Pedro Chagas Freitas publica “Carta a todos os privilegiados como eu” e deixa reflexão sobre responsabilidade social, nas redes sociais.
O escritor Pedro Chagas Freitas partilhou nas redes sociais um texto intitulado “Carta a todos os privilegiados como eu”, onde aborda o tema do privilégio e da responsabilidade individual na sociedade.
Na publicação, o autor começa por admitir o desconforto que a palavra pode gerar em muitos debates atuais. Ainda assim, defende que é importante encará-la com honestidade.
“Escrevo-vos com embaraço. A palavra “privilégio” costuma provocar reacções nervosas. Há quem a use como acusação, há quem a recuse como se fosse uma ofensa. Eu prefiro tratá-la como uma verdade.”
Logo depois, assume de forma direta a sua posição.
“Eu sou um privilegiado.”
Reconhecimento das condições de vida
Ao longo da mensagem, Pedro Chagas Freitas explica por que motivo considera ter uma posição de privilégio. O escritor refere vários aspetos da sua vida que, segundo diz, nunca representaram obstáculos.
“Sou branco, sou homem, tenho saúde, não me falta o básico. Nunca fui olhado de lado pelo meu tom de pele, nunca fui calado pelo meu género, nunca tive de escolher entre pagar uma conta de luz ou comprar um medicamento, nunca tive de caminhar pela rua com medo.”
Por isso, assume que a sua realidade não é comum a todos.
“Sou um sortudo do caraças. Não é falsa modéstia; é estatística. Há pessoas que passam a vida inteira a tentar alcançar o meu ponto de partida.”
Do conforto à consciência
Segundo o escritor, durante muito tempo não refletiu profundamente sobre essa realidade. No entanto, com o passar do tempo, passou a olhar para o tema de outra forma.
“Durante muito tempo, não pensei muito nisso. A vida dos privilegiados parece natural. O conforto disfarça-se de normalidade.”
A mudança de perspetiva aconteceu quando percebeu que aquilo que considera básico pode representar muito mais para outras pessoas.
“O que temos parece apenas o mínimo. Até que um dia percebemos que o mínimo de uns é o luxo de outros.”
Assim, defende que o privilégio não deve ser visto como culpa, mas como um convite à ação.
“O privilégio deixa de ser apenas um conforto; transforma-se numa responsabilidade. Não é uma culpa, como alguns gostam de dizer. A culpa paralisa; a responsabilidade obriga a mexer.”
Usar o privilégio para ajudar os outros
Na publicação, Pedro Chagas Freitas sugere que quem reconhece essa posição pode contribuir para melhorar a realidade de outras pessoas.
“Eu acho que todos os sortudos do caraças como eu têm uma obrigação. Não é salvar o mundo; é melhorar pequenos pedaços dele.”
Entre as possibilidades, aponta várias formas de agir no dia a dia.
“Podemos olhar para quem não teve a mesma sorte, podemos usar aquilo que temos para abrir portas a quem encontra sempre portas fechadas, podemos usar a nossa voz quando outros não são ouvidos, podemos usar recursos quando outros não os têm, podemos usar influência, atenção, tempo, dinheiro, presença.”
Para o autor, o privilégio pode tornar-se uma ferramenta de mudança.
“O privilégio pode ser uma alavanca. O que fazemos com ela?”
Duas formas de encarar o privilégio
Na parte final da reflexão, o escritor aponta duas atitudes possíveis perante essa realidade. Por um lado, há quem use o privilégio apenas para benefício próprio.
“Há quem a use para subir mais alto, para acumular, para aumentar a distância entre si e os outros. A sociedade está cheia dessas pessoas; ironicamente, são quase sempre as mais vazias.”
Por outro lado, existe a possibilidade de criar mais oportunidades para outros.
“Há outra possibilidade: usar o privilégio para criar mais privilégio: mais gente com acesso à educação, mais gente com saúde, mais gente com oportunidades, mais gente com menos medo da vida. Mais gente feliz.”
Assim, o escritor conclui que reconhecer a própria sorte pode ser o primeiro passo para uma mudança mais ampla.
“Se somos uns sortudos do caraças, podemos partilhar a nossa sorte: olhar para o lado, perguntar: o que posso fazer com a sorte que tive?”
A mensagem termina com uma reflexão final sobre o futuro da sociedade.
“Se um número suficiente de privilegiados fizer esta pergunta, tenho a certeza de que um dia ser privilegiado vai significar apenas ser humano.”
Veja a publicação AQUI.
