Pedro Chagas Freitas exalta Nuno Bettencourt: “O melhor guitarrista português de sempre”

Pedro Chagas Freitas exalta Nuno Bettencourt: “O melhor guitarrista português de sempre”, assim o considerou.

Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para prestar uma homenagem a Nuno Bettencourt. No texto, o escritor destacou as origens açorianas do músico e o percurso construído fora de Portugal.

Ao longo da publicação, Pedro Chagas Freitas lamentou também aquilo que considera ser a falta de reconhecimento do guitarrista no próprio país.

Dos Açores para Massachusetts

A homenagem começou com uma referência ao nascimento de Nuno Bettencourt na Praia da Vitória e à mudança para os Estados Unidos ainda durante a infância.

“Nos Açores, nasceu alguém que nos mostrou que se podia mudar o mundo com uma guitarra. O Nuno Bettencourt nasceu na Praia da Vitória. Aos quatro anos, foi despejado da infância insular para o Massachusetts. Ganhou tempo a faltar às aulas, ganhou calos nos dedos, ganhou a liberdade de não querer saber de diplomas. Pôs-se a rasgar solos como quem reinventa à pancada o destino.”

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Depois de recordar o início desse percurso, Pedro Chagas Freitas apontou diretamente à atenção concedida ao músico em Portugal.

“No seu próprio país, continua a ser uma nota de rodapé.”

O escritor recuperou ainda alguns dos momentos de maior projeção internacional do guitarrista para reforçar a crítica.

“O português que toca com Rihanna; o açoriano que aparece no Superbowl. É uma nota de rodapé escrita por quem nunca segurou uma guitarra, por quem nunca sentiu o mundo colapsar dentro de um riff.”

“A música é um país onde nunca se chega a casa”

Na continuação da publicação, Pedro Chagas Freitas refletiu sobre o lugar ocupado pela música na vida de quem a cria.

“A música é um país onde nunca se chega a casa.”

Para o escritor, Nuno Bettencourt transforma as origens açorianas numa identidade musical marcada pela intensidade.

“O Nuno é o geógrafo desse desconforto. Quando o oiço tocar, encontro um som que vem da lava dos Açores, que arde sem pedir desculpa: é raiva, é amor, é orgulho, é coragem.”

Pedro Chagas Freitas resumiu depois o poder expressivo atribuído à guitarra do músico.

“A guitarra diz o que a boca já não aguenta dizer.”

Escritor lamenta falta de reconhecimento em Portugal

O texto prosseguiu com uma reflexão sobre o preço de conquistar reconhecimento internacional e permanecer pouco valorizado no país de origem.

“Deve custar muito rasgar a pele para se ouvir, deve custar muito ser gigante lá fora e esquecido cá dentro. É um exílio na própria pátria: o fado dos que fazem bem demais.”

Sem hesitações, Pedro Chagas Freitas deixou clara a posição que ocupa sobre o lugar de Nuno Bettencourt na música portuguesa.

“Nuno Bettencourt é o melhor guitarrista português de sempre.”

“Preferimos os medíocres”

Na parte final da publicação, o escritor associou a falta de reconhecimento à dificuldade em lidar com quem se distingue pela genialidade.

“Deve ser por isso que muitos não o querem ter por perto. Preferimos os medíocres: confortam-nos.”

Pedro Chagas Freitas encerrou a homenagem com uma última reflexão sobre o impacto provocado por quem alcança um nível artístico fora do comum.

“Os geniais só nos mostram aquilo que nunca seremos.”

Veja a publicação AQUI.

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