Padre Ricardo Esteves alerta para mulheres que se perdem na maternidade e para o silêncio que adoece

Padre Ricardo Esteves alerta para mulheres que se perdem na maternidade e para o silêncio que adoece as relações.

O padre Ricardo Esteves partilhou várias reflexões sobre pessoas que acabam por se abandonar enquanto cuidam dos outros. Nas redes sociais, o sacerdote abordou a maternidade, o sofrimento emocional, a ansiedade e a dificuldade em estabelecer limites.

Numa das mensagens, dirigiu-se sobretudo às mulheres que vivem exclusivamente para a família. Noutra publicação, alertou para o peso acumulado pelas palavras que nunca chegam a ser ditas.

O sacerdote falou ainda sobre as fases em que a vida parece ficar suspensa. Porém, defendeu que continuar, mesmo lentamente, já representa uma forma de avançar.

Mulheres que desaparecem dentro da maternidade

Numa das publicações, o padre Ricardo Esteves começou por chamar a atenção para as mães e cuidadoras que colocam constantemente as necessidades dos outros à frente das suas.

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“Tenho visto e, talvez, cada vez mais, muitas mulheres que desaparecem dentro da maternidade. Sim, falo para ti que és mãe, que és cuidadora de alguém, ou até mesmo de toda a família.”

O sacerdote reconheceu que, por detrás das tarefas diárias e da disponibilidade permanente, poderá existir uma mulher que deixou de ser escutada.

“Eu sei que existe aí bem dentro de ti uma mulher que talvez já faz muito tempo que ninguém pergunta como estás?! Cuidas de todos, resolves tudo, estás sempre disponível.”

Contudo, os momentos de pausa podem revelar o afastamento dos antigos sonhos, gostos e projetos pessoais.

“Mas quando tens um momento para ti percebes que já não sabes mais o que gostas, o que sonhas ou até mesmo no que te tornaste.”

Ricardo Esteves ressalvou que esta perda de identidade não significa falta de amor ou incapacidade para exercer a maternidade.

“E isso não acontece porque és uma má mãe. Acontece porque aos poucos foste acreditando que o teu valor estava apenas no que fazias e fazes pelos outros.”

“Antes de seres mãe, esposa ou profissional, tu já eras filha”

Na continuação da mensagem, o sacerdote defendeu que a fé não exige que uma mulher desapareça para conseguir cumprir os seus diferentes papéis.

“Mas Deus nunca te chamou para ser mãe assim ou viveres assim como mãe. Antes de seres mãe, esposa ou profissional, tu já eras filha.”

Para Ricardo Esteves, recuperar essa identidade permite continuar a cuidar sem que exista um abandono pessoal.

“E quando a tua identidade volta para esse lugar tudo muda. Podes continuar a amar, a cuidar, a servir mas… sem te abandonares no caminho.”

Além disso, apelou à preservação da mulher que existia antes das responsabilidades familiares e profissionais.

“Não tens nem precisas, nem podes deixar-te abandonada pelo caminho, esquecida daquela menina sonhadora que foste.”

O padre Ricardo Esteves sublinhou que a maternidade e o casamento não devem apagar a essência individual.

“Podes ser esposa e até mãe, mas a tua essência de mulher única deves saber preservar. Se isso tens vindo a perder, estás sempre a tempo de restaurar.”

Filhos crescem, mas a mulher permanece

O sacerdote abordou também a forma como algumas mulheres passam a viver apenas através do casamento. Posteriormente, a maternidade ocupa todo o espaço que restava.

“Vejo tanta mulher que deixou de o ser porque passou a ser esposa e vive apenas como esposa. Depois essa esposa passa a mãe e deixou de ser mulher, de ser esposa e vive só como mãe.”

Nesse sentido, deixou uma pergunta sobre o momento em que os filhos crescem e seguem os respetivos caminhos.

“E um dia… quando os teus filhos voarem… quem fica? Quem és?”

Ricardo Esteves pediu às mulheres que não deixem de amar ou cuidar. Contudo, reforçou que esse caminho não deve implicar o desaparecimento da própria identidade.

“Não te abandones. Sê tudo isso com o amor que vai em ti mas não te abandones pelo caminho.”

A individualidade, acrescentou, não depende da profissão, da maternidade ou das funções assumidas ao longo da vida.

“Tu és tu e serás sempre tu, sejas o que sejas, faças o que fizeres. Preserva sempre o teu ser mulher.”

No final da publicação, o sacerdote deixou um apelo para que ninguém fique para trás enquanto a vida continua.

“A vida voa, não fiques para trás, voa com ela. Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração🙏❤️🍀”

O peso das palavras que nunca foram ditas

Noutra reflexão, o padre Ricardo Esteves falou sobre pessoas que permanecem vivas fisicamente, mas se sentem emocionalmente sufocadas.

“Vejo tanta gente a morrer… e não aquela morte física que a todos um dia chega. Falo daquelas pessoas que morrem sufocadas pelas palavras que nunca disseram.”

Segundo o sacerdote, muitas aprenderam desde cedo a agradar, evitando recusas e escondendo sentimentos para não provocarem conflitos.

“Algumas pessoas querem agradar desde cedo, não dizem NÃO para não parecer egoísmo, não colocam limites para não serem julgados por falta de amor, engolem o choro porque acham que é maturidade, suportam em silêncio porque acham que é força.”

A repetição destes comportamentos acaba por transformar o silêncio numa forma habitual de enfrentar as dificuldades.

“Então… são pessoas e tantas pessoas que aprenderam a calar.”

Silêncio para evitar conflitos e rejeições

Ricardo Esteves enumerou diferentes situações em que as pessoas deixam de expressar aquilo que sentem. O receio de parecerem frágeis ou de preocuparem os outros surge entre as principais razões.

“Calam para evitar conflitos, calam quando precisam de ajuda para não parecerem fracas, calam perante a tristeza para não preocuparem ninguém, calam verdades para não serem rejeitadas por ninguém e… tantas outras coisas.”

No entanto, o sofrimento acumulado acaba por manifestar-se de outras formas.

“Até que um dia todo este ‘silêncio’ fala mais alto. Como? Em forma de cansaço, exaustão, ansiedade, crises, de um vazio que já não se consegue explicar.”

O sacerdote alertou que aquilo que nunca é verbalizado não desaparece. Pelo contrário, poderá continuar a ocupar espaço e a influenciar o comportamento.

“Sabes, as palavras que não são ditas não desaparecem… permanecem dentro de ti, ocupam espaço, moldam quem és e adoecem-te.”

Ser uma boa pessoa não exige abandono pessoal

Na mesma mensagem, Ricardo Esteves recusou a ideia de que a bondade obriga alguém a suportar tudo em silêncio.

“Entende que ser boa pessoa nunca deve ser o abandono te ti própria.”

Além disso, defendeu que ninguém deve anular a própria voz apenas para preservar o conforto daqueles que não enfrentam o mesmo sofrimento.

“Não tens que viver sufocada na própria voz para manteres o conforto de quem nunca precisou carregar o peso do silêncio.”

O sacerdote deixou então uma pergunta sobre as vezes em que cada pessoa evitou falar por receio de desagradar.

“Quantas vezes já não calaste para não desagradar a ninguém?”

Para Ricardo Esteves, uma mudança profunda começa na forma como cada pessoa olha para a própria vida e reconhece os seus limites.

“A tua verdadeira transformação acontece quando mudas a tua consciência. Não tens porque continuar a sobreviver emocionalmente.”

A publicação terminou com um apelo direto à felicidade.

“Sê feliz! Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração🙏❤️🍀”

Quando a vida parece ficar parada

As fases de bloqueio emocional estiveram no centro de outra publicação. O padre Ricardo Esteves começou por reconhecer a sensação de que nada continua a avançar.

“existem momentos em que sentes que a tua vida parece parar não é? É como se algo bloqueasse o teu caminho.”

O medo, as perdas, as desilusões e a ansiedade podem contribuir para essa perceção de estagnação.

“Um medo, uma perda, uma decepção, uma ansiedade que insiste em permanecer. Por um instante tudo parece estagnado.”

Contudo, o sacerdote utilizou o tempo como exemplo de continuidade. Mesmo quando existem obstáculos, o percurso não termina.

“Mas… observa o relógio, o tempo… ele encontra obstáculos, desacelera por alguns segundos e ainda assim continua a seguir o seu percurso.”

Segundo Ricardo Esteves, o mesmo princípio pode ser aplicado às dificuldades emocionais.

“Com a tua vida emocional também pode ser assim.”

Continuar é mais importante do que correr

O sacerdote deixou ainda uma mensagem a quem se exige demasiado durante os períodos mais difíceis.

“Não precisas de te cobrar tanto, fustigar tanto… por estares a atravessar uma fase difícil.”

Em determinados momentos, acrescentou, a prioridade não deverá ser a velocidade. O essencial passa por não interromper completamente o caminho.

“Existem momentos na vida que por mais difíceis que pareçam, o mais importante não é correr mas continuar.”

A dor sentida no presente também não deve ser encarada como uma definição permanente do futuro.

“A dor que vives não precisa definir quem serás. Ela pode ser apenas uma parte da história e não o destino final dela.”

Ricardo Esteves aconselhou cada pessoa a respeitar o próprio ritmo e a aceitar o processo que está a viver.

“Respeita o teu tempo, acolhe esse processo que vives e lembra-te que permanecer em movimento, mesmo que lentamente, já é uma forma de seguir em frente.”

O crescimento, concluiu, não depende apenas da rapidez com que os resultados aparecem.

“Sabes, às vezes o progresso, o teu crescimento não está na velocidade com que acontece… está na decisão de não desistires… muito menos de ti.”

No final, voltou a deixar uma mensagem de fé aos seguidores.

“Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração🙏❤️🍀”

Pessoas que desistem da vida antes de morrer

Noutra publicação, o padre Ricardo Esteves refletiu sobre as diferentes formas de desistência que podem surgir ao longo da vida.

“Hoje não te quero falar muito em palavras, prefiro que o pouco te ajude.”

Depois, recorreu a uma frase sobre pessoas que deixam de viver verdadeiramente muitos anos antes da morte física.

“Sabes… há muitas pessoas que morrem aos 25 anos mas só são enterradas aos 70,80,90 anos. Como assim?”

A resposta, segundo o sacerdote, está nos diferentes comportamentos através dos quais alguém abandona progressivamente a própria vida.

“Cada um tem a sua forma de desistir da vida.”

Desejos, estudos, família e amor ficam para trás

Ricardo Esteves enumerou vários sinais que poderão revelar esse afastamento da vida. Alguns deixam de cuidar de si, enquanto outros perdem objetivos ou abandonam relações importantes.

“Alguns param de se vestir bem, outros perdem os desejos, outros abandonam a escola, outros a Deus, outros descuram a família, outros só ouvem música triste…!”

O sacerdote mencionou igualmente quem deixa de registar momentos ou de acreditar na possibilidade de amar.

“Alguns param de tirar fotografias, outros deixaram de acreditar no amor.”

Apesar das razões que poderão estar na origem de cada desistência, defendeu que nenhuma dor justifica o abandono da vida.

“Talvez, tudo isto, por muitas razões… mas digo-te que nenhuma razão, por mais dolorosa que seja, merece a desistência da vida onde há Deus.”

Escolhas também ajudam a definir quem somos

Na mesma publicação, Ricardo Esteves distinguiu os acontecimentos vividos das decisões tomadas perante cada situação.

“Nem sempre é o que acontece que define quem és. Quem és, é fruto das tuas escolhas.”

Para o sacerdote, aquilo que cada pessoa decide alimentar interiormente poderá fazer a diferença no modo como enfrenta a vida.

“A escolha está na diferença daquilo que tu decides cultivar dentro de ti.”

Ricardo Esteves recorreu depois a uma comparação entre dois animais que bebem a mesma água, mas produzem resultados diferentes.

“Olha a vaca… ela bebe água e transforma em leite. A cobra bebe água e transforma em veneno.”

A mensagem prosseguiu com um apelo a uma resposta mais consciente perante os acontecimentos.

“Deixa de reagir às coisas da vida e age com consciência.”

Por fim, o sacerdote pediu aos seguidores que continuem a viver e a recuperar, um dia de cada vez.

“Por isso, hoje digo-te: não de deixes morrer… continua a florescer um dia de cada vez.”

A publicação terminou com a habitual mensagem de fé.

“Um dia muito feliz para todos sempre com Deus no coração🙏❤️🍀”

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