Pedro Chagas Freitas emociona com “Carta aos pais que não fazem ideia do que estão a fazer”, nas redes sociais.
Autor assume dúvidas e fragilidades na parentalidade em texto partilhado nas redes sociais
O escritor Pedro Chagas Freitas voltou a gerar forte reação nas redes sociais com um texto intitulado “Carta aos pais que não fazem ideia do que estão a fazer”. Na publicação, o autor aborda a insegurança, a culpa e o esforço constante associados à parentalidade.
Desde o primeiro parágrafo, a identificação é imediata. O escritor coloca-se no mesmo plano de quem lê.
“Eu também não sei. Eu também sei o que sentem.”
O peso do silêncio e da dúvida
De seguida, descreve sensações comuns a muitos pais. O silêncio da casa, a revisão mental do dia e a dúvida persistente surgem como elementos centrais.
“Conheço o nó no estômago quando a casa fica em silêncio, conheço a revisão obsessiva do dia, a necessidade de voltar atrás e de editar o que já foi dito, a dúvida constante, subterrânea: estarei a fazer mal sem perceber?”
Logo depois, reforça a incerteza que atravessa o texto.
“Eu não sei o que estou a fazer.”
Lutar contra heranças e padrões
Além disso, Pedro Chagas Freitas admite que a parentalidade implica enfrentar padrões antigos. A herança emocional e os erros repetidos tornam-se parte do processo.
“Estou a lutar contra a minha própria herança. Falho mais do que gostaria de admitir. Falho porque estou cansado, ou preocupado com coisas que ele não conhece.”
Consequentemente, surge a culpa. Uma culpa descrita como silenciosa e constante.
“Depois vem a culpa.”
E acrescenta:
“É uma culpa quieta, persistente. Acho sempre que podia ter sido maior, melhor. E podia. Podia mesmo, todos podemos. Obrigo-me a ler, a procurar, a perguntar, a tentar perceber o que é uma criança para além da minha projecção. Obrigo-me a interromper padrões, a reconhecer quando repito erros, a ter a coragem de não os repetir de novo, a ter a coragem de não me repetir de novo.”
Um exercício permanente de revisão
Entretanto, o autor assume-se como alguém em transformação contínua. A ideia de revisão constante atravessa o testemunho.
“Sou um exercício contínuo de revisão.”
Mais à frente, detalha essa postura de mudança e aprendizagem.
“Revejo-me. Revejo o dia, as palavras. Peço desculpa quando é preciso, explico melhor, ouço mais, fico desconfortável. Mudo. Há noites em que me sinto de rastos. No dia seguinte, levanto-me. Ele continua ali, a confiar em mim. Ele merece uma versão de mim que evolui, que corrige, que tenta, que olha para a fragilidade, para a insuficiência.”
“O erro não pode ser uma tradição”
Por outro lado, deixa uma frase que sintetiza a mensagem central do texto.
“O erro não pode ser uma tradição.”
Assim, o escritor reafirma a consciência das próprias limitações, mas também a determinação em evoluir.
“Eu sou um pai que não faz ideia do que está a fazer.”
Por fim, encerra com uma ideia de crescimento pessoal como caminho para uma melhor parentalidade.
“Estudo-me, estudo. Continuo a aprender a ser uma pessoa melhor. Acho que é a melhor maneira de aprender a ser o pai que ele precisa de ter.”
Desta forma, a “Carta aos pais que não fazem ideia do que estão a fazer” transforma vulnerabilidade em ponto de encontro. Um retrato honesto das dúvidas de muitos pais, que reforça a ligação entre Pedro Chagas Freitas e os seus leitores.
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