Tânia Laranjo ironiza com febre do eclipse e o preço dos óculos: “O negócio está montado”, afirmou nas redes sociais.
O eclipse solar desta quarta-feira, 12 de agosto, mobilizou milhares de portugueses, encheu agendas de iniciativas e criou também uma inesperada corrida aos óculos de proteção. Tânia Laranjo decidiu olhar para o fenómeno por outro ângulo e, no Instagram, transformou a expectativa em matéria para uma reflexão carregada de humor e ironia.
A jornalista da CMTV começou por ligar dois acontecimentos que, à primeira vista, pouco têm em comum: o fim do Mundial e a chegada do eclipse.
“Acabou o Mundial. Descansaram as bandeiras, arrumaram-se as camisolas e, por uns dias, ficámos sem aquela desculpa maravilhosa para gastar dinheiro em coisas de que não precisávamos. Mas não desesperemos: chegou o eclipse”, escreveu.
Dos cromos do Mundial aos óculos para olhar para o Sol
Foi precisamente o negócio criado em torno do fenómeno astronómico que serviu de ponto de partida para uma das passagens mais bem-humoradas da publicação.
Tânia Laranjo reparou na disparidade dos valores praticados pelos óculos próprios para observar o eclipse e recuperou a febre dos cromos de futebol para estabelecer a comparação.
“Já há óculos a 10 euros, a 20 e até a 100. O negócio está montado. Antes eram os cromos: comprava-se uma carteirinha sem saber se saía o Ronaldo. Agora compram-se óculos sem saber se o Sol vai colaborar. A diferença é que os cromos davam para trocar. Estes, se correr mal, também dão – mas pela nossa visão”, ironizou.
Por detrás da brincadeira existe uma precaução séria: durante as fases parciais de um eclipse solar, a observação direta do Sol exige proteção ocular apropriada. A totalidade desta quarta-feira só atravessa uma área muito pequena de Portugal, no Parque Natural de Montesinho, enquanto no restante território continental o fenómeno é parcial, embora com níveis de ocultação muito elevados.
Rio de Onor entra na rota de Tânia Laranjo
A jornalista prosseguiu com uma explicação à sua maneira sobre aquilo que acontece no céu.
“O eclipse solar, para quem anda distraído, é aquele momento em que a Lua se mete entre a Terra e o Sol e lhe tapa a luz, total ou parcialmente. É, basicamente, a Lua a passar à frente do Sol sem ter pedido licença”, escreveu.
E, se é preciso escolher um destino para acompanhar o fenómeno, Tânia Laranjo não hesita em apontar para Trás-os-Montes.
“E, se é para ver o Sol desaparecer, que seja em grande. A melhor localidade para assistir ao espetáculo é Rio de Onor, em Bragança. Uma aldeia metade portuguesa, metade espanhola, que parece ter sido desenhada por alguém que não conseguiu decidir onde punha a fronteira”, brincou.
A escolha não é aleatória. A região de Bragança encontra-se no extremo português onde a ocultação do Sol é mais profunda e Rio de Onor está associada à zona privilegiada para acompanhar o acontecimento. A organização nacional do Eclipse 2026 identifica precisamente esta região como a única do país próxima da faixa de totalidade.
“No regresso ainda dá para ir a Espanha abastecer o depósito”
Rio de Onor permitiu ainda a Tânia Laranjo recuperar outra particularidade da aldeia fronteiriça e recordar a projeção que ganhou durante a pandemia.
“Na Covid, ficou famosa porque a fronteira continuou aberta. E compreende-se: fechar uma fronteira que atravessa uma aldeia deve dar uma trabalheira. É preciso explicar às pessoas de que lado estão, onde podem ir e, sobretudo, quem é que manda em quê”, observou.
O convite final manteve o mesmo tom da publicação, entre a expectativa pelo eclipse, a compra dos inevitáveis óculos e uma pequena escapadinha ao nordeste transmontano.
“Portanto, toca a comprar os óculos e a pôr Rio de Onor no GPS. Se o eclipse não for grande coisa, temos a aldeia. Se a aldeia não chegar, temos a desculpa para comprar os óculos. E no regresso ainda dá para ir a Espanha abastecer o depósito”, rematou Tânia Laranjo.
Entre ciência, turismo e um novo pequeno negócio criado em torno de um acontecimento raro, a jornalista encontrou assim matéria suficiente para olhar para o eclipse sem perder de vista aquilo que mais lhe despertou a atenção: a rapidez com que até alguns minutos de escuridão conseguem transformar-se numa oportunidade comercial.
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