Paulo Salvador avança para a justiça contra o “Conta Lá” por salários em atraso: “Não podia estar a trabalhar mais meses sem receber”

Paulo Salvador avança para a justiça contra o “Conta Lá” por salários em atraso: “Não podia estar a trabalhar mais meses sem receber”, afirmou.

Paulo Salvador avançou com um procedimento de injunção contra o projeto televisivo “Conta Lá”, liderado por Sérgio Figueiredo, para reclamar remunerações que, segundo o próprio, ficaram por pagar durante seis meses.

O jornalista, que integrou a equipa do programa como um dos seus principais rostos, confirmou que decidiu abandonar o projeto depois de considerar que deixaram de existir condições para continuar. Entretanto, sabe-se que não será caso único, uma vez que outros trabalhadores também terão recorrido aos tribunais para reclamar valores em dívida.

Jornalista explica porque decidiu abandonar o projeto

Em declarações ao Correio da Manhã, Paulo Salvador explicou que a decisão surgiu apenas depois de vários meses a tentar manter a colaboração.

“Deixei o ‘Conta Lá’ porque deixei de ter condições para continuar uma vez que alguns dos pressupostos contratuais não foram cumpridos.”

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Depois, detalhou que procurou prolongar o seu envolvimento o máximo possível, mas que a situação acabou por se tornar insustentável.

“Tentei ajudar o mais possível durante o maior tempo.”

Contudo, quando percebeu que o incumprimento se mantinha, optou por sair.

“A partir do momento em que entrámos em regime de não cumprimento resolvi que já não fazia sentido continuar. Enquanto colaborador havia uma remuneração devida que não me foi paga durante demasiado tempo. Não podia estar a trabalhar mais meses sem receber.”

O jornalista não revelou o montante que reclama na ação judicial.

“Acreditei que havia condições”

A ação surge numa altura em que o canal enfrenta um contexto financeiro delicado. Segundo várias fontes citadas no texto de base, existirão alegadas dívidas superiores a dois milhões de euros.

Ainda assim, Paulo Salvador fez questão de separar a sua função enquanto colaborador das questões relacionadas com a gestão financeira.

“A parte da gestão financeira é algo que ultrapassa as minhas funções enquanto colaborador, mas acreditei no início que havia todas as condições para avançar. Depois bati de frente com a realidade.”

Projeto continua a merecer reconhecimento

Apesar da forma como terminou a colaboração, Paulo Salvador garante que a ideia do projeto nunca deixou de fazer sentido para si.

Na sua perspetiva, o “Conta Lá” demonstrou que existe espaço para um modelo de televisão mais próximo das populações e das regiões.

“Não me sinto enganado pelo projeto, na medida em que eu acho que ele veio mostrar, ainda que com maus resultados, que há espaço para caminhar no que é que uma televisão mais próxima das pessoas e das regiões. E foi isso que mais me atraiu na origem do projeto, um projeto próximo das populações não urbanas. Não me desiludiu o projeto em si, mas sim o desfecho financeiro do mesmo.”

Preocupação com os antigos colegas

Atualmente, o “Conta Lá” emprega cerca de uma centena de pessoas. Paulo Salvador considera que essa estrutura é demasiado pesada e admite preocupação com quem continua ligado ao projeto.

Segundo o jornalista, muitos profissionais deixaram outros empregos para integrar esta equipa.

“Há muita gente que deixou os seus empregos para abraçar o Conta Lá e só espero que consigam continuar a trabalhar nele. Eu já tinha saído da TVI quando recebi esta proposta mas preocupa-me muito a situação de alguns camaradas que lá estão e que estão a viver uma situação de altíssima ansiedade.”

Regresso à televisão continua em aberto

Depois da saída, Paulo Salvador tem-se dedicado às redes sociais, onde continua a partilhar histórias e reflexões.

Ao mesmo tempo, admite que recebeu novos convites para regressar à televisão pouco depois de abandonar o “Conta Lá”, cenário que deixa em aberto um possível regresso ao pequeno ecrã.

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