Tânia Laranjo troca vontade de mudar o mundo por um sofá: “Finalmente encontrei o meu propósito”, afirmou nas redes.
Tânia Laranjo decidiu olhar para a passagem dos anos com ironia e acabou por resumir várias décadas de vida numa mudança de prioridades bastante concreta. Se aos 20 queria mudar o mundo, aos 50 a jornalista garante ter encontrado outro propósito: um sofá confortável, silêncio, um comando que não desapareça e algum dinheiro na conta bancária.
A reflexão foi partilhada esta sexta-feira, 14 de agosto, nas redes sociais, onde Tânia Laranjo percorreu diferentes fases da vida, começando pela confiança quase ilimitada que associa à juventude.
“Aos 20 eu queria mudar o mundo. Somos todos muito corajosos aos 20. Eu tinha opiniões sobre política, economia, relações humanas e, sobretudo, sobre assuntos dos quais não percebia absolutamente nada. Tinha soluções para tudo. Faltava-me apenas uma coisa: experiência. Felizmente, tinha confiança a mais, que é o substituto oficial.”
Dos grandes ideais ao IRS e às contas
A entrada na vida adulta não acabou imediatamente com a vontade de transformar tudo à sua volta. Aos 30, conta, essa ambição ainda existia, embora já tivesse de disputar espaço com responsabilidades bastante mais práticas.
“Aos 30 ainda queria mudar o mundo. Só que entretanto apareceu a vida adulta, esse projeto coletivo que ninguém nos explicou e para o qual não existe período experimental. Vieram o IRS, a renda, as contas e aquela fascinante experiência de trabalhar o mês inteiro para descobrir que o dinheiro já não está lá.”
Aos 40, a jornalista continuava com o mesmo propósito, mas já com menos paciência para enfrentar aquilo que descreve como a resistência permanente do próprio mundo à mudança.
“Aos 40 ainda queria mudar o mundo. Mas comecei a perceber que o mundo é como uma criança mimada: quanto mais lhe explicamos o que deve fazer, mais insiste em fazer exatamente o contrário. E eu comecei a ficar cansada de discutir com uma coisa com oito mil milhões de pessoas.”
“Não quero mudar o mundo. Quero um sofá”
É na chegada aos 50 que Tânia Laranjo coloca a maior mudança. A ambição tornou-se mais doméstica, mas não necessariamente menos importante.
“Agora estou nos 50. E sinto que finalmente encontrei o meu propósito. Não quero mudar o mundo. Quero um sofá. Não é um pedido simbólico. Quero mesmo um sofá. Confortável. Com espaço para me sentar sem ter de negociar com almofadas, mantas ou outras pessoas.”
E o sofá não vem sozinho. Na lista de exigências desta nova fase entram também pequenas conquistas do quotidiano que, vistas pela jornalista, passam a valer tanto como os grandes objetivos de outros tempos.
“Quero um comando. E quero que o comando permaneça no local onde o coloquei. Não quero participar numa caça ao tesouro patrocinada pela televisão. Quero silêncio. E algum dinheiro na conta bancária. Não preciso de ser rica. Quero apenas abrir a aplicação do banco e não ter de fazer primeiro uma preparação emocional.”
Entre a vontade de mudar o mundo e a vontade de simplesmente conseguir sentar-se em paz, Tânia Laranjo transformou assim a passagem do tempo numa reflexão bem-humorada sobre aquilo que muda quando a experiência começa a falar mais alto do que a urgência de ter respostas para tudo.
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