Skunk Anansie no NOS Alive: Skin levou Algés da nostalgia à contestação sem perder intensidade

Skunk Anansie no NOS Alive: Skin levou Algés da nostalgia à contestação sem perder intensidade, ao final da tarde de ontem.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Diogo Nora

Os Skunk Anansie chegaram ao palco principal do NOS Alive com quase dez minutos de atraso, mas bastou o arranque de “This Means War” para apagar qualquer impaciência acumulada. No final de tarde desta sexta-feira, 10 de julho, a banda britânica encontrou um recinto bem mais composto do que em vários momentos do dia anterior e respondeu com um concerto intenso, marcado pela energia de Skin, pela memória dos grandes temas dos anos 90 e por uma forte componente política.

Deborah Dyer continua a ser o centro gravitacional da banda. Conhecida artisticamente como Skin, atravessou o palco com a mesma inquietação física que sempre lhe marcou a presença ao vivo, saltando, aproximando-se do público e conduzindo o espetáculo sem perder domínio vocal.

A imagem também ajudou a definir o tom. A vocalista surgiu com uma T-shirt onde se destacava uma suástica riscada por uma cruz, antecipando algumas das mensagens que viriam a atravessar a atuação.

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Pouco depois, dirigiu-se diretamente ao público:

“Estão prontos, caraças?”

A resposta foi imediata, antes de “Charlie Big Potato” aumentar a intensidade de um concerto que rapidamente criou forte ligação com a plateia.

Um alinhamento construído entre impacto e memória

“Because of You” confirmou desde cedo que os Skunk Anansie não precisavam de esperar pelos maiores clássicos para conquistar o recinto. A banda encontrou um público participativo e disponível, enquanto Skin mantinha o habitual equilíbrio entre provocação e cumplicidade.

A determinada altura, a vocalista olhou para o cartaz do festival e comentou:

“Obrigado. Este é um alinhamento fantástico, não é?”

A frase foi imediatamente seguida por uma provocação à sua maneira:

“Seus sortudos de merda.”

O ambiente manteve-se descontraído até “An Artist Is An Artist”, mas o concerto mudaria depois de registo, abrindo espaço para um dos momentos mais vincadamente políticos da noite.

Skin falou sobre perseguição e discriminação dirigidas a vários grupos, incluindo pessoas transgénero, gays, mulheres e negros, apontando críticas aos cristãos extremistas.

Antes de “God Loves Only You”, explicou:

“Escrevemos esta canção porque vimos uma divisão.”

Foi um dos momentos mais fortes da atuação, não apenas pelo conteúdo da intervenção, mas pela forma como a mensagem foi integrada naturalmente no concerto.

“Hedonism” trouxe a nostalgia para o centro da noite

Depois da intervenção política, “Hedonism (Just Because You Feel Good)” mudou a respiração do espetáculo e encontrou milhares de vozes preparadas para acompanhar Skin.

A canção trouxe uma das maiores reações do concerto e uma forte onda de nostalgia ao Passeio Marítimo de Algés. Para muitos, foi um reencontro com uma banda que marcou parte dos anos 90 e que continua a manter uma presença física impressionante em palco.

Skin não se limitou, contudo, a viver do passado.

Pouco depois, em “Weak”, voltou a quebrar a distância entre palco e público, descendo para cantar junto das primeiras filas e rodeada por fãs.

A proximidade repetiu-se mais tarde em “I Can Dream”, confirmando uma das características mais fortes das atuações dos Skunk Anansie: a necessidade de levar o concerto para lá dos limites físicos do palco.

Entre os dois momentos, “Twisted” serviu para testar a resistência do público, com Skin a desafiar o recinto a saltar em conjunto. A resposta foi imediata.

Um final sem contenção

A reta final manteve a intensidade elevada.

“Tear the Place Up” fez jus ao título e abriu caminho para “Little Baby Swastikkka”, tema escolhido para encerrar uma atuação que nunca perdeu completamente o sentido de urgência.Antes da despedida, Skin deixou duas frases ao público:

“Foi uma experiência fantástica.”

E, logo depois:

“Amo-vos.”

Os Skunk Anansie terminaram assim um concerto construído entre energia, memória, proximidade e contestação. Skin continua a comandar tudo com uma presença magnética, enquanto a banda demonstra que os grandes temas do passado continuam vivos porque ainda encontram força no presente.

No NOS Alive, o público recebeu precisamente isso: uma banda veterana que não precisa de se comportar como tal.

Alinhamento do concerto dos Skunk Anansie no NOS Alive

“This Means War”
“Charlie Big Potato”
“Because Of You”
“An Artist Is An Artist”
“God Loves Only You”
“Hedonism (Just Because You Feel Good)”
“Weak”
“Twisted”
“I Can Dream”
“Tear The Place Up”
“Little Baby Swastikkka”

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