Anselmo Crespo critica Portugal “paradoxal” e alerta para a falta de ambição económica

Anselmo Crespo critica Portugal “paradoxal” e alerta para a falta de ambição económica, na MC News.

Anselmo Crespo deixou uma reflexão dura sobre o caminho económico e social do país. Num texto publicado no portal MC News, o diretor de novos conteúdos da TVI/CNN Portugal apontou contradições na forma como Portugal olha para o sucesso, para o crescimento e para quem tenta romper bloqueios estruturais.

A análise parte de uma ideia central: o país quer melhores resultados, mas continua preso a uma cultura que, segundo o responsável, desconfia da ambição e raramente valoriza quem arrisca.

Um país que quer sucesso, mas desconfia dele

Na reflexão, Anselmo Crespo começa por sublinhar aquela que considera uma das maiores contradições nacionais.

“Portugal é um país paradoxal em muitas dimensões, mas uma das mais evidentes é esta: lamenta-se por não ser mais bem sucedido ao mesmo tempo que alimenta algum desdém pelo sucesso. Somos um país exportador de talento, mas insistimos em nivelar-nos por baixo na ambição de maior produtividade, salários mais altos e de crescimento económico. Há quem lhe chame o fado português. Eu prefiro chamar-lhe a irresponsabilidade de quem não pensa no futuro“, escreveu.

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Assim, o responsável da TVI/CNN Portugal rejeita a ideia de fatalismo nacional. Para Anselmo Crespo, o problema não está apenas nas circunstâncias, mas na falta de visão de longo prazo.

Debates que não saem do mesmo lugar

Depois, o jornalista e responsável editorial aponta para a repetição dos grandes temas nacionais. Reforma do Estado, leis laborais, impostos e crescimento económico continuam, segundo o próprio, presos num ciclo sem avanço real.

“O tempo vai passando e os debates nacionais não saem do mesmo sítio. É a reforma do Estado, são as leis do trabalho, é a carga fiscal elevada, o fraco crescimento económico, o país parece condenado a correr nesta roda de hamster, sem nunca sair do mesmo sítio. Há uma aversão ao risco, um receio permanente de dar liberdade às empresas e aos cidadãos para investirem e crescerem”, defendeu.

A imagem escolhida é forte: Portugal corre, mas não sai do mesmo ponto. E, na leitura de Anselmo Crespo, essa estagnação acaba por bloquear empresas, cidadãos e investimento.

Quem rompe bloqueios torna-se alvo

Além das críticas ao sistema, Anselmo Crespo foca-se também na forma como o país reage a quem tenta fazer diferente.

Para o diretor de novos conteúdos da TVI/CNN Portugal, existe uma tendência para atacar quem rompe com a norma, em vez de reconhecer mérito.

“Quem se atreve a romper estes bloqueios torna-se, normalmente, um alvo. Em vez de ser um exemplo. De como neste país se podia fazer muito mais, crescer e distribuir riqueza de outra forma“, apontou.

Esta é uma das ideias mais fortes do texto. O sucesso, em vez de servir como inspiração, acaba muitas vezes tratado com suspeita.

Falta escala, investimento e visão

Por fim, Anselmo Crespo liga esta mentalidade à estrutura empresarial portuguesa. O responsável lembra que o país continua dominado por micro, pequenas e médias empresas, com poucas grandes organizações.

Ainda assim, reconhece que existem exceções relevantes, capazes de competir dentro e fora de Portugal.

“Não admira por isso que Portugal continue a ser um país de micro, pequenas e médias empresas e que o número de grandes empresas seja, ainda, muito diminuto. Falta-nos escala, falta-nos investimento, falta-nos reduzir os custos de contexto e falta-nos, muitas vezes, visão. As exceções vão, ainda assim, confirmando a regra. Mesmo num contexto adverso, Portugal vai tendo vários exemplos de grandes empresas que conseguem ser competitivas cá dentro e lá fora, com gestão portuguesa, na maioria dos casos. É a esse mérito que a CNN Portugal se associa há vários anos, como parceira dos IRGAwards da Deloitte. Porque também nós, na CNN Portugal, ambicionamos o sucesso. O nosso, mas, sobretudo o do país”, concluiu.

Desta forma, Anselmo Crespo termina a reflexão com uma nota de ambição. A CNN Portugal surge associada ao reconhecimento de empresas que contrariam o cenário adverso e provam que o país pode ir mais longe.

No fundo, a mensagem é clara: Portugal tem talento, exemplos e capacidade. Mas, para crescer, precisa de deixar de olhar para o sucesso como ameaça.

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