Imobiliário em Portugal: Cascais lidera venda e Alcácer do Sal dispara no arrendamento, segundo o Imovirtual revelou em comunicado.
O mercado imobiliário português continua partido em várias velocidades. De um lado, estão os concelhos premium e turísticos, onde os preços permanecem elevados. Do outro, surgem territórios do interior com valores muito mais acessíveis, mas também sujeitos a oscilações fortes.
A leitura surge no Barómetro dos Concelhos de maio de 2026, divulgado em comunicado pelo Imovirtual. A análise tem por base os preços médios anunciados de venda e arrendamento em Portugal.
Além disso, o estudo compara maio de 2026 com abril deste ano e com maio de 2025.
Cascais mantém liderança na venda
No segmento de venda, Cascais continua a ser o concelho mais caro do país. Segundo o comunicado do Imovirtual, o preço médio anunciado fixa-se em 1.350.000 euros.
O valor não registou alteração face a abril. Porém, em comparação com maio de 2025, representa uma subida anual de 10,7%.
Logo depois surge Grândola, com um preço médio de 1.150.000 euros. Apesar da descida mensal de 11,2%, o concelho mantém uma valorização anual de 18,4%.
Já Calheta, na Madeira, fecha o pódio dos concelhos mais caros para comprar casa. O preço médio chega aos 920.000 euros, com uma subida mensal de 1,1% e anual de 8,2%.
Algarve e Madeira continuam fortes no segmento premium
O Algarve mantém uma presença expressiva entre os mercados mais caros. Castro Marim surge com 795.000 euros, depois de subir 1,9% num mês e 10,0% num ano.
Também Loulé continua no topo, com 790.000 euros. O concelho não variou face a abril, mas apresenta uma subida anual de 18,8%.
Por sua vez, Faro atinge os 654.500 euros. Neste caso, há uma ligeira descida mensal de 0,1%, mas uma valorização anual de 13,3%.
Entretanto, Oeiras sobe para 730.000 euros, com mais 2,8% face a abril e 0,7% em termos anuais.
Lisboa, pelo contrário, recua para 700.000 euros. A capital desce 0,4% no mês e 3,2% face ao período homólogo.
Segundo os dados divulgados, este comportamento mostra sinais de estabilização após vários ciclos de valorização.
Os dez concelhos mais caros para comprar casa
No Top 10 da venda, o Imovirtual destaca ainda Sines, com 665.000 euros. O concelho sobe 6,5% face a abril, mas desce 2,2% em termos anuais.
Também o Funchal mantém presença entre os mercados mais elevados, com 650.000 euros. O valor fica estável no mês e sobe 4,0% face a maio de 2025.
Assim, os dez concelhos com preços médios anunciados mais altos são:
- Cascais — 1.350.000 euros
- Grândola — 1.150.000 euros
- Calheta — 920.000 euros
- Castro Marim — 795.000 euros
- Loulé — 790.000 euros
- Oeiras — 730.000 euros
- Lisboa — 700.000 euros
- Sines — 665.000 euros
- Faro — 654.500 euros
- Funchal — 650.000 euros
Interior concentra os preços mais baixos na compra
No extremo oposto, os concelhos mais acessíveis continuam concentrados no interior do país.
Vila Velha de Ródão apresenta o preço médio mais baixo, com 49.000 euros. Ainda assim, o valor subiu 21,0% face a abril e 34,3% em termos anuais.
Depois surge Pampilhosa da Serra, com 55.000 euros. O valor mantém-se estável no mês, mas desce 2,2% face a maio de 2025.
Oleiros aparece também nos 55.000 euros. Neste caso, há uma quebra mensal de 9,8% e uma subida anual de 14,6%.
Castelo Branco, Guarda e Portalegre também entram no ranking
Entre os mercados mais acessíveis para comprar casa está ainda Castanheira de Pêra, com 67.495 euros. O concelho sobe 18,9% no mês, mas desce 9,4% no ano.
Manteigas surge nos 71.750 euros, depois de recuar 4,3% face a abril e 19,8% em termos anuais.
Já Castelo Branco baixa para 83.000 euros. A descida mensal é de 15,1%, embora o valor esteja 14,5% acima de maio de 2025.
Entretanto, Guarda sobe para 150.000 euros, com aumentos de 13,2% no mês e 17,6% no ano.
Bragança chega aos 168.000 euros, enquanto Portalegre fica nos 180.000 euros. Neste último caso, apesar da queda mensal de 16,3%, há uma subida anual de 39,5%.
Arouca fecha o Top 10 dos mais acessíveis, com 195.000 euros. O valor fica estável no mês e sobe 18,2% no ano.
Alcácer do Sal lidera arrendamento com forte subida
No arrendamento, o barómetro mostra um cenário mais instável. Alcácer do Sal surge no topo nacional, com rendas médias anunciadas de 3.500 euros por mês.
Segundo o Imovirtual, trata-se de uma subida mensal de 40,0% e anual de 288,9%. O comunicado enquadra esta variação como reflexo de fortes oscilações num mercado de menor escala.
Logo depois aparece Cascais, com uma renda média de 2.700 euros. O concelho sobe 8,0% face a abril e 17,4% em termos anuais.
Desta forma, Cascais consolida-se também como um dos principais mercados premium no arrendamento.
Lisboa recua nas rendas, enquanto Sines e Loulé sobem
No Top 10 do arrendamento, Sines surge com rendas médias de 1.850 euros. O valor representa uma subida mensal de 12,1% e anual de 19,4%.
Loulé sobe para 1.800 euros, com mais 16,1% face a abril. Porém, em comparação com maio de 2025, há uma descida de 7,7%.
Oeiras atinge os 1.763 euros, após subir 6,8% no mês e 10,2% no ano. Já Faro sobe para 1.750 euros, com aumentos de 10,1% e 1,4%.
Lisboa recua para 1.700 euros. A capital desce 5,8% face a abril e mantém-se sem variação anual.
Lagos chega aos 1.675 euros, com uma subida mensal de 4,7% e anual de 19,6%.
A lista fecha com Funchal e Mafra, ambos nos 1.500 euros. Ainda assim, o Funchal apresenta uma quebra anual de 16,7%.
Guarda e Vila Viçosa com rendas mais baixas
Nos mercados de arrendamento mais acessíveis, a Guarda apresenta os valores mais baixos. As rendas médias anunciadas fixam-se nos 450 euros.
O concelho desce 10,0% face a abril e 21,4% em termos anuais.
Vila Viçosa surge também nos 450 euros. O valor fica estável no mês, mas recua 10,0% face a maio de 2025.
Bragança baixa para 575 euros, embora continue acima do período homólogo. A variação é de -8,0% no mês e +15,0% no ano.
Já Castelo Branco mantém-se nos 600 euros, sem alterações mensais ou anuais.
Portalegre destaca-se pela subida anual nas rendas
Ainda no arrendamento acessível, Pombal apresenta uma renda média de 650 euros. O valor sobe 8,3% face a abril, mas desce 6,5% no ano.
Viseu fica nos 750 euros, com estabilidade mensal e subida anual de 2,7%.
Também Vila Real surge nos 750 euros. Neste caso, há uma subida mensal de 15,4% e anual de 10,3%.
Portalegre destaca-se pela maior subida anual entre os mercados mais acessíveis. As rendas chegam aos 775 euros, com mais 19,2% no mês e 55,0% no ano.
Figueira da Foz e Coimbra fecham o Top 10, ambas com rendas médias anunciadas de 800 euros.
Imovirtual aponta mercado “cada vez mais segmentado”
No comunicado, Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, sublinha que os dados mostram diferenças profundas entre concelhos.
A responsável afirma: “Os dados por concelho mostram um mercado cada vez mais segmentado, onde coexistem realidades muito distintas entre zonas premium, mercados turísticos e territórios do interior. Enquanto algumas localizações continuam a concentrar valores elevados e pressão sobre os preços, outras mantêm níveis de entrada mais acessíveis, mas também maior sensibilidade às oscilações da oferta. Esta leitura reforça a importância de analisar o mercado imobiliário com detalhe local, porque a realidade nacional é hoje feita de dinâmicas muito diferentes”.
Portugal imobiliário mostra várias velocidades
Os dados de maio de 2026 confirmam, assim, um mercado imobiliário marcado por fortes assimetrias territoriais.
Nas zonas costeiras, premium e turísticas, a pressão sobre os preços continua visível. Já nos concelhos do interior, os valores de entrada são mais baixos, mas as variações podem ser expressivas.
Por isso, a fotografia nacional esconde realidades muito diferentes. E, segundo o Barómetro dos Concelhos do Imovirtual, olhar apenas para a média do país já não chega para compreender o mercado.

