Pedro Chagas Freitas reflete sobre as birras dos filhos: “Eu chamo-lhe amor”, afirmou o escritor, nas redes sociais.
Pedro Chagas Freitas partilhou uma reflexão sobre a forma como os pais lidam com as birras dos filhos, defendendo que esses momentos não devem ser encarados como provocações ou desafios à autoridade, mas como manifestações de emoções que as crianças ainda não conseguem compreender ou controlar por inteiro.
Numa publicação feita nas redes sociais, o escritor colocou o foco na necessidade de os adultos procurarem perceber aquilo que está por trás de um comportamento mais difícil.
“Quando o meu filho faz uma birra, não está a provocar-me, a testar-me; está triste, frustrado, e tem todo o direito de estar assim.”
Pedro Chagas Freitas rejeita a ideia de uma “guerra emocional”
Para Pedro Chagas Freitas, uma birra não deve transformar-se num confronto entre pais e filhos. O escritor considera que, perante a frustração de uma criança, a resposta do adulto deve passar mais pelo acolhimento do que pela imposição.
“Quando o meu filho faz uma birra, não está a fazer um braço de ferro comigo, a ver quem ganha uma qualquer guerra emocional; está aborrecido, nervoso, e tem todo o direito de estar assim.”
É precisamente neste ponto que deixa uma das ideias centrais da publicação. Em vez de agressividade, ordens para que a criança se cale ou pare de chorar, defende uma presença capaz de oferecer segurança.
“Quando o meu filho faz uma birra, não precisa que eu seja agressivo, que o mande calar, parar de chorar; precisa que eu o acolha, que lhe abra os braços, a alma, e o ajude a ultrapassar o que ele ainda não consegue processar.”
O escritor considera igualmente que aquele não é necessariamente o momento adequado para tentar ensinar uma lição ou explicar o que aconteceu.
“Quando o meu filho faz uma birra, não precisa que eu dê sermões, que eu lhe dê lições de moral, lições nenhumas; precisa de acalmar, de reequilibrar-se, e depois sim poderá estar pronto a receber novas informações.”
“Não tenho vergonha nenhuma dele”
Pedro Chagas Freitas aborda ainda a pressão que alguns pais podem sentir quando uma birra acontece diante de outras pessoas. Na sua perspetiva, não existe motivo para esconder ou sentir vergonha do comportamento da criança.
“Quando o meu filho faz uma birra, não tenho vergonha nenhuma dele, não tenho que tentar esconder de ninguém que o meu filho faz birras; apenas está a ser uma pessoa como todas as pessoas, e as pessoas estão tristes às vezes, aborrecidas às vezes, zangadas às vezes, e quem as ama só tem de tentar ajudar a que passe, a que melhore, a que as emoções estabilizem.”
A reflexão desloca depois a atenção do incómodo do adulto para aquilo que a criança poderá estar a viver naquele instante.
“Quando o meu filho faz uma birra, não penso em mim, no mal que isso me faz; penso nele, no mal que isso possa fazer-lhe.”
O escritor assume também que esse processo exige aprendizagem por parte dos próprios pais, sobretudo para que não interpretem a reação dos filhos como um julgamento à sua capacidade de educar.
“Quando o meu filho faz uma birra, eu tenho de ensinar-me a não levar isso a mal, a não sentir isso como um atentado de que sou um mau pai ou uma má mãe; só tenho de estar lá para ele, como estarei sempre lá para ele.”
“Pede-me confiança, afecto, compreensão, cumplicidade”
Pedro Chagas Freitas encerrou a publicação resumindo a forma como entende aquilo de que uma criança necessita durante esses momentos.
“Quando o meu filho faz uma birra, pede-me confiança, afecto, compreensão, cumplicidade; e é isso que lhe vou dar. Sempre. Podem chamar-lhe o que quiserem; eu chamo-lhe amor.”
A mensagem coloca, assim, a relação entre pais e filhos num lugar onde a autoridade não desaparece, mas onde a primeira resposta à dificuldade emocional passa pela presença, pela compreensão e pelo tempo necessário para que a criança volte a encontrar equilíbrio.
