Pedro Chagas Freitas reage à morte de bebé em Almada: «Há dores perante as quais o nosso papel é estar»

Pedro Chagas Freitas reage à morte de bebé em Almada: «Há dores perante as quais o nosso papel é estar», afirmou.

Pedro Chagas Freitas reagiu à notícia da morte de uma bebé de 18 meses, encontrada dentro de um automóvel em Almada. As circunstâncias do caso encontram-se sob investigação.

Numa reflexão partilhada nas redes sociais, o escritor pediu prudência antes de qualquer condenação pública. Sem procurar desculpabilizar eventuais responsabilidades, defendeu que a justiça deve trabalhar com base nos factos.

«Há notícias que não deviam existir»

Pedro Chagas Freitas começou por reconhecer a dimensão da tragédia e lembrar que ainda existem questões por esclarecer.

“Há notícias que não deviam existir. Esta é uma delas. As circunstâncias estão a ser investigadas. Haverá responsabilidades a apurar, haverá tempo para a justiça.”

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Perante as informações conhecidas, o autor recusou apontar culpados. Em vez disso, colocou o foco na perda enfrentada pelos pais da criança.

“Não sei quem errou; sei apenas quem perdeu mais: os pais.”

O escritor admitiu compreender a revolta provocada pelo caso. Contudo, alertou para o perigo de condenar alguém antes de serem conhecidas as conclusões da investigação.

“Eu sei que custa, revolta tanto, magoa tanto; mas estou a tentar não enforcar sem saber. Isso não ajuda ninguém: isso só traz mais dor à dor, mais raiva à raiva.”

Pedro Chagas Freitas recusa desculpabilizar eventuais erros

Na continuação da mensagem, Pedro Chagas Freitas esclareceu que o apelo à prudência não pretende afastar responsabilidades.

“Não quero desculpar ninguém.”

Ainda assim, o escritor considerou importante reconhecer que os erros humanos nem sempre resultam de uma intenção maldosa. O cansaço, a sobrecarga e as rotinas excessivas foram apontados como fatores que podem conduzir a falhas trágicas.

“Quero fugir da facilidade com que acreditamos que o mal acontece apenas aos outros. Os erros não vêm sempre da maldade; podem vir do cansaço, da sobrecarga, da rotina, dos sistemas que transformam pessoas em executores automáticos de dias demasiado cheios.”

Apesar desta reflexão, Pedro Chagas Freitas reforçou que nenhuma explicação poderá reduzir o sofrimento provocado pela morte da criança.

“Nada disto diminui a dor excruciante desta tragédia.”

Escritor alerta para uma «segunda desumanização»

Pedro Chagas Freitas criticou também a rapidez com que muitas pessoas procuram identificar alguém a quem possam dirigir toda a revolta.

Na sua perspetiva, transformar imediatamente uma pessoa num monstro representa uma nova forma de desumanização.

“Devo a mim fazer tudo para evitar uma segunda desumanização: a de acreditarmos que basta encontrar um monstro para atirarmos a matar. Não basta. Não pode bastar.”

O autor resumiu depois o apelo numa frase direta.

“Somos pessoas. Temos de agir como pessoas.”

Enquanto as autoridades procuram esclarecer o sucedido, Pedro Chagas Freitas defendeu que a opinião pública não deve substituir as provas por julgamentos precipitados.

“A investigação dirá o que aconteceu. Até lá, temos a obrigação de não substituir os factos pela nossa necessidade primária de condenar.”

«Penso na mãe e no pai»

Na parte mais emotiva da publicação, o escritor imaginou o vazio que ficará na vida da família após a morte da bebé.

“Fecho os olhos.”

“Penso na mãe que acordou convencida de que ia buscar a filha ao fim da tarde, no pai que continua a desejar acordar deste pesadelo, numa cadeira da cozinha que nunca mais será ocupada, num quarto onde os brinquedos continuarão no mesmo sítio, no silêncio que entrou naquela casa para nunca mais sair.”

Perante essa dor, Pedro Chagas Freitas considerou que o respeito deve prevalecer sobre a necessidade de comentar ou encontrar explicações imediatas.

“Resta-nos respeitar isso.”

«Podemos escrever uma oração, um abraço, um pensamento»

O escritor pediu ainda que, antes de publicarem uma opinião, as pessoas pensem numa mensagem capaz de apoiar a família.

“O primeiro passo é simples: antes de escrevermos uma opinião, podemos escrever uma oração, um abraço, um pensamento, qualquer coisa que ajude aquela família a respirar mais um minuto.”

Para Pedro Chagas Freitas, existem tragédias perante as quais o papel de quem observa não passa por explicar ou julgar, mas por acompanhar em silêncio.

“Há dores perante as quais o nosso papel não é explicar; é estar.”

A reflexão terminou com um desejo de aprender a respeitar o sofrimento sem aumentar o ruído em torno da família.

“Nestas alturas, quero tanto aprender a fazer menos barulho e mais companhia.”

“Abraço imenso a toda a família. Aguentem-se aí.”

As autoridades continuam a investigar as circunstâncias da morte da criança.

Veja a publicação AQUI.

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