Helena Sacadura Cabral fala sobre maturidade e silêncio: “Responder a tudo é cansativo”, afirmou a escritora.
Helena Sacadura Cabral voltou a recorrer às redes sociais para deixar uma reflexão sobre comportamentos que se aprendem com o passar do tempo. Desta vez, a escritora centrou-se no silêncio e na capacidade de perceber que nem todas as palavras precisam de ser ditas, nem todas as provocações exigem resposta.
Sob o título Aprender a estar calado, Helena Sacadura Cabral começa por afastar a ideia de que o silêncio representa falta de argumentos. Para a escritora, pode ser precisamente o contrário.
“Há momentos na vida em que precisamos de aprender a estar calados. Não porque não tenhamos nada para dizer, mas porque percebemos que nem tudo merece uma resposta, uma explicação ou uma discussão. O silêncio é uma forma de inteligência. É saber ouvir antes de falar, observar antes de julgar e pensar antes de reagir.”
O silêncio como forma de respeito
Na reflexão, Helena Sacadura Cabral chama também a atenção para as consequências de determinadas palavras, sobretudo quando são ditas no momento errado. É nesse ponto que associa o silêncio ao respeito pelo outro e pelaquilo que cada pessoa está a viver.
“Muitas vezes, uma palavra dita no momento errado pode ferir mais do que imaginamos, enquanto o silêncio pode evitar conflitos que jamais precisariam de existir. Aprender a estar calado é também aprender a respeitar. Respeitar o espaço do outro, as suas dores, as suas escolhas e até os seus silêncios. Nem sempre precisamos de aconselhar, corrigir ou mostrar que temos razão. Às vezes, a maior prova de carinho é, simplesmente, permanecer ao lado de alguém, sem exigir palavras.”
A maturidade atravessa grande parte do texto. Para Helena Sacadura Cabral, chega uma altura em que a necessidade permanente de explicar decisões, comportamentos ou até a própria identidade começa a perder importância.
“Há, ainda, um silêncio que nasce da maturidade. É aquele que surge quando deixamos de sentir necessidade de justificar quem somos. Quem nos conhece verdadeiramente não precisa de explicações; quem decidiu não nos compreender, dificilmente será convencido por elas.”
“Discutir tudo é uma forma de perder paz”
É precisamente nessa aprendizagem que a escritora coloca uma das ideias mais fortes da publicação. Com o passar do tempo, defende, também se aprende a perceber quais são as discussões que verdadeiramente merecem ser travadas.
“Com o tempo, aprendemos que responder a tudo é cansativo, explicar tudo é desnecessário e discutir tudo é uma forma de perder paz. Então começamos a escolher as nossas batalhas, a guardar certas palavras e a compreender que o silêncio também pode ser uma resposta digna.”
Helena Sacadura Cabral faz, no entanto, uma distinção importante. Estar em silêncio não deve ser confundido com indiferença ou ausência de coragem. Há momentos em que falar continua a ser necessário, enquanto noutros a escolha de não responder pode revelar maior ponderação.
“Mas estar calado não significa ser indiferente. Significa saber quando falar e, sobretudo, quando não falar. Porque há silêncios que são cobardia, mas há outros que são sabedoria.”
A reflexão termina precisamente com a relação entre silêncio, maturidade e paz interior: “Aprender a estar calado é aprender a escutar o mundo, os outros e, principalmente, a nós próprios. Aprender a estar calado é, talvez, uma das maiores conquistas da maturidade: não sentir necessidade de responder a tudo o que nos incomoda. Às vezes, o silêncio não é ausência de palavras. É presença de paz!”
