Pedro Chagas Freitas faz revelação íntima sobre adolescência e autoimagem: “Rejeitei-me a mim mesmo”, assinalou.
Escritor partilha reflexão pessoal nas redes sociais
Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para deixar uma partilha profundamente pessoal sobre a adolescência e a relação com a própria imagem. O escritor abordou memórias marcadas por insegurança, medo e cicatrizes emocionais.
Logo no início, recordou um período difícil da juventude. “Quando era adolescente tinha muitas borbulhas. Ainda tenho algumas, ainda tenho algumas cicatrizes das mais fundas. Tinha a cara cheia delas.”
Além disso, sublinhou que o impacto não era apenas físico. “Não era uma coisa superficial. A nossa aparência não é uma coisa superficial. Somos também o que parecemos.”
Medo da rejeição e isolamento
Ao longo do texto, Pedro Chagas Freitas admite o sofrimento vivido nessa fase. “O que encontramos em nós mesmos pode magoar-nos tanto, tanto. Eu sofri. Tive dias em que não saí de casa, faltei a aulas, a compromissos, por causa do medo da rejeição.”
De seguida, reconhece que o julgamento mais duro partiu de si próprio. “Rejeitei-me a mim mesmo.”
Mesmo com o passar dos anos, assume que algumas marcas persistem. “Ainda tenho algumas dores que vêm de lá.”
Durante décadas, manteve receios ligados à pele do rosto. “Durante décadas não deixei que ninguém mexesse na pele do meu rosto. Tinha medo de que as bactérias me enchessem daquilo tudo outra vez.”
Ainda que reconheça a irracionalidade do medo, explica: “É irracional, eu sei. Somos muito do que é irracional também.”
As cicatrizes que ficam por dentro
Entretanto, o escritor reflete sobre o peso emocional das marcas físicas. “Uma cicatriz na pele nunca é só uma cicatriz na pele. Marca-nos por dentro mais do que por fora.”
Por isso, afasta críticas apressadas a quem investe na aparência. “A maquilhagem, a cirurgia estética, os tratamentos capilares, não chegam, muitas vezes, da vaidade; chegam do medo.”
Nesse sentido, reforça: “Não consigo atacar quem passa muito tempo a querer amar o que vê no espelho. Não consigo criticar quem demora horas a escolher a roupa.”
Para o autor, a motivação é outra. “Não vejo vaidade. Vejo a tentativa de alguém amar mais a si mesmo contra todos os seus fantasmas particulares. Isso não tem nada de vaidoso. Talvez o vaidoso seja quem o vê assim.”
Um apelo ao autocuidado
Pedro Chagas Freitas amplia ainda a reflexão sobre identidade e aparência. “Cada camada de maquilhagem serve para salvar as pessoas de algumas camadas de lembranças que porventura ainda as atormentam.”
Além disso, questiona a separação entre interior e exterior. “Vivemos todos de aparências internas ou externas, e não sei mesmo se há distinção entre elas.”
Por fim, deixa um conselho direto aos seguidores: “Quem ama o que não se vê em si traz isso para fora; quem não ama o que se vê em si leva isso para dentro. Antes de explodir, é bom cuidar. Não tenho vergonha de querer muito gostar da pessoa que está no espelho. Não tenhas também. Cuida-te, sim?”
A publicação termina com a referência à obra do autor: “O HOSPITAL DE ALFACES Disponível em todos os hipermercados e livrarias”.
Desta forma, o escritor transforma uma memória pessoal numa reflexão alargada sobre autoestima, medo e aceitação, convidando à empatia e ao cuidado individual.
Veja a publicação AQUI.
