Sérgio Onze no NOS Alive: “Tudo aquilo que eu faço é porque gosto realmente do que estou a fazer e acredito nisso”

Sérgio Onze no NOS Alive: “Tudo aquilo que eu faço é porque gosto realmente do que estou a fazer e acredito nisso”, disse.

Texto e Entrevista: Diogo Nora
Fotografias: Nuno Almeida

Esta tarde, Sergio Onze actua no palco Fado do NOS Alive. Porém, antes desses dois espectáculos, concedeu uma entrevista ao Infocul.pt.

O fadista falou do seu primeiro disco, ‘Nós’, do regresso ao NOS Alive e de como o público se tem interessado pelo seu trabalho.

Além disso falou ainda da experiência de ter tido o disco produzido por Ricardo Ribeiro e Agir.

Infocul- Há dois anos foi a primeira vez que esteve no NOS ALIVE, se não me falha a memória, estamos cá novamente. Quais são as mudanças do Sérgio de há dois anos para o Sérgio de atualmente? (0:36)

Sérgio Onze – Olha, Diogo, na verdade ainda são algumas, porque há dois anos não estava nada à espera do convite, tal como não estava à espera este ano, mas a verdade é que este ano tenho um disco que lancei o ano passado, o meu primeiro e único disco, portanto já venho com um repertório diferente, já tenho outra identidade, senti que já há um amadurecimento naquilo que estou a fazer, portanto para mim este convite foi incrível porque sinto-me numa fase de carreira completamente diferente daquilo que estava há dois anos, embora a base seja na mesma fase tradicional como foi e há de continuar a ser, mas de facto já há mais diferenças.

Infocul- Relativamente ao álbum que tem, como é que conseguimos ter dois produtores (completamente de estilos diferentes, neste caso o Ricardo Ribeiro e o Agir, como é que foi trabalhar com ambos e ir buscar um pouco da essência de cada um deles?

Sérgio Onze – Na verdade quando eu comecei a gravar o disco e o Ricardo começou a trabalhar comigo, eu sempre lhe passei esta mensagem de que apesar da minha base e escola ser o Fado tradicional, eu procurava para o disco que às vezes o barco fosse noutra direção, que não saísse nem desvirtuasse o Fado, mas procurava aqui alguma frescura nesse sentido. E o Ricardo quando falou comigo disse-me, olha, porque é que não juntamos o Agir ao projeto? O Agir já tinha algum interesse em trabalhar comigo, já me o tinha demonstrado, e sozinho às vezes não me fazia sentido porque não trazia esse lugar do Fado, mas pensei, olha, porque não, o que primeiro achei estranho por serem estes dois mundos tão diferentes, depois pensei que por esse mesmo motivo que podia ser interessante explorar esse lugar e perceber o que é que iria acontecer. A verdade é que o Ricardo traz um lugar da palavra, do Fado e de uma escola ainda mais aperfeiçoada daquela que eu tenho, portanto foi quase uma espécie de workshop intensivo a gravar com ele, o Agir tem uma linguagem completamente diferente, um universo completamente diferente, mas que isso também me acrescentou muito àquilo que eu estava a fazer e a trazer outros lugares que o Fado tradicional não trazia.

Infocul – A nível do público, já há algum feedback acerca do novo álbum?

Sérgio Onze – Sim, olha, na verdade eu acho que tem corrido muito bem, e eu estava com algum receio, porque pronto, é o primeiro, nós nunca sabemos qual é que vai ser a reação das pessoas e a verdade é que eu senti que não desvirtuei nem que desiludi as pessoas que já gostavam daquilo que eu fazia, portanto, eu como te disse, apesar de gravar com o Agir, não procurava mudar nada, portanto não era para mudar nada no Fado, era só para dar o meu lugar, a minha posição nele, basicamente, era isso, e portanto senti que as pessoas ficaram contentes com o resultado e mesmo outras experiências que fiz um bocadinho fora deste mundo, por exemplo o tema que eu colaborei com o Conan Osiris, eu acho que acabou por entrar bem na reação das pessoas e acabou por ser bastante positivo.

Infocul – Portanto, num festival, e já não sendo a primeira vez, como é que se prepara dois concertos, o alinhamento vai ser igual ou vai ter alterações? E o facto de ser tão curto, quais é que são as principais dificuldades que traz?

Sérgio Onze- Olha, vão ser iguais, os concertos vamos fazer exatamente a mesma setlist, na verdade acabou por ser mais fácil, porque ultimamente tenho, felizmente, tido alguns concertos e portanto isto vai ser uma espécie de mini apresentação daquilo que têm sido os meus concertos. Aqui eu acho que o principal foi mostrar um bocadinho, a melhor forma de mostrar um bocadinho do que o disco tem, portanto ter o Fado tradicional, ter estes temas que saem um bocadinho fora dele também e portanto colocar aqui em 20 minutos todos esses pormenores, eu acho que foi um bocadinho essa a maior preocupação.

Infocul – Numa palavra, como é que se define como artista?

Sérgio Onze – Verdadeiro, genuíno, acho que sou muito fiel àquilo que acredito, àquilo que gosto e portanto tento sempre trazer essa minha verdade, portanto tudo aquilo que eu faço é porque gosto realmente do que estou a fazer e acredito nisso, não faço porque me dizem olha isto funciona, faço porque sinto que faz sentido e portanto acho que acaba por ser verdade, não tenho outra maneira de o dizer mesmo, aquilo que passo em palco e até as minhas interações com o público são realmente aquilo que eu estou a sentir no momento.

Infocul – Além do Fado há também o lado do styling, ou seja, estilista e fadista, são duas formas de transmitir as emoções. A pergunta é, das duas artes qual é a mais difícil de vestir?

Sérgio Onze – boa pergunta, olha na verdade eu sinto que no Fado não há forma de eu o despir sequer porque eu sinto que é uma maneira de eu estar, isto parece um bocadinho clichê mas é mesmo a verdade, é a maneira que eu tenho de estar na vida, portanto eu não consigo separar da minha pessoa do Fado porque eu sinto que cresci dessa forma, cresci nesse meio e portanto é uma coisa que a mim é intrínseca. O styling é a minha profissão quase, não é que o Fado não seja mas tem um lugar diferente na minha vida comparativamente ao Fado. O Fado é uma forma, para além do cantar, é a forma como eu vejo o mundo e isto pode parecer muito poético mas é de facto quem está dentro do meio, ou mesmo que não esteja, consegue entender isto que eu quero dizer, portanto o styling dá-me mais dores de cabeça, risos.

Infocul- Depois do Nos Alive, onde é que o podemos encontrar mais?

Sérgio Onze – Então, vou estar em Gondomar em Outubro, e vou estar na Festa do Avante dia 7 de Setembro e pronto e mais coisinhas, estas são as mais breves.

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