Sofia Aparício recorda prisão em Israel: “Fui sequestrada, revistada aos pontapés e metida numa jaula”

Sofia Aparício recorda prisão em Israel: “Fui sequestrada, revistada aos pontapés e metida numa jaula”, disse.

A atriz esteve no programa “Dois às 10” e falou sobre a experiência em Gaza

Sofia Aparício esteve esta terça-feira, 14 de outubro, no programa “Dois às 10”, da TVI, onde partilhou com Cristina Ferreira e Cláudio Ramos os momentos vividos na flotilha humanitária para Gaza, que acabou por ser intercetada pelo exército israelita.

Logo no início da conversa, a atriz lamentou profundamente não ter conseguido cumprir o objetivo da missão.
“Tive esperança até ao dia anterior à nossa interceção.”, confessou.


“Eu não consigo ficar sentada no sofá a ver”

Durante a entrevista, Sofia Aparício explicou que foi convidada a integrar a missão e que não hesitou em aceitar.

“Oh Cristina, eu vou porque eu não consigo ficar sentada no sofá a ver (…). É um genocídio, nós vemos crianças a ser mortas, estropiadas, a ser amputadas a sangue frio no nosso feed e na televisão e se me é dada oportunidade de fazer uma coisinha mais, eu não consigo dizer que não.”, afirmou, emocionada.

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A atriz admitiu ainda ter sentido medo, mas garantiu que o pânico nunca a paralisou.
“Eu, em situações de stress, fico muito calma (…). Foi um mês de stress no barco com os drones a voarem por cima (…) que culminou numa semana de muitíssimo mais stress, numa prisão israelita… As pernas só me começaram a tremer em Portugal.”, revelou.


“Um rapaz ao meu lado foi espancado só porque sim”

Ao recordar os dias em que esteve presa em Israel, Sofia Aparício relatou com detalhes o momento em que foi capturada.

“Cheguei ao porto, fui atirada contra o chão, fiquei imenso tempo naquela posição (…), um rapaz ao meu lado foi espancado só porque sim e eu não pude fazer nada. (…) É uma frustração e um sentimento de impotência muito grande e de raiva.”, partilhou.

A atriz denunciou também a forma como foi tratada pelas autoridades israelitas, descrevendo o que viveu como “tortura”.

“Eu fui sequestrada e o meu barco foi intercetado em águas internacionais, são dois crimes ao abrigo da lei internacional, eu não cometi crime nenhum. Mas lá fui, passar pelo processo de emigração, sempre aos empurrões, revistaram-me aos pontapés, aos gritos connosco (…). Arrancaram-me um casaco, meteram-me numa carrinha de transporte de presos, meteram-me numa caixinha pequenina com uma companheira com o ar condicionado no máximo de frio, foram 4 horas de tortura. Chegámos à cadeia e meteram-nos numa jaula.”, relatou.

Sofia Aparício acrescentou ainda que, durante este processo, foi insultada pelo ministro israelita Itamar Ben-Gvir.


“Eu temi pela minha vida sim”

Confrontada por Cristina Ferreira sobre se chegou a temer pela vida, a atriz respondeu de forma sincera.
“Eu temi pela minha vida sim, mas é essa coisa de… Eu tive uma mira apontada à cabeça, eu temi pela minha vida mas é sempre no momento a seguir à coisa estar a acontecer porque nós temos instintos de sobrevivência e o meu funciona assim, eu não sabia que ia funcionar assim numa situação tão extrema.”, confessou.


“Eu nunca procurei likes, não gosto da atenção mediática”

Além de recordar os momentos mais duros, Sofia Aparício respondeu também às críticas que recebeu após a sua participação na flotilha.

“Se essas pessoas estão dispostas a correr o risco de se encontrar com o exército mais sádico do mundo para ter likes e para aparecer, que vão, eu não! Eu nunca procurei likes, eu não gosto da atenção mediática, recebo-a bem porque normalmente é reconhecimento pelo trabalho.”, afirmou.

Por fim, a atriz elogiou a coragem de Mariana Mortágua, que também integrou a missão, e garantiu que esta não foi a sua primeira experiência humanitária, deixando claro o seu compromisso com causas sociais.

Veja a publicação AQUI.

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