Pedro Chagas Freitas arrasa reality shows portugueses: “É um teatro pobre, encenado e pago”, assinalou o escritor.
Escritor manifesta cansaço com os reality shows da TVI
A mais recente reflexão de Pedro Chagas Freitas sobre o universo dos reality shows voltou a incendiar as redes. O escritor, conhecido pela frontalidade, confessou estar saturado do rumo que estes formatos têm tomado, sobretudo na TVI, onde diz encontrar cada vez menos autenticidade.
Logo no início da publicação, não deixou margem para dúvidas. “Acho que vou deixar de ver Reality Shows. Pelo menos os portugueses. Não reconheço ali qualquer ligação à realidade. É tudo cada vez mais encenado, mais artificial, mais construído à volta de uma narrativa que dê jeito. Não há pessoas, há arquétipos.” Para ele, aquilo que surge como espontâneo acaba por ser apenas uma montagem previsível.
Crítica à narrativa e às dinâmicas repetidas
Além disso, o autor apontou o dedo às fórmulas usadas para gerar impacto fácil. Mencionou o casal para alimentar romances televisivos, as discussões programadas e a figura da “vítima útil”, criada para ativar emoções rápidas no público. “É um teatro pobre, sustentado pela crença de que o público tem memória curta e uma tolerância infinita para a repetição.”
Na sua visão, tudo funciona como um mecanismo de manipulação permanente, mascarado de competição real.
Voto pago volta ao centro das polémicas
Entretanto, Pedro Chagas Freitas elevou o tom quando falou do sistema de votações. Considera-o uma distorção completa do conceito de justiça num concurso. “Há uma outra perversão que não suporto, a do voto pago. Não é o país que decide, não é a sensibilidade colectiva ou o julgamento público, é a carteira dos grupos organizados, uma milícia digital que compra permanências. Quem paga mais vence.”
Para o escritor, esta lógica converte o reality show numa feira em que o mérito deixa de existir e onde a emoção é tratada como mera moeda de troca.
Comportamentos nocivos e ausência de reflexão
Além disso, destacou o impacto deste sistema na forma como a produção retrata comportamentos dentro da casa. “O ódio é permitido, até alimentado; o preconceito que aparece por lá não é aproveitado para ensinar. Normalizam-se maus-tratos, humilhações, transformam-se comportamentos inaceitáveis em conteúdo. Nada é usado para aprofundar, para entender, para dar complexidade ao enredo. Tudo é usado para vender.”
Segundo ele, a televisão deixa de cumprir um papel de reflexão social e passa a viver apenas de estímulos rápidos capazes de gerar receita.
Comparação internacional reforça críticas
Por fim, o autor comparou o sistema português ao modelo brasileiro, que considera mais equilibrado por dividir o peso das votações e reduzir o impacto dos grupos organizados. “É uma solução imperfeita, mas contém um vestígio de justiça.”
Em Portugal, diz, não existe esse equilíbrio e, por isso, a sua vontade de levar o formato a sério está a desaparecer.
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