Rui Maria Pêgo: “Temos uma forma de sentir diferente dos outros povos”, disse em entrevista ao Infocul.pt, na terça-feira.
Após a apresentação da nova campanha da Cerveja Sagres, “Alma Portuguesa”, no Campo Pequeno, Rui Maria Pêgo refletiu sobre o que significa, afinal, ser português. Em conversa com o Infocul.pt, o comunicador e actor partilhou memórias, sentimentos e ideias sobre identidade, pertença e os contrastes da cultura nacional.
Desde logo, quando desafiado a definir “o que é ser português” numa só frase, o comunicador rejeitou a simplicidade da tarefa. “Isso é impossível de responder numa única frase, é muito difícil dissecar ou sintetizar aquilo que nós somos numa frase apenas”, começou por afirmar. No entanto, destacou algumas características que considera fundamentais: “Acho que somos desenrascados, acho que somos honestos e acho que temos sempre muita poesia.”
Povo Português com muita Poesia
Segundo Rui Maria Pêgo, essa “poesia” é algo que nos diferencia de outros povos. “Mesmo que não se apercebam disso, as pessoas vivem com muita poesia em Portugal. Temos uma maneira de sentir completamente diferente.”
Apesar de ter vivido no estrangeiro, mais precisamente em Inglaterra, o comunicador garante que não alterou a forma como vê o país. “Não mudei nada. Eu tenho uma atitude muito… eu não acho nada que as coisas acabam quando estás fora.” Embora tenha sentido falta de pequenos detalhes do quotidiano português, como o café, referiu: “Tive sempre a sensação de que o meu país, muitas vezes, luta consigo mesmo.”
Mais à frente, citando Saramago, acrescentou: “Só quando sais da ilha consegues ver a ilha. Havia uma tendência para julgar os outros, e isso só nos atrasa.”
Quando questionado sobre a aparente dificuldade dos portugueses em experimentar a alegria, Rui Maria Pêgo concordou com essa leitura. “Temos um vício com a tristeza e uma tendência para a melancolia.” No entanto, reconheceu que essa dualidade emocional é parte da identidade nacional. “Simultaneamente partilhamos a alegria e a tristeza. Isso é raro. Nem todos os povos o fazem.”
Durante a conversa, refletiu também sobre a necessidade de rotular as pessoas, uma tendência que considera global. “Todas as pessoas tentam entender o seu ambiente. Em Portugal, com a explosão do turismo e a entrada de novas culturas, também procuramos reposicionar-nos.”
Ainda assim, mostrou-se crítico em relação à visão simplista que por vezes temos de nós e dos outros. “Somos muito mais diversos do que gostamos de acreditar.”
Assim, sobre a Alma Portuguesa, referiu Rui Maria Pêgo: “Temos uma forma de sentir diferente dos outros povos”.
A primeira memória com cerveja de Rui Maria Pêgo
Por fim, evocou as suas primeiras memórias ligadas à cerveja, já que o evento promovido pela Sagres foi o mote da conversa. “Para mim, cerveja é sinónimo de verão e de festivais.” Recordou os tempos em que ia com os amigos ver concertos, como o de 50 Cent, e tinha testes de matemática no dia seguinte. “A cerveja sempre foi uma constante nesses universos. Era o primeiro passo para experimentar a liberdade.”
