Pedro Chagas Freitas partilha texto poderoso sobre libertação e identidade feminina, através das redes sociais.
Um texto que nasce da revolta e da resistência
Pedro Chagas Freitas voltou a marcar presença nas redes sociais com um texto de forte carga emocional. O escritor partilhou um poema em verso livre que aborda temas como anulação pessoal, relações de controlo e a recuperação da identidade.
A publicação rapidamente gerou impacto, pela crueza da linguagem e pela mensagem de libertação que atravessa todo o texto.
Uma mulher que tentou sobreviver ao silenciamento
No texto divulgado, Pedro Chagas Freitas constrói o retrato de uma mulher que tentou adaptar-se, diminuir-se e caber num amor que exigia menos de quem ela era. A narrativa percorre o desgaste emocional, a submissão e a perda progressiva de si própria.
O autor escreve, sem filtros:
“ela tentou.
fod@-se, ela tentou.
pendurou as asas no cabide,
vestiu o avental emocional,
aprendeu a cozinhar silêncios
a engolir vontades com vinho barato.
ele dizia:
‘senta.’
e ela sentava.
‘não faças barulho.’
e ela tornava-se sussurro.
‘não sejas tanto.’
e ela amputava pedaços do peito
como quem corta unhas.
queria ser amada
mas o amor que nos pede menos
é uma forma bonita de morrer devagar.”
A metáfora da prisão emocional
Ao longo do texto, a metáfora das asas e da gaiola ganha força. A mulher, descrita como borboleta, tenta transformar-se em algo menor para caber na vida que lhe foi imposta.
O poema prossegue:
“era borboleta, car@lho.
quis ser canário de sala.
ficar ali,
presa,
no poleiro emocional de um idiota
que não sabia a diferença
entre cuidar e possuir.”
A narrativa sublinha a confusão entre amor e controlo, entre cuidado e posse.
O momento da rutura e da fuga
A viragem acontece quando a personagem se apercebe de que ainda não perdeu tudo. As asas permanecem. O gesto final é simples, mas definitivo.
Pedro Chagas Freitas escreve:
“tentou sorrir com os olhos secos,
tentou fazer da gaiola um lar,
tentou fazer da prisão uma escolha.
um dia,
ao limpar o chão dos restos do que já não era,
sentiu cócegas nas costas:
as asas ainda estavam lá.
fumou um cigarro,
bebeu um gole,
pensou:
que se fod@.
abriu a janela,
voou sem destino,
nunca mais pediu licença para ser.”
Ligação à obra literária
No final da publicação, o escritor assina o texto e faz referência direta à sua obra. O poema surge associado ao livro O Hospital de Alfaces, atualmente disponível em livrarias e hipermercados.
Com esta partilha, Pedro Chagas Freitas volta a usar as redes sociais como espaço de intervenção emocional e literária, dando voz a temas como liberdade, identidade e reconstrução pessoal.
Veja a publicação AQUI.
