Um abraço de amor entre Mariza e a sua cidade que esgotou o Campo Pequeno

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Um abraço de amor entre Mariza e a sua cidade que esgotou o Campo Pequeno

Um abraço de amor entre Mariza e a sua cidade que esgotou o Campo Pequeno, este sábado.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

Que noite! Mariza cantou para a sua cidade e deu um concerto absolutamente memorável na Praça de Touros do Campo Pequeno, na noite deste sábado, 4 de Novembro.

Casa cheia, público ávido de a ouvir e conhecedor da artista que ia ver, ouvir, sentir e aplaudir. Mariza entregou-se por completo a esse público e a noite tornou-se mágica, de inscritível beleza musical.

Acompanhada de orquestra e da sua banda, Mariza trouxe, ao Campo Pequeno, temas dos último disco, no qual homenageia Amália Rodrigues, mas também o repertório mais conhecido do seu percurso. Pelo meio, destaque ainda para temas cantados em castelhano (‘Alma’) e no dialeto brasileiro (‘Insensatez’) e uma homenagem a Cabo Verde (‘Beijo de Saudade’).

De vestido branco, que mais a frente deu lugar a um transparente e brilhante, Mariza aconchegou a alma e o coração dos seus fãs, com uma voz que soube usar em cada momento. O alinhamento foi eclético, com diferentes densidades emocionais e distintos ritmos.

Boa noite, Campo Pequeno.
Ai que bom cantar na minha cidade. Obrigado por terem vindo, é um prazer receber-vos.
Esta orquestra maravilhosa, que trará alguns temas do meu último disco, numa homenagem à única e inesquecível Amália Rodrigues
“, começou por dizer, após os primeiros dois temas (‘Estranha Forma de Vida’ e ‘Com que Voz’).

Vamos agora a uma coisa mais leve, também do repertório de Amália Rodrigues“, acrescentou, referindo-se ao tema ‘Cravos de papel’.

A noite que estava fria na rua, mas aquecia cada vez mais dentro da sala com a voz de Mariza a emocionar um público absolutamente de sonho.

Um público que cantou quando tinha de cantar, que aplaudiu quando tinha de aplaudir (quase sempre de forma bastante sonora) e que criou ambiente quando os temas isso pediam (as lanternas dos telemóveis deram um efeito visualmente bonito em duas ou três músicas que apelavam mais à emoção).

Mariza lembrou Carlos do Carmo, de quem tem muitas saudades, ao anunciar o tema ‘Gaivota’ e que mais à frente dedicou ‘Foi Deus’ à sua mãe, que estava na plateia, por ter sido o tema no disco que mais gostou.

Numa noite de confidências e bastante comunicação com a assistência, a cantora lembrou que “nasci numa ex-colónia de Portugal, Moçambique. A minha mãe é moçambicana, o meu pai é português. Desde sempre que na minha música, Africa esteve sempre muito presente. Este tema vem de Cabo Verde, ‘Beijo de Saudade’“.

No equador do espectáculo, tempo para alguns temas mais conhecidos como ‘Meu Fado Meu’ ou ‘Quem me dera’, intercalados pela ‘Alma’ cantada em castelhano.

No momento mais íntimo do concerto, revelou que “esta é uma tentativa de eu ficar mais próxima de vocês“. Assim, num momento impactante, cantou os temas ‘Chuva’, ‘Meus olhos que por alguém’, ‘Há palavras que nos beijam’ e ‘Ouça lá Ó Senhor Vinho’ numa versão acústica, acompanhada por Filipe Ferreira (em ‘Chuva’) na viola, a quem se juntou Luís Guerreiro na guitarra portuguesa, nos temas seguintes. Em ‘Chuva’, cantou mesmo sem microfone grande parte do tema.

Venho a imaginar este concerto há muito tempo. Durmo muito poucas horas por noite. Imagino concertos, escrevo letras, escrevo prosa. Escrevo cartas que nunca vou enviar a ninguém“, desvendou, antes de cantar um tema escrito por si, ‘Oração’, acrescentando que provavelmente muito poucas vezes voltará a cantar um tema da sua autoria, porque isso lhe provoca maior dor.

Nesta fase que estamos a viver, há uma coisa que tem de prevalecer no ser humano: o amor“, disse, em referência à pandemia, antes de interpretar o ‘Melhor de Mim’.

Além da orquestra, Mariza contou com Phelipe Ferreira na viola, Luís Guerreiro na guitarra portuguesa, João Frade no acordeão, Adriano Alves no baixo e João Freitas na percussão.

A parte final do espectáculo contou com ‘Verde Limão’, ‘Amor Perfeito’, ‘Rosa Branca’, ‘Maria Lisboa’ e ‘Ó Gente da Minha Terra’, porém o público queria mais e “obrigou” a artista a encore.

‘Insensatez’ e ‘Barco Negro’ remataram com chave de ouro uma noite memorável de Mariza na sua cidade, como tanto gosta de se referir a Lisboa. E a cidade mostrou estar de braços e coração aberto para receber a Arte de Mariza.

Mariza actua, este domingo, na Super Bock Arena- Pavilhão Rosa Mota, no Porto.

Alinhamento:

Estranha Forma de Vida
Com que voz
Cravos de papel
Lágrima
Gaivota
Foi Deus
Beijo de saudade
Fado meu Fado
Alma
Quem me dera
Chuva
Meus olhos que por alguém
Há palavras que nos beijam
Ouça lá Ó Senhor Vinho
Oração
Melhor de Mim
Verde Limão
Amor Perfeito
Rosa Branca
Maria Lisboa
Ó Gente da Minha Terra

Insensatez
Barco Negro