Vitorino no Teatro Variedades: Tradição, Resistência e Emoção

Vitorino no Teatro Variedades: Tradição, Resistência e Emoção foram as notas dominantes num belo espectáculo.

Texto: Rui Lavrador / Fotografias: Carlos Pedroso

Na noite de 4 de Março, o Teatro Variedades, em Lisboa, encheu-se para receber Vitorino, num espetáculo que revisitou algumas das mais marcantes canções da sua carreira.

Assim, com uma plateia atenta e emocionada, o cantor alentejano percorreu um alinhamento cuidadosamente escolhido, onde tradição, resistência e lirismo se entrelaçaram.

O concerto teve início com “Fado Alexandrino”, transportando de imediato o público para o universo singular de Vitorino. Seguiram-se “Alentejanas e Amorosas” e “Pontinha por ti”, temas que reforçaram o seu vínculo inquebravel à cultura popular e às sonoridades da terra que o viu nascer.

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“Circo” trouxe uma atmosfera lúdica, antes de “Cravos Vermelhos”, de Florbela Espanca, levar-nos à luta pela liberdade, um tema recorrente ao longo do espetáculo.

Seguidamente, a irreverência e o espírito crítico estiveram bem presentes em “Não sei do que é que se trata, mas não concordo”, arrancando sorrisos cúmplices do público.

O concerto prosseguiu com “Redondo Vocábulo”, por Janita Salomé, numa interpretação carregada de emoção. “Fado da Liberdade Livre” e “Poema” reforçaram a dimensão poética e interventiva do repertório, antes de “Cão Negro” transportar os ouvintes para paisagens mais sombrias e introspectivas.

E com a ‘Menina estás à Janela’, “vou-me embora”

Um dos momentos altos da noite foi a homenagem a Carlos Paredes, onde a acordeonista Inês Vaz interpretou duas peças em tributo ao mestre da guitarra portuguesa. O público escutou em silêncio, rendido à beleza e à intensidade do momento.

De regresso à voz de Vitorino, “Fado da Prostituta da Rua de Santo António da Glória” e “Ana II” trouxeram histórias de vida e de resistência, enquanto “Corto Maltese” antecedeu uma parte final extraordinária.

À medida que a noite avançava, “A Morte sai à rua” e “Queda do Império” trouxeram um tom mais grave e político, sublinhando a marca de intervenção que sempre caracterizou a obra de Vitorino.

Contudo, foi com “Menina Estás à Janela” e “Vou-me Embora” que o espetáculo se despediu, num final nostálgico e envolvente.

Acompanhado pelos talentosos músicos Tomás Pimentel, Paulo Gaspar, Sérgio Costa, Carlos Salomé, Rui Alves e Inês Vaz, Vitorino provou mais uma vez a sua mestria em fundir o fado, a música tradicional e a canção de intervenção.

Um concerto que ficará certamente na memória de todos os presentes.

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