Zé Manel emociona-se ao falar de diagnósticos tardios: “Descobri uma série de nomes em torno de quem é ser eu”, disse.
Zé Manel falou abertamente sobre o impacto que um conjunto de diagnósticos teve na forma como passou a compreender o próprio percurso.
O vocalista dos Fingertips descobriu, aos 36 anos, que tinha Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) e autismo, entre outras características que enumerou.
Agora com 38 anos, o músico explicou no programa «A Nossa Tarde», da RTP1, que esse conhecimento lhe permitiu encontrar respostas para uma sensação de diferença que o acompanhava há muito.
“Descobri uma série de nomes em torno de quem é ser eu”
Durante a conversa, Zé Manel emocionou-se ao recordar o momento em que começou a compreender melhor a forma como pensa, sente e processa o mundo.
“Aos 36 anos, descobri que sou autista, que tenho superdotação, que tenho PHDA, que tenho um processamento de palavras gestáltico, que sou um polímata… Descobri uma série de nomes em torno de quem é ser eu e viver na minha pele“, contou.
Mais do que os próprios nomes, o diagnóstico ajudou o artista a enquadrar experiências que, durante anos, viveu sem conseguir compreender totalmente.
Uma diferença que tornou o caminho “solitário”
Zé Manel admitiu que sempre se sentiu diferente das outras pessoas.
Porém, fez questão de esclarecer que essa diferença não representa qualquer ideia de superioridade ou inferioridade.
“Não melhor, não pior, mas efetivamente diferente. E talvez por isso o caminho tenha sido tão solitário. Mas de repente, depois de saber isto, eu percebi que não estou sozinho e que há um exército de pessoas como eu, que sentem como eu e que processam como eu“, notou.
A descoberta trouxe-lhe, assim, uma nova perspetiva sobre si próprio e também uma sensação de pertença que anteriormente não tinha.
Zé Manel recorda o pai
Durante o testemunho, o vocalista dos Fingertips falou também do pai, que morreu em 2016, aos 55 anos.
Zé Manel recordou que o pai apresentava, segundo a sua leitura, as mesmas condições, embora nunca tenha chegado a descobri-las em vida.
A ligação entre a história familiar e o seu próprio percurso acrescentou uma dimensão ainda mais pessoal ao testemunho do músico na RTP1.
Depois de anos a sentir-se diferente, Zé Manel encontrou nos diagnósticos uma forma de compreender melhor aquilo que sempre fez parte da sua identidade.
