Quarta-feira, Dezembro 1, 2021

Pedro Mendes é um “tipo de bem com a vida”, lançou o primeiro single e é mais um talento nascido no Alentejo.

Pedro Mendes é um jovem cantor, natural de Avism Alentejo, que acaba de apresentar o seu primeiro single: “Só te sei Amar”.

Este single antecipa o seu primeiro disco, a ser editado em 2021.

O cantor, que é também professor, concedeu uma entrevista ao Infocul para abordar o single, o disco (revela inclusive um tema intitulado ‘Voltar’ que tem ligação com as suas raízes alentejanas), mas também o que pretende alcançar na música.

Pedro Mendes aborda ainda um lado mais pessoal, sobre os hobbies e a gastronomia alentejana.

Uma entrevista que poderá ler de seguida:

Pedro, lembra-se da primeira vez em que cantou?

A minha mãe costuma dizer que eu comecei primeiro a cantar do que a falar (corretamente). Como fui sempre muito acelerado (hiperativo), ela conta que eu dizia tudo tão rápido que, por vezes, mais parecia uma cantiga. Mas, fora de brincadeiras… cantar, cantar devia ter cerca de 4 anos. Fi-lo numa festa de aniversário da minha irmã mais velha. Lembro-me porque ficou gravada na memória a expressão na cara das pessoas à minha volta. Certamente, porque deviam estar a achar piada àquela “amostra” de gente. Mas sei que gostei daquela sensação e daí para a frente sempre que surgiam oportunidades, não me fazia rugado.

É natural de Avis, Alentejo. O Cante foi a primeira expressão musical com a qual teve contacto?

Não, por acaso não foi. Mas, certamente, deve ter sido música popular portuguesa, pois era aquilo que os meus pais e os meus avós mais ouviam. O Cante é mais característico do Baixo Alentejo. O Alentejo tem a particularidade de ser muito grande e rico a nível cultural. Na minha zona, Alto Alentejo, o tipo de canção característico, culturalmente, são as “Modas de Saias”. Lembro-me de ser miúdo e quando havia, esporadicamente, aquelas festas dos grupos folclóricos e etnográficos, escutar a forma como cantavam, com muita atenção. O sentimento e a forma como expressavam as palavras cativava e prendia-me a atenção.

Qual a importância de ter ido para Portalegre, tendo em conta que foi numa residência para estudantes que integra o seu primeiro projeto musical?

Foi fundamental. Na altura Portalegre era a “cidade” e Avis a vila pacata… eram mundos diferentes. Sair de casa, da “asa” dos meus pais, com 13 anos…foi algo transformador e único. Portalegre permitiu-me ter uma liberdade e consciência de coisas que até então nem imaginava. Era demasiado ingénuo… mas rapidamente aprendi a aproveitar a minha nova liberdade. Uma coisa é certa, nessa altura surgiu um “Pedro” totalmente diferente… mais extrovertido, mais aventureiro. Felizmente! Na residência de estudantes contactei com jovens de todo o lado, com vivências muito diferentes das minhas, visões de vida totalmente distintas. Os meus horizontes mudaram completamente. Lembro-me de ficar espantado a olhar para a quantidade e variedade de cds que os meus colegas tinham… havia bandas e músicos que nem nunca tinha ouvido falar, mas que a partir daí passei a adorar. A banda surgiu por brincadeira. Era composta por jovens da residência, mas também da escola em que estudava… tínhamos em comum gostar de rock, tipo grunge e alternativo. Começámos por juntar-nos depois das aulas, fazer experiências e um dia surgiu o primeiro convite para atuar num bar. Foi uma primeira experiência divertida!

O Pedro está agora a lançar o seu primeiro single. Para quem nada sabe sobre si, como se apresenta?

O Pedro é um tipo que tenta estar sempre “de bem com a vida”. Sonhador e lutador … não se permite a si mesmo desistir de nada nem de ninguém. É amigo dos seus amigos, sempre pronto para ajudar. Acelerado (hiperativo), envolve-se em “mil” coisas ao mesmo tempo. Às vezes devia ter um pouco mais de filtro no que diz, pois não guarda nada por dizer. Empenhado em tudo o que se envolve, cedo começou a trabalhar e por isso valoriza tudo aquilo que a pouco-e-pouco vai conseguindo como resultado do seu esforço. Certamente, haverá muitos defeitos a apontar e também algumas qualidades, mas isso terão de ser outras pessoas a dizer de mim.

Quais são as suas referências?

Gosto de quase todos os géneros musicais, mas as minhas referências maiores situam-se no Pop, Rock e Soul. Na música portuguesa, sem dúvida o Rui Veloso, o Tim, o David Fonseca entre outros. Lá fora a lista não acaba… Stevie Wonder, Donny Hathaway, John Legend, Bruno Mars, Adele, Pearl Jam, Nirvana, System of a Down (é melhor parar por aqui) …

O que gosta de ouvir?

De tudo um pouco. Tão depressa estou a ouvir System of a Down, como em seguida estou a ouvir Adele. Tão depressa oiço Miguel Araújo como em seguida escuto Muse. Eu gosto de quase todo o tipo de música.

O que não gosta de ouvir?

O que não é música, mas que querem vender como sendo música. Mas “gostos” não se discutem e se há mercado que “consome”, quem sou eu para pôr em causa. Há lugar para toda a gente que trabalhe e dê o seu melhor.

‘Só te sei Amar’ é o primeiro single. É uma declaração de amor a alguém em especial?

Não! É a declaração de amor que eu acho que a pessoa, em quem me inspirei para escrever, faria à pessoa que amava. Neste tema assumo o papel de um contador de histórias, que é algo que gosto de fazer quando escrevo letras. Eu assisti a esta história de perto e lembro-me do quanto achei que aquela história era muito bonita e merecia ser contada. Portanto, limitei-me a passá-la para o papel com as minhas palavras, tentando assegurar que aquela “mistura de sentimentos” vividos seria dignificada.

Quando começou a pensar neste tema?

Este tema estava fechado na gaveta há anos, pelo menos 4 anos, senão mais. Para ser sincero nem estava no conjunto de músicas iniciais que escolhi quando comecei a trabalhar o álbum. Foi numa conversa com o produtor, em que chegámos à conclusão que faria sentido juntar aos temas que tínhamos uma balada, que surgiu a ideia. Depois disso, cheguei a casa fui à “gaveta” vasculhar as muitas folhas com letras e, depois de muito ponderar, achei que esta seria a “certa”. Era e é a balada certa para este momento… porque acaba por ser uma homenagem a pessoas que já partiram, mas que nunca desaparecerão da minha memória.

Este single antecipa um disco em 2021? Se sim, o que pode ser revelado sobre esse trabalho?

É um trabalho que foi pensado/feito para alcançar públicos diversificados. Acho que não é monótono nem se situa em apenas num género musical. A meu ver é um trabalho pensado para que as pessoas possam, acima de tudo, identificar-se com as letras (mensagens). Tem baladas, temas Rock, outras mais voltados para o Pop e até músicas com uma roupagem mais tradicional, nestas últimas inspirei-me mais nas minhas raízes culturais.

Com quem costuma partilhar a sua música? Quem o acompanha nesta aventura musical?

Não gosto de partilhar as minhas músicas antes de estarem finalizadas. Nesse aspeto, talvez seja um pouco possessivo ou então inseguro. Não gosto de apresentar coisas inacabadas ou em construção. Mas depois de feito, é difícil quase controlar-me… partilho com as pessoas que me são próximas para receber os seus feedback e tentar perceber o alcance que podem ter.

Além da música, trabalha em educação especial. É uma área desafiante, calculo. O que mais o preenche no seu trabalho?

Todos os dias são dias diferentes. Não há dias monótonos, pelo contrário, em cada dia surgem novos desafios. É claro que há dias muito duros, em que vamos ao “tapete” e quase nos falta a força anímica. Mas há sempre o dia seguinte e, no dia seguinte, tudo muda…. É um trabalho muito gratificante e no qual aprendo imenso com os meus alunos. Sem dúvida que me ensinam, constantemente, a olhar para a vida com outros olhos e a valorizar o que deve realmente ser valorizado. Digo isto, pois por norma, as pessoas queixam-se de tudo e de nada, sem passarem por uma ínfima parte dos desafios que eles enfrentam todos os dias. São uns lutadores, uns exemplos e orgulho-me imenso de os ajudar a construir a sua história e o seu futuro.

Além do percurso a solo que agora começa, integra outros projectos. O que nos pode contar sobre esses projectos?

Um dos projetos, uma banda de covers, neste momento infelizmente, está um pouco parado. A Pandemia a isso obriga. Mas é um projeto interessante, em que um grupo de amigos, basicamente, toca temas conhecidos de Pop /Rock, que toda a gente gosta de ouvir, tentando dar-lhes o seu toque pessoal. O que queremos, acima de tudo, é proporcionar momentos divertidos a quem ouve. Depois há outro projeto, mais ligado a pequenos eventos, com recurso apenas à voz e um instrumento (piano ou guitarra). Nesse, por norma, como são coisas mais “intimistas” são trabalhados temas do tipo “lírico” ou pop ligeiro. E depois, de vez em quando, surgem alguns trabalhos em back vocals para outros artistas. Vou tentando de alguma forma deixar a minha marca na música, ou pelo menos, quero acreditar nisso.

Quais os planos a curto prazo?

A curto prazo… lançar o álbum e promovê-lo junto do público. Disponibilizar mais conteúdos nas redes sociais oficiais (que foram criadas recentemente) e estabelecer maior interação com o público. Não menos importante, continuar a escrever e compor, não só para mim, mas também para outros artistas. E claro…esperar que isto tudo da Pandemia melhore e me possibilite voltar aos palcos, pois as saudades começam a ser muitas.

Quais os sonhos que tem na música?

Isso era pergunta que dava uma resposta grande demais. Como diria Fernando Pessoa … “Tenho em mim todos os sonhos do mundo”. Tenho muitos sonhos, mas guardo-os para mim, pois não quero deixar de ter os pés bem assentes na terra.

O que gosta de fazer fora da música e a título pessoal?

Gosto de me sentir ocupado. Para além do trabalho e de tudo o que associo à música, disponho parte do meu dia para o “vício” do desporto (é o meu escape para libertar energia). Sou um eterno estudante e, por isso, ainda continuo a fazer formação académica na área da Educação. Sempre que posso, também costumo ajudar como voluntário em algumas instituições de solidariedade social. E depois, claro, as coisas triviais que qualquer pessoa faz… vivendo a vida como qualquer outra pessoa.

O que há do Alentejo na sua música?

O Alentejo remete-me sempre para o “sentir”. A forma de ser das pessoas… a sua força, resiliência e generosidade são marcas que ficaram em mim. Quando oiço as pessoas do Alentejo cantar o que mais me prende é a forma como expressam cada palavra, como as sentem. Tento trazer isso para as minhas músicas sempre que as interpreto. Há, inclusive, uma música no álbum, chamada “Voltar” que tem como referência essas raízes alentejanas, essa forma de expressar as palavras e os sentimentos.

Como vê o atual crescimento na aceitação do Cante Alentejano por parte do público?

Acho que é uma honra não só para o Alentejo, mas para todo o país. É um orgulho ver reconhecida e valorizada a identidade de um povo. Também acho muito interessante perceber que já não são apenas as gerações com mais idade que valorizam o seu património. É animador perceber que as novas gerações valorizam e se identificam com a sua cultura.

Sendo o Alentejo a melhor região, na minha opinião, em termos de gastronomia, pergunto-lhe o que mais aprecia em termos gastronómicos?

Esta pergunta é como a dos “sonhos”… a resposta não terá fim. Desde cachola, açorda, gaspacho, sopa de tomate, sopa de cação, migas… o “pão” (ah, o pão), os enchidos, os queijos, o vinho… Nem sei como parar! E nem entro pelos doces…

Prefere doces ou salgados?

Embora tenha muito cuidado com a alimentação, sou bom garfo, portanto comem-se os salgados e depois os doces.

Qual a mensagem que deixa aos nossos leitores?

Antes de mais, uma mensagem de força e esperança nestes tempos difíceis em que vivemos. Depois que continuem a acreditar e a gostar do que é português. A nossa cultura merece e deve ser valorizada. Por último, se tiverem tempo, oiçam o “Só te sei amar a ti”. Espero que gostem e que vos traga bons momentos.

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