretudo não ter tido uma despedida.

À TV Guia, confessou: “Gostava de me ter despedido deles. Tinha sido bonito despedir-me deles, era o mínimo. Uma despedida era o mínimo que pedia”.

Há histórias que passam rapidamente pelos jornais. Para quem as vive por dentro, não passam assim tão depressa.

A palavra que queria deixar às crianças

Alexandre Quintas disse ainda não ter forma de contactar as autoridades para saber mais sobre Barthélémy e Zacharie.

O padeiro explicou: “Não tenho contactos com a GNR, nem forma de saber dos meninos ou de como me despedir deles”.

Apesar disso, garantiu que não queria transformar o momento numa exposição pública. Preferia uma despedida longe de câmaras e multidões.

Alexandre revelou: “Não estava disposto a ir ter com eles ao aeroporto de Lisboa. Preferia que fosse num sítio privado”.

O desejo era simples. Queria deixar uma mensagem de carinho e esperança aos dois irmãos.

Disse ainda: “Queria ter-lhes dito que gosto muito deles e dar-lhes uma palavra de que devem acreditar que vão ser felizes.”

Crianças regressaram a França a 29 de maio

Barthélémy e Zacharie deixaram Portugal no passado dia 29 de maio.

As duas crianças tinham sido abandonadas numa estrada em Alcácer do Sal pela mãe, Marine Rousseau, de 41 anos, e pelo namorado desta, Marc Ballabriga, de 55.

Segundo a TV Guia apurou junto de Carlos Anjos, ex-inspetor-chefe da Polícia Judiciária, o regresso dos menores foi tratado pelas autoridades francesas.

Carlos Anjos explicou: “As autoridades francesas trataram da deslocação de duas pessoas, uma representante dos serviços sociais centrais deles, que trabalha em Paris, e outra dos serviços locais de Colmar, cidade para onde as crianças retornaram”.

O processo português, de acordo com o antigo inspetor, já estava encerrado do ponto de vista burocrático.

Carlos Anjos esclareceu: “Competiu aos franceses vir buscar as crianças. Para Portugal todas as questões burocráticas ou jurídicas estavam fechadas. Dependia apenas das autoridades francesas, de eles se organizarem, para garantir quando é que as crianças voltavam a França. Chegaram quinta-feira, dia 28, tiveram uma reunião com um representante das nossas autoridades e na sexta, 29, finalizaram todas as questões, rececionaram e levaram as crianças de volta”.

Antes da partida, os irmãos foram submetidos a vários exames médicos no Hospital de São Bernardo, em Setúbal.

O sigilo que protegeu Barthélémy e Zacharie

Durante os dias em que permaneceram em Portugal, a localização das crianças foi mantida em segredo.

Carlos Anjos revelou saber que os meninos “estiveram ao cuidado de uma família francesa, mas nem em Lisboa (como foi noticiado) nem na cidade de Setúbal. Estiveram com uma família de acolhimento que vive na península de Setúbal, numa zona recatada entre as duas cidades”.

Outra fonte indicou à TV Guia que os menores terão passado oito dias numa propriedade discreta, numa localidade pacata da zona de Palmela.

Para Carlos Anjos, o sigilo foi essencial para proteger os irmãos depois do abandono.

O ex-inspetor defendeu: “Estiveram num sítio onde não se queria que se soubesse onde estavam. Não era para andar alguém a ir ter com as crianças. O que elas padeceram já tinham padecido. A ideia das nossas autoridades foi dar-lhes tranquilidade até à saída delas para França”.

Uma despedida que não aconteceu

O regresso a França encerrou a passagem das crianças por Portugal, mas não apagou o impacto do caso em Alexandre Quintas.

O padeiro que as encontrou e ajudou ficou sem notícias diretas, sem contacto e sem oportunidade de lhes dizer adeus.

Não pediu palco, nem protagonismo. Pediu apenas uma despedida. E, sobretudo, uma palavra final para duas crianças que conheceu num dos momentos mais frágeis das suas vidas.

A história seguiu para França. Em Alcácer do Sal, ficou o homem que as salvou e uma frase por dizer: que a vida ainda pode ser feliz.

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