Helena Sacadura Cabral reflete sobre “A Linguagem do Silêncio”: “Ele fala onde as palavras falham”, assinalou.
Uma reflexão sobre o poder de não dizer
A escritora Helena Sacadura Cabral voltou a emocionar os seus seguidores nas redes sociais com um texto profundo e poético intitulado “A Linguagem do Silêncio”.
Numa era dominada pelo ruído e pela pressa, a autora convida à pausa, à escuta e à redescoberta da força que existe no não dito.
Logo nas primeiras linhas, Helena redefine o conceito de silêncio, recusando a ideia de ausência.
“O silêncio, muitas vezes visto como ausência de som, é, na verdade, uma forma poderosa de comunicação. Ele fala onde as palavras falham, revela o que o discurso tenta esconder e expressa sentimentos que a voz não alcança.”
“A linguagem do silêncio é universal”
Com a elegância habitual da sua escrita, Helena Sacadura Cabral lembra que o silêncio não conhece fronteiras nem barreiras culturais.
“A linguagem do silêncio é universal: atravessa fronteiras, culturas e épocas, sendo compreendida por todos, ainda que de maneiras diferentes.”
A autora vai mais longe e explica as diferentes dimensões do silêncio.
Em alguns momentos, ele representa respeito; noutros, é protesto ou cumplicidade.
“Em certas situações, o silêncio é respeito — diante da dor, da morte ou de uma revelação profunda. Em outras, é protesto — quando a palavra seria inútil ou seria abafada pelo ruído da incompreensão. Pode ser também cumplicidade, como o olhar silencioso que une dois amigos, ou amor, como o gesto tranquilo que diz mais que mil declarações.”
“Há silêncios impostos, nascidos do medo”
Helena alerta, no entanto, para o lado mais sombrio do silêncio: aquele que é imposto e não escolhido.
“Há silêncios impostos, nascidos do medo, da censura ou da indiferença. Nesses casos, ele deixa de ser escolha e torna-se prisão, um espaço onde a voz humana é negada.”
Assim, a autora defende a importância de distinguir entre o silêncio que comunica e o que oprime.
“É preciso, então, aprender a distinguir o silêncio que comunica, do silêncio que cala.”, sublinha.
“Saber usar o silêncio é uma arte”
Para Helena Sacadura Cabral, compreender o silêncio é uma habilidade rara num mundo cada vez mais barulhento e apressado.
“Saber usar o silêncio é uma arte. Ele exige sensibilidade e escuta atenta. Num mundo saturado de ruídos e opiniões, o silêncio pode ser um refúgio, uma pausa necessária para que o pensamento floresça.”
E, como conclui a autora, é no silêncio que as palavras ganham o seu verdadeiro valor.
“É nele que as palavras ganham sentido, pois é o silêncio que as antecede e as sucede.”
“Nem sempre é o que se diz que importa”
O texto termina com uma reflexão sobre a essência da comunicação humana e a importância do que fica por dizer.
“Assim, compreender a linguagem do silêncio é compreender a essência da comunicação humana. Porque nem sempre é o que se diz que importa — mas o que se cala, e como se cala.”
