Comprar casa em Portugal exige cada vez mais poupança inicial: Imovirtual revela que entrada é o maior obstáculo para as famílias

Comprar casa em Portugal exige cada vez mais poupança inicial: Imovirtual revela que entrada é o maior obstáculo para as famílias, assinalou.

Estudo aponta subida generalizada dos preços da habitação

O acesso à compra de casa está mais difícil em Portugal. Sobretudo no primeiro passo. A conclusão resulta de uma análise divulgada pelo Imovirtual, que relaciona a valorização dos imóveis com o montante exigido para a entrada inicial.

De acordo com o comunicado, o aumento dos preços médios entre 2024 e 2025 agravou o esforço financeiro. Além disso, as diferenças entre regiões continuam bastante acentuadas.

Entrada de 20% trava muitos compradores

Antes de mais, o entrave surge logo no início do processo. A maioria dos bancos financia apenas 80% do valor do imóvel.

Consequentemente, os compradores precisam de reunir cerca de 20% do preço total. Esse valor transforma-se numa barreira significativa para muitos agregados.

No comunicado, a plataforma explica:

“O maior obstáculo à compra de casa em Portugal surge logo no primeiro passo do processo: o valor necessário para a entrada inicial. A análise dos dados do Imovirtual mostra que o aumento dos preços médios da habitação entre 2024 e 2025 agravou o esforço financeiro exigido aos compradores, com diferenças muito acentuadas entre territórios.

O esforço inicial exigido aos compradores é frequentemente superior ao cenário teórico, já que a maioria das instituições bancárias em Portugal financia até 80% do valor do imóvel. Esta realidade faz com que, para muitos agregados, seja necessário reunir cerca de 20% do preço de compra logo à partida, reforçando a entrada como o principal obstáculo no acesso à habitação.

Entre 2024 e 2025, o preço médio de venda registou uma valorização expressiva no conjunto dos territórios analisados (distritos do Continente e Regiões Autónomas), com subidas em 25 dos 29 e uma variação média próxima dos 38%. Esta evolução traduziu-se num aumento direto dos montantes necessários para a entrada, tornando o acesso à compra mais exigente logo à partida.

Em Lisboa, o preço médio de venda passou de 514.500 euros em 2024 para 644.000 euros em 2025, um aumento de 25,2%. Neste contexto, uma entrada de 20% exige hoje cerca de 128.800 euros, mais 25.900 euros do que no ano anterior. Também em Faro, o preço médio subiu de 445.100 euros para 535.000 euros (+20,2%), elevando a entrada a 20% para 107.000 euros, enquanto em Setúbal o valor médio aumentou 18,4%, fixando a entrada nos 91.990 euros.

No Porto, apesar de um crescimento mais moderado (+9,7%), o preço médio passou para 401.500 euros, exigindo uma entrada de 80.300 euros, mais 7.086 euros face a 2024. Em distritos como Aveiro, Braga e Leiria, a tendência é semelhante, com aumentos consistentes que tornam o esforço inicial progressivamente mais elevado.

Em contraste, alguns territórios do interior continuam a apresentar valores de entrada mais acessíveis. Em Castelo Branco, o preço médio subiu 6,7%, fixando-se nos 91.250 euros, o que corresponde a uma entrada de 18.250 euros no cenário de 20%. Na Guarda, a valorização foi de 8,5%, com uma entrada próxima dos 19.700 euros. Bragança surge como exceção, ao registar uma ligeira descida de 4,6%, reduzindo o valor exigido para a entrada para 22.900 euros.

Nas Regiões Autónomas, a evolução foi mais heterogénea. A Ilha da Madeira registou uma subida de 20,1%, com o preço médio a atingir 582.500 euros, o que implica hoje uma entrada de cerca de 116.500 euros no cenário de 20%. Em São Miguel, o aumento foi ainda mais expressivo (+33,6%), elevando o preço médio para 392.500 euros e o valor de entrada para 78.500 euros, refletindo um agravamento significativo do esforço inicial exigido aos compradores. Já na Ilha Terceira, a valorização foi mais contida (+4,3%), com o preço médio a situar-se nos 182.500 euros e uma entrada próxima dos 36.500 euros, mantendo um nível de esforço relativamente estável face ao ano anterior.

Segundo Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, “os dados mostram que o principal entrave à compra de casa surge cada vez mais cedo no processo, no valor necessário para a entrada inicial. Com os bancos a exigirem, em regra, cerca de 20% de capital próprio, qualquer aumento do preço médio traduz-se num esforço imediato para as famílias. Medidas como o financiamento jovem a 0% de entrada podem aliviar este impacto para alguns perfis, mas a realidade é que, para a maioria dos compradores, o desafio continua a estar em conseguir dar o primeiro passo.”

No conjunto, esta análise evidencia que o aumento do preço médio da habitação tem um impacto direto e imediato na capacidade de compra das famílias, aprofundando as diferenças territoriais e tornando a decisão de comprar casa cada vez mais dependente da capacidade de reunir capital próprio. Mais do que o preço final do imóvel, é o valor da entrada que hoje define quem consegue — ou não — dar o primeiro passo no mercado da habitação.”

Litoral mais caro, interior mais acessível

Por outro lado, os números mostram um contraste evidente entre regiões. Lisboa, Faro, Setúbal e Porto exigem entradas bastante elevadas. Já alguns distritos do interior apresentam valores mais baixos.

Assim, o local de compra torna-se decisivo. Em muitos casos, é o montante inicial que determina se a aquisição é possível.

Diferenças regionais continuam a marcar o mercado

Entretanto, nas Regiões Autónomas, a evolução foi desigual. A Madeira e São Miguel registaram subidas expressivas. Em contrapartida, a Ilha Terceira manteve maior estabilidade.

Em suma, o estudo aponta para uma tendência clara. A dificuldade não está apenas no preço final da casa. Está, sobretudo, no capital próprio necessário logo à partida.

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