The Athletic analisa Jorge Jesus e o conflito com Ronaldo: “Não há meio-termo”

The Athletic analisa Jorge Jesus e o conflito com Ronaldo: “Não há meio-termo”, destacou o jornal britânico.

A publicação recuperou episódios do Benfica, Sporting e Flamengo para enquadrar a liderança do selecionador. Na sua análise, uma aproximação continuará dependente de concessões entre as partes.

O conflito entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus levou o The Athletic a revisitar o percurso do selecionador português. Num artigo dedicado ao treinador, a publicação defende que a polémica não deve apagar uma carreira marcada por títulos, exigência tática e uma conceção firme da autoridade.

“Ninguém, nem mesmo Cristiano Ronaldo, brinca com Jorge Jesus” é a ideia destacada no retrato.

O artigo começa por contestar uma eventual redução do percurso do técnico ao atual desentendimento: “Caso o atual selecionador de Portugal venha a ser recordado sobretudo como o homem que colocou um ponto final no percurso internacional do avançado de 41 anos, será uma visão redutora tanto dos acontecimentos recentes como do seu vasto currículo desportivo”.

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Ronaldo ainda não anunciou o fim da carreira internacional. A hipótese é colocada pela publicação no contexto da saída do estágio.

Exigência e autoridade como características da liderança

O The Athletic descreve Jesus como “exigente, meticuloso na tática e convicto dos seus princípios”, com uma liderança assente numa “autoridade inegociável”.

Para ilustrar essa postura, recupera a apresentação no Benfica, em 2009, quando o treinador prometeu: “Os jogadores vão jogar o dobro do que jogaram na época passada. E talvez até melhor do que isso”.

A publicação relata também um episódio do primeiro treino na Luz em que Jesus retirou a geleira de água e repreendeu atletas que tentaram ir aos balneários, apresentando-o como exemplo da forma como procurou impor as suas regras.

O balanço desportivo dessa passagem inclui três campeonatos, uma Taça de Portugal e cinco Taças da Liga, conquistados até 2015.

Flamengo ocupa lugar de destaque no retrato

A análise passa depois pelo Brasil, onde Jesus conquistou o campeonato e a Taça Libertadores ao serviço do Flamengo.

“Não é exagero dizer que o Brasil se apaixonou por Jesus”, escreve a publicação.

“As suas táticas — ousadas, intensas, modernas — deram origem a alguns dos melhores momentos de futebol que o país viu nos últimos anos. Os seus jogadores também o idolatravam, percebendo rapidamente que a sua obsessão pelos detalhes e pelo domínio dos treinos era algo de novo no futebol brasileiro”, acrescenta.

Confrontos anteriores ajudam a enquadrar o presente

O artigo recupera ainda declarações dirigidas a jogadores noutras fases da carreira. Sobre Carlos Martins, em 2012/13, Jesus afirmou: “Se eu o quisesse escolher, tê-lo-ia escolhido”.

Já no Sporting, em 2016, reagiu a palavras de Islam Slimani: “O que Slimani diz vale zero porque quem manda sou eu”.

Para o The Athletic, essa dimensão da personalidade do treinador não poderia ser desconhecida da Federação.

“Se a Federação Portuguesa de Futebol estava a contratar Jesus, o vencedor em série, ou Jesus, o visionário, sabia que também estava a contratar este Jesus. Na sua primeira conferência de imprensa, em julho, ele afirmou que ‘não terá medo de enfrentar ninguém’, uma frase que, na altura, suscitou alguma surpresa e que agora soa incrivelmente carregada de significado”, lê-se na análise.

Aproximação continua possível, considera a publicação

Na conclusão, o The Athletic apresenta uma leitura favorável à coerência do selecionador: “Se Jesus é culpado de alguma coisa, é apenas de se manter fiel aos seus princípios — e de defender o seu direito de o fazer em público”.

O artigo admite que “ainda poderá ser possível algum tipo de aproximação”, mas considera difícil uma solução em que nenhum dos envolvidos ceda.

“No entanto, será Ronaldo quem terá de ceder. Ou isso, ou Jesus acabará por sair. Para ele, não há meio-termo. Seria uma traição a tudo aquilo que ele acredita”, conclui a publicação, numa interpretação sobre o conflito, não num anúncio sobre o futuro do treinador.

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