Raul Minh’alma emociona ao relatar primeiras noites com o filho recém-nascido: “Trouxe-me ao lugar certo”, referiu o escritor.
Raul Minh’alma partilhou nas redes sociais um texto íntimo sobre as primeiras horas depois do nascimento do filho. A legenda acompanhou uma fotografia em que o escritor surge com o bebé recém-nascido ao colo.
Sem dramatizar, mas com grande detalhe, Raul descreveu o cansaço, as idas e vindas ao hospital, os cuidados com Laura e a sensação de estar exatamente onde devia estar.
Duas noites numa poltrona e sonos “a conta gotas”
Na publicação, Raul Minh’alma começou por mostrar o lado menos romântico, mas mais real, dos primeiros dias no hospital. O escritor contou que dormiu numa poltrona reclinável, sem grande conforto, mas vencido pelo cansaço.
“Adormeço na poltrona reclinável. Não é fantástico, mas o cansaço torna qualquer cadeira numa cama de sonho. É a minha segunda noite numa poltrona destas. A mesma roupa. Os sonos são a conta gotas nas últimas 48h.”
Depois, Raul explicou a rotina da madrugada. O escritor acordou para acompanhar Laura na amamentação e para ajudar o bebé a adormecer.
“Acordo às 3h da manhã para acompanhar a Laura na amamentação. Adormeço o bebé para que ela possa descansar. Volto a adormecer duas horas depois para acordar de novo às 7h. Tenho de sair. Não estou autorizado a estar aqui das 7h às 11h.”
Uma manhã entre a mãe, cerejas e recados
Sem poder permanecer no hospital durante esse período, Raul Minh’alma aproveitou a manhã para visitar a mãe. Pelo caminho, encontrou tempo para tomar pequeno-almoço, tomar banho e apanhar cerejas para Laura.
“A minha mãe vive a meia hora de distância. Eu vivo a mais do dobro. Não tenho o que fazer na rua a esta hora e muito menos em minha casa. Aproveito e visito a minha mãe. Tomo o pequeno almoço com ela. Tomo um banho. Apanho cerejas para a Laura.”
Mais tarde, já perto da hora de regressar ao hospital, o escritor lembrou-se de outro pedido.
“Estão a ser 11h, são horas de voltar para o hospital. Tenho de lhe comprar um champô, ela pediu-me. Passo num hipermercado, compro um champô (e umas gulosices). Abasteço o carro. Afinal, amanhã tenho uma apresentação em Vimioso e ainda são 3h de distância.”
O almoço diferente que não podia falhar
Apesar do cansaço e da agenda apertada, Raul quis levar a Laura um almoço diferente. Sabia alguns dos gostos da mulher, mas não encontrou logo uma solução simples.
“Combinei levar-lhe um almoço diferente. Sei que gosta de comida italiana, mas não vou levar-lhe pizza, sei que gosta de sushi, mas não gosta de qualquer um, sei que gosta de brunch… mas onde encontro um em Penafiel que tenha take away?”
Foi então que encontrou o Noyo através do Google. O espaço ficava a caminho do hospital e acabou por marcar a manhã do escritor.
“Procuro no Google. Aparece-me o Noyo (vou mesmo fazer publicidade, pois merecem). Não conheço, mas tem boas reviews e fica a caminho do hospital. Perfeito. Bora tentar. Passo lá. Não têm take away (claro).”
Mesmo sem serviço de take away, a equipa tentou ajudar. Raul explicou a situação e acabou por sair dali com uma solução improvisada.
“Digo que tenho a minha mulher no hospital, que acabou de dar à luz e não lhe queria falhar com um almoço diferente. Até porque é segunda feira e a maioria dos restaurantes estão fechados. Dizem-me que vão encontrar uma solução.”
O gesto do restaurante e a promessa de voltar
Durante a passagem pelo espaço, Raul Minh’alma foi reconhecido por um dos empregados. O momento foi contado pelo próprio na publicação.
“Um dos empregados reconhece-me. ‘É o Raul Minh’alma, o escritor, não estás a reconhecer?’, pergunta à colega. Foram impecáveis. Não me falharam para que eu não falhasse. Prepararam-me tudo em caixas improvisadas. Vim-me embora com a promessa de que voltaria. Com mais tempo e com a minha mulher.”
A frase resume bem o tom da partilha. Entre pequenos obstáculos e ajudas inesperadas, Raul quis mostrar a tentativa de estar presente, mesmo nos detalhes.
Flores esquecidas e a certeza de estar no lugar certo
Ao chegar ao hospital, o escritor percebeu que se tinha esquecido das flores. A falha estava na sua “lista mental”, que admite nunca escrever.
“Chego ao hospital e apercebo-me de que me esqueci de comprar flores. Estava na minha lista mental. Nunca aponto nada. Nem as ideias para os meus livros. Talvez devesse.”
Porém, antes de passar pela segurança, encontrou uma florista e conseguiu comprar um ramo. O regresso ao quarto fechou a publicação com uma imagem de ternura familiar.
“Quando estou prestes a passar a segurança do hospital vejo que há uma florista. Perfeito. Bela estratégia comercial, penso. Compro um ramo e regresso ao quarto. Os sorrisos que tenho à minha espera, quando chego, dão-me a certeza de que todo o caminho que fiz nesta vida, mesmo quando me doeu, mesmo quando me perdi, trouxe-me ao lugar certo.”
Assim, Raul Minh’alma transformou uma legenda de redes sociais num retrato de paternidade recente. Entre noites mal dormidas, recados, quilómetros e pequenos gestos, o escritor mostrou o lado mais humano dos primeiros dias com o filho.
Veja a publicação AQUI.

