Pedro Chagas Freitas pede maior reconhecimento para Dulce Pontes e cantora responde: «Estamos juntos»

Pedro Chagas Freitas pede maior reconhecimento para Dulce Pontes e cantora responde: «Estamos juntos», referiu.

Pedro Chagas Freitas utilizou as redes sociais para deixar um elogio público a Dulce Pontes. O escritor defendeu que a artista deveria receber maior reconhecimento em Portugal e criticou a forma como o país trata algumas das suas principais figuras culturais.

A publicação mereceu uma resposta da cantora, que agradeceu as palavras e antecipou um reencontro com o público. Dulce Pontes acompanhou a mensagem com o tema de Cinema Paradiso, de Ennio Morricone.

«A Dulce Pontes devia ser celebrada»

Pedro Chagas Freitas começou por destacar a autenticidade da cantora, contrapondo o seu percurso às exigências comerciais da atualidade.

“Temos de tratar melhor quem nos dá beleza. A Dulce Pontes devia ser celebrada. Não é. Não é ‘comercial’, não faz colaborações com os DJs do momento, não aparece nos programas certos, não serve para vender ténis, nem apps, nem slogans vazios sobre ‘ser autêntico’. A Dulce é autêntica. Isso não se vende; isso é uma dádiva.”

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Para o escritor, existe atualmente uma maior valorização das relações assentes em interesses do que daquilo que é oferecido sem contrapartidas.

“Nós não estamos habituados a lidar com dádivas, só com transações. Não é ela que está fora do tempo; somos nós que estamos fora de tudo. A Dulce não cabe em moldes de plástico. É o fundo do poço e o céu aberto ao mesmo tempo.”

Pedro Chagas Freitas fala em «património emocional»

Na continuação do texto, Pedro Chagas Freitas lamentou que Dulce Pontes seja ignorada por parte do público e defendeu que a artista representa várias dimensões da identidade portuguesa.

“Portugal não sabe cuidar dos seus maiores tesouros. A Dulce devia ser património emocional. Em vez disso, é invisível para tantos, tantos. Não pode ser assim.”

O autor destacou ainda a personalidade e a independência artística da cantora.

“Nela, está tudo: a alma de um país, a verticalidade de uma mulher que não encaixa, que não suaviza, que não cede. Há que ter coragem para ser assim: para não se render à leveza vazia do tempo.”

Escritor deixa apelo ao público

Pedro Chagas Freitas terminou a publicação com um apelo para que os seguidores procurem e escutem o trabalho de Dulce Pontes.

“Procurem-na. Ouçam-na. Vão atrás. Mostrem-lhe que estamos aqui. Deixem-na sentir-vos, sentir-nos. Mostrem-lhe que ainda há quem a ouça com o coração desarmado.”

O escritor concluiu a homenagem com uma reflexão sobre a necessidade de reconhecer e apoiar aqueles que contribuem para a cultura.

“Ela é profundamente humana. O que é humano precisa de ser amado para não morrer à fome.”

Dulce Pontes responde a Pedro Chagas Freitas

Horas depois, Dulce Pontes reagiu publicamente às palavras de Pedro Chagas Freitas. A cantora agradeceu a forma como o escritor a descreveu e dirigiu-lhe uma mensagem pessoal.

“Meu querido Pedro:

Muito grata pelas tuas palavras e forma de me/nos sentir. Em breve estaremos todos juntos e vai ser bonita a festa.”

A artista mostrou-se também determinada em corresponder ao carinho que recebe do público.

“Possa eu honrar-vos sempre da forma como me esperam. Possa eu transmitir amor na mesma medida que recebo. Na mesma medida não: um milhão de vezes mais!”

«Celebremos o que temos de bom»

Dulce Pontes aproveitou a resposta para valorizar a diversidade existente em Portugal e a capacidade do país para reunir diferentes identidades.

“Celebremos o que temos de bom que é tanto! Somos um povo único que em si mesmo reúne tantas identidades. Somos o exemplo máximo de universalismo!”

Por fim, a cantora defendeu que é tempo de deixar para trás aquilo que considera secundário e reforçou a ligação com Pedro Chagas Freitas e com o público.

“Não perderemos mais tempo com tudo o resto, que é isso apenas: o resto. Sejamos inteiros e unos. Estamos juntos 🙏❤️”

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