Quem vai cuidar dos órfãos?

Quem vai cuidar dos órfãos?

Quem vai cuidar dos órfãos? Um artigo de opinião de Raul Tartarotti.

Depois que o sistema de saúde do Brasil entrou em colapso, virou um verdadeiro naufrágio coletivo viver por aqui.

Faltaram médicos com especialização em UTI, e por conta disso, foram convidados anestesistas, cardiologistas e pneumologistas para trabalharem nesse ambiente complexo. As equipes médicas se transformaram em pacientes e ficaram extenuadas.

Os hospitais ofereceram gratuitamente psicoterapias para ajudar a vida dessa gente sofrida. Um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) apontou um aumento de 90,5% nos casos de depressão entre os brasileiros desde o início da quarentena. Chamaram de quarta onda de consequências da Covid-19.

Ela é formada pelo trauma psíquico, doenças mentais, desgaste da sociedade como um todo, pela crise econômica e o isolamento social. Sigmund Freud escreveu no seu livro “o mal-estar na humanidade”, em 1929: O homem se torna perturbado emocionalmente porque não suporta a privação que a sociedade lhe impõe.

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Além dos antidepressivos já conhecidos, nosso povo pode contar com benefícios da natureza, que continuam sendo pesquisados. Como o “chá do índio”, preparado com cipó-mariri, que tira diversas dores do corpo, inclusive as consequentes da depressão, das quais foram observadas nos participantes do estudo, realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Essa erva também conhecida como ayahuasca, já faz parte de artigo técnico descrito e publicado em 2019, e que incluiu comentários favoráveis de vários revisores. De 14 pacientes que tomaram ayahuasca, 9 apresentaram escores mais baixos de depressão já nos primeiros dias e, para surpresa dos pesquisadores, alguns chegaram a ter resultados ainda melhores sete dias depois.

Por vezes soluções importantes para o homem, estão na natureza, nos olhando e esperando uma chance de mostrar seus benefícios, através das mãos de quem se encoraje em estabelecer essa ligação.

O apoio a vacina foi ínfimo no Brasil, isso ajudou os resultados se transformarem num desastre total. Um reflexo dessa tragédia é saber quem vai cuidar dos órfãos da Covid-19? Quais são os planos para essas vítimas? Bebês, crianças, adolescentes e jovens vão ter que enfrentar o impacto emocional e financeiro de perdas de seus entes queridos.

Por conta dos milhares de mortos, diversas famílias se reduziram, como em uma guerra. Essas pessoas agora sofrem de dores emocionais, solidão, falta de companhia e dinheiro. Num momento de tanta dor, é a solidariedade que entra em cena.

O tecido confortável dos gestos e das palavras, ajudam a levar esperança a essa colcha de retalhos de sentimentos. Diariamente as notícias preenchem os jornais com parágrafos longos sobre o vírus.

Talvez se criássemos um novo “Correio da Epidemia”, como foi feito durante a peste em Orã, na Argélia nos anos 1945, uma só verdade seria suficiente pra convencer quem nega existir pandemia nas ruas. Os efeitos colaterais dessa praga, serão imensos e duradouros, vamos precisar de muita ajuda da cortina dos hábitos pra voltarmos ao normal.

A aceleração da vacina é imprescindível, salva vidas e a saúde mental de nosso povo.

“O Verdadeiro cadáver não é o corpo, mas aquilo que deixou de viver”. Fernando Pessoa.

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