Tânia Laranjo recorreu ao Facebook para questionar dois episódios associados aos protestos pela habitação. Em publicações distintas, a jornalista comentou a presença de um jovem no Rossio e contestou uma vigília dedicada a uma mulher de 26 anos, defendendo que os casos que descreveu não devem ser confundidos com as dificuldades de quem não consegue pagar uma casa.
As críticas foram acompanhadas por imagens da cobertura televisiva e de uma notícia do Correio da Manhã. Nas duas intervenções, Tânia Laranjo distinguiu a falta de condições económicas para aceder à habitação das circunstâncias particulares que apresentou.
Jornalista questiona relato de jovem no Rossio
Numa das publicações, Tânia Laranjo começou por descrever um episódio que, segundo o seu relato, envolveu um jovem que se apresentou às autoridades como porta-voz do grupo.
“Uma das cenas mais caricatas destes últimos dias no Rossio foi a de um jovem de 29 anos que se apresentou à PSP como porta-voz do grupo e declarou que a sua morada fiscal era a tenda número X. Depois foi falar com os jornalistas e explicou que vive na rua e quer ensinar outros a fazer o mesmo.”
A jornalista considerou que essa posição não representa o problema enfrentado por quem procura uma casa e não tem condições para a pagar.
“Agora a sério. O rapaz faz da vida o que quiser. O que não pode é querer que eu confunda isto com a luta pela habitação. Há gente que trabalha e não consegue pagar uma renda. Há jovens que não saem de casa dos pais porque não têm dinheiro para isso. E há quem escolha viver numa tenda e queira ensinar os outros.”
Na mesma mensagem, insistiu na distinção entre as duas situações: “São coisas diferentes. A primeira é um problema que o país tem de resolver. A segunda é uma opção de vida. Respeito ambas, mas não tenho de fingir que são a mesma coisa.”
Tânia Laranjo terminou com uma crítica à mensagem que retirou daquele testemunho: “Já temos demasiada gente a não conseguir pagar uma casa. Dispenso os que me querem convencer de que, afinal, nem preciso dela.”
Vigília por mulher de 26 anos motiva nova crítica
Noutra publicação, a jornalista pronunciou-se sobre uma vigília dedicada a Maria, uma mulher de 26 anos com dois filhos, questionando a sua apresentação como símbolo da crise da habitação.
“Esta noite, a vigília é por Maria, 26 anos, dois filhos, transformada em símbolo da crise da habitação. Porquê? Ainda estou a tentar perceber.”
Tânia Laranjo apresentou depois a sua descrição do caso, incluindo alegações sobre um conflito familiar e uma decisão judicial.
“Maria foi viver para casa da avó do namorado, que morreu. O companheiro suicidou-se. A casa ficou para o marido da avó, um homem de 84 anos. Maria expulsou-o. O idoso diz que foi agredido. Um juiz decidiu que a jovem tinha de sair e não se podia aproximar dele.”
Estas afirmações constam da publicação da jornalista. O texto não apresenta a versão da jovem nem reproduz a decisão judicial referida, pelo que o relato e a alegação de agressão devem ser entendidos com essa atribuição.
“Não conseguir pagar uma renda não é a mesma coisa”
A partir da descrição que fez, Tânia Laranjo rejeitou o enquadramento da vigília como uma iniciativa relacionada com o acesso à habitação.
“E agora temos uma vigília para fazer disto uma questão de habitação. Não, não é.”
A jornalista concluiu a publicação voltando à distinção que atravessou as duas mensagens: “Não conseguir pagar uma renda não é a mesma coisa que ser afastado de uma casa por decisão judicial. A menos que, entretanto, a crise da habitação tenha passado a justificar tudo, até aquilo que não tem nada que ver com ela.”
