Pedro Chagas Freitas reflete sobre fé, morte e humanidade: “Nunca deixarei de saltar”, referiu nas redes sociais.
O escritor Pedro Chagas Freitas partilhou nas redes sociais um texto de forte dimensão filosófica e emocional. A publicação aborda a fé, a perceção da realidade e a forma como a morte pode transformar quem fica.
Fé como continuidade perante a realidade
Logo nas primeiras linhas, o autor assume a sua posição perante a espiritualidade: “Quero acreditar em Deus. Acho que acredito. Se for uma invenção, que seja das que salvam vidas.”
Em seguida, desenvolve a ideia de que a realidade não é absoluta. Para o escritor, a experiência humana é moldada pela perceção individual: “A realidade não é um facto; é uma percepção.”
Além disso, acrescenta que, perante acontecimentos inevitáveis, resta a cada pessoa reconstruir internamente aquilo que não pode mudar externamente: “Quando algo inegável acontece, a realidade de fora não pode ser inventada; resta-nos inventá-la por dentro.”
Nesse contexto, a fé surge como uma forma de resistência e continuidade: “Deus é a salvação. Dá-nos uma continuidade apesar de tudo, contra tudo. Um continuidade que, no limite, dá uma carga de porrada na realidade.”
A morte como espelho da vida
Posteriormente, Pedro Chagas Freitas aprofunda a reflexão sobre identidade e experiência. “Ninguém é o que existe; o que nos acontece não é o que acontece; é mais o que acontece em nós.”
Para o autor, a morte encerra uma lição dupla. Por um lado, confronta-nos com a perda. Por outro, recorda-nos a importância de estarmos vivos.
Assim, escreve: “A grande lição da morte é a grande lição da vida: perante o que acaba, choramos o que acaba, e pensamos na sorte de ainda não termos acabado, de quem amamos ainda não ter acabado.”
Entretanto, critica a leitura cínica de quem vê hipocrisia nas homenagens póstumas. “Alguns vêem isto ao contrário: dizem, com escárnio, que para quem fica os que morrem passam logo a ser boas pessoas, como se nunca tivesse tido defeitos.”
E acrescenta: “Quem vê assim não está vivo o suficiente: quando alguém morre, não é quem morre que tem de ficar imediatamente boa pessoa; é quem fica vivo.”
Um apelo a viver melhor
Perante a dor da perda, o escritor defende uma transformação interior, ainda que temporária. “Perante a morte que nos magoa a vida, julgo que devíamos todos, nem que momentaneamente, ficar boas pessoas, praticar a vida, dançar com ela na cara nojenta da morte.”
Consequentemente, sugere abandonar comportamentos destrutivos: “Devíamos deixar de invejar, de ferir, de dizer merda uns aos outros, de odiar, de rasteirar.”
Reconhece, no entanto, que essa postura exige esforço constante: “É um desporto radical, quase um número de circo. Tento essa acrobacia todos os dias.”
A metáfora do salto final
Já na parte final da reflexão, o autor recorre à imagem do trapézio para ilustrar a condição humana. “Eric Dane, parece-me, foi até ao fim pendurado nesse trapézio. No fim, acabou por cair. No fim, acabamos todos por cair.”
Ainda assim, sublinha que o valor não está na duração, mas na intensidade do percurso: “Mas todos sabemos que o grande salto não é o que dura mais tempo; é o que chega mais alto.”
A publicação termina com uma declaração de perseverança: “Nunca deixarei de saltar: eis um mantra interessante.”
Deste modo, Pedro Chagas Freitas volta a mobilizar milhares de leitores com uma reflexão sobre fé, morte e responsabilidade individual, sublinhando a importância de escolher viver com maior consciência e humanidade.
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