Reportagem: Casa cheia no CCB e Pedro Moutinho a não defraudar o público

Reportagem: Casa cheia no CCB e Pedro Moutinho a não defraudar o público, na noite de ontem.

Reportagem: Casa cheia no CCB e Pedro Moutinho a não defraudar o público

Pedro Moutinho apresentou ao vivo no ciclo “Há Fado no Cais” o seu mais recente trabalho discográfico: CASA.

Neste seu EP “CASA”, o fadista, que nunca deixou de sentir o pulsar do fado tradicional, embrenha-se nos seus caminhos para oferecer ao público um registo cru.

Entrega assim a mesma alma e deferência que transmite ao público de cada vez que sobe ao palco de algumas das mais prestigiadas casas de fado da cidade de Lisboa, e também de salas de espetáculo nacionais e internacionais.

O fadista que ontem, preencheu a dinâmica “Fado no Cais” tem vindo a explorar diferentes sonoridades e modulações que o fado permite, sempre com respeito pelas suas matrizes, refúgio que bem conhece e domina, tendo neste EP alguns arranjos de Filipe Raposo para o tema Casa de Água, numa parceria única com letra de João Monge e música de Amélia Muge.

Este trabalho conta ainda com letras inéditas de Maria do Rosário Pedreira, Teresinha Landeiro e a recriação do clássico, Um Resto de Mouraria, com letra de Carlos Conde e música do violista Martinho da Assunção.

Neste concerto de apresentação do EP CASA, Pedro Moutinho foi acompanhado por José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Pedro Soares na viola de fado e Frederico Gato no baixo acústico.

Com “pontualidade inglesa” no pequeno e intimista auditório do Centro Cultural de Belém, mal se ouviu a mais subtil nota, fez-se silêncio e… Cantou-se o Fado, pela voz do anfitrião Pedro Moutinho no trinar do tradicional fado Alexandrino Martinho, declamando os poemas que revestem os temas “Contemplo o que não vejo” e “Lisboa Mora aqui”.

Prosseguindo, sob um manto de silêncio e admiração, choraram as guitarras o fado José António embalando o poema “Maldição”.

Após um começo morno e de sossego, foi momento de “agitar as águas” e trinaram as guitarras no fado Corrido dando asas aos temas ” Foi bom conhecer-te” e “Na rua do Desencanto”, seguindo no ritmo, embrenhou o público com o Fado Tango no tema “Meu amor sem Direção” e “Sem Sentido” no fado Rosita, rematando com o tema “Alfama” novamente no fado tango.

A fechar esta primeira parte de concerto, o fadista aproveitou o já conhecido tema “Contradição” para interagir com o público e terminar em pleno.

Atrás de um bom Fadista, estão sempre um par de guitarristas… Neste caso um trio… E que trio, deu palco o anfitrião ao seus “guarda costas” e que momento… Harmonia, genialidade e competência, público arrepiado e ligado aos músicos, Bonito!

Nota apenas para algum desprimor na saída de palco, um “até já”, sem a competente apresentação dos músicos que dali em diante brilhariam em palco…

Novamente um silêncio sepulcral na casa e com apartes do fadista, onde foi explicando tema a tema o que o inspirou…. Ouviu-se o tema ” Um resto de Mouraria” que confessou ouviu pela voz de filho de Alfredo Marceneiro, sentindo-se o fadista a desfrutar do ambiente com que o CCB o brindou e a não desfraldar o público.

Tema após tema, manteve o público consigo com especial destaque para o momento de interpretar um dos ex-líbris do EP “CASA” o tema ” Casa de Água”, a que já fizemos referência anteriormente, um tema diferente e de uma genialidade notável, desta feita, no fado antigo… mas, a deixar a promessa de uma nova roupagem.

Antes do tema “Imprevisto”, introduziu-o o conceito dos EP’S elucidando que agora saiu o Casa, alicerçado no fado tradicional e posteriormente perto do verão, sairá o Água, um EP com novas sonoridades e uma roupagem diferente no fado.

Caminhando a passos largos, mas consistentes, para o final deste serão fadista, foi momento de se ouvir os fados Solene, Magala, Sereno, para os temas, “Sem volta”, “A Viagem” da Fadista Teresinha Landeiro e “Palavras minhas” respetivamente.

Terminou a noite brindando o público com os temas “Carnaval” famoso pela voz de João Braga e “Veio a saudade” e ainda “Rapsódia de fado”.

Após muita insistência do público, e sob trinar de guitarras e palmas, regressou a palco e interpretou, novamente, o tema “Resto de Mouraria”, “Olhos estranhos” e encerrou a noite, novamente com o tema “Contradição”.

Nota para que, tirando o tema “Olhos Estranhos”, o anfitrião optou por não arriscar a deixar algo novo ou reservado especialmente… Pena, uma vez que, as repetições soaram desnecessárias uma vez que o concerto estava na medida ideal e equilibrado.

No geral, todo o espetáculo resultou num serão agradável, tendo o fadista equilibrado fado tradicional com algumas linhas mais aligeiradas, como é seu apanágio, mas, com uma forma de interpretar característica e um tanto quanto familiar, baseada no fado canção, mas, agradável, confortante e “embriagante”, nota especial para os músicos… extraordinários, pena o som que não esteve à altura, nem dos músicos nem do fadista.

Foi assim, mais uma noite de Fado no Cais.

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