Tânia Laranjo e Maria João Marques entram em confronto por decisão judicial: «E se não foi preso pelo disparo como é que o juiz podia prender pelo disparo?», questionou.
A decisão judicial que deixou em liberdade o homem suspeito de envolvimento nos disparos que acabaram por atingir uma turista sueca na Baixa de Lisboa desencadeou uma troca particularmente tensa entre Maria João Marques e Tânia Laranjo. A comentadora da SIC Notícias criticou duramente a medida de coação aplicada, enquanto a jornalista da CMTV chamou a atenção para aquilo que os elementos públicos permitem, ou não, concluir sobre a prova existente no processo.
A discussão começou depois de Maria João Marques reagir à notícia de que o suspeito, detido pela PSP no âmbito de um processo de violência doméstica, não ficou sujeito a uma medida privativa da liberdade.
«O/A juiz que libertou o criminoso que disparou a bala que acertou na turista sueca na Baixa de Lisboa, fê-lo porque estava com vontade de dar mais votos no Chega, certo? É que não há outra justificação. De qualquer maneira, como lisboeta, agradeço muito a dito/a juiz deixar à solta nas ruas da cidade quem anda a disparar tiros potencialmente mortais», escreveu.
Tânia Laranjo questiona se existia prova suficiente
Tânia Laranjo entrou na conversa colocando uma questão sobre a consistência dos elementos disponíveis no momento em que o homem foi apresentado a tribunal.
«Será que a prova era consistente? É uma pergunta retórica, mas não tenho a certeza da resposta», contrapôs.
A jornalista não defendeu que conhecia o conteúdo do despacho judicial nem os elementos integrais do processo. Pelo contrário, insistiu mais tarde que a sua leitura estava limitada à informação tornada pública.
A intervenção, contudo, levou Maria João Marques a responder num plano mais pessoal.
Maria João Marques fala em comunicações devassadas
A comentadora recuperou episódios relacionados com o seu passado e mostrou desconfiança relativamente à intervenção de Tânia Laranjo.
«Vindo de jornalistas, e sabendo eu como devassaram as minhas comunicações com um certo advogado da Abreu, sobretudo junto de gente da comunicação social, sempre que vejo expressões (não totalmente a propósito) usadas por mim nessas comunicações, fico a achar que foi mais uma que não tem mais nada que fazer na vida se não ler as efabulações de um aldrabão (…) E que por alguma questão de tribalismo me quer mostrar que ‘sabe’», afirmou.
A discussão afastou-se, assim, durante alguns momentos da decisão judicial que lhe tinha dado origem e passou também pela relação de Maria João Marques com o trabalho de jornalistas e pela suspeita que manifestou sobre a utilização de informação privada.
«O suspeito não foi preso pelo tiro»
Tânia Laranjo voltou então ao caso concreto e procurou separar aquilo que é conhecido publicamente daquilo que permanece dentro do processo.
«Os jornalistas não têm acesso a tudo. Eu não tenho. Mas li o jornal e fiquei esclarecida. O suspeito não foi preso pelo tiro. Ou seja, mesmo para quem prende a prova não existe.»
A jornalista reforçou depois que não conhece o despacho que determinou as medidas de coação.
«Insisto mesmo assim: não conheço o despacho, limito-me aos factos que são públicos e que dou como verdadeiros.»
Foi a partir desse enquadramento que deixou a pergunta com que sustentou a sua posição perante as críticas dirigidas ao juiz.
«E se não foi preso pelo disparo como é que o juiz podia prender pelo disparo?»
O confronto acabou por expor duas leituras muito diferentes sobre o caso. Maria João Marques centrou a crítica na libertação de um homem que associa ao episódio dos disparos, enquanto Tânia Laranjo insistiu que uma decisão judicial tem de ser avaliada à luz da prova que efetivamente consta do processo e não apenas da perceção pública em torno dos acontecimentos.
