Adeus de Portugal ao Mundial divide figuras públicas: Ronaldo recebe homenagens e Martínez é arrasado e defendido, nas redes sociais.
Uma derrota, várias leituras. A eliminação de Portugal diante da Espanha, nos oitavos de final do Mundial 2026, desencadeou uma vaga de reações públicas.
Cristiano Ronaldo esteve no centro de muitas mensagens. Iva Domingues publicou uma longa homenagem, Eduardo Madeira antecipou uma “ressaca” difícil e Ivana Rodríguez recordou o legado do capitão.
Já Roberto Martínez dividiu opiniões de forma evidente. Ricardo Martins Pereira, Pedro Fernandes e António Raminhos fizeram críticas duras ao percurso português.
Num tom totalmente diferente, Rita Ferro Rodrigues recordou a experiência de trabalhar de perto com o agora antigo selecionador nacional e destacou a sua dimensão humana.
Iva Domingues: «Eu vivi no tempo de Cristiano Ronaldo»
Iva Domingues reagiu esta terça-feira, 7 de julho, ao encontro que terminou com a vitória espanhola por 1-0.
A apresentadora começou por admitir que Cristiano Ronaldo poderia ter saído durante o jogo. Também separou a sua admiração desportiva de decisões públicas do jogador com as quais discorda.
Ainda assim, recusou apagar aquilo que Ronaldo representou para Portugal.
«Eu tenho memória. Se ontem podia ter saído, para entrar o Gonçalo Ramos, podia … Se concordo e compactuo com algumas decisões e posicionamentos que assumiu na sua vida, fora das 4 linhas, chamando de Goat a Trump, quando decidiu ir à Casa Branca, obviamente que não. Mas eu não esqueço. Sou grata por tudo o que deu a Portugal e à Seleção Portuguesa».
Depois, Iva Domingues recuperou um texto escrito um ano antes.
«Escrevi este texto há 1 ano, e deixo-o de novo aqui. Eu vivi no tempo de Cristiano Ronaldo. Vivi no tempo em que um rapaz da Madeira fez o mundo ajoelhar-se, diante da sua vontade. Vivi no tempo em que o impossível vestia o número 7… e tinha nome de alma grande: Cristiano. CR7. Nosso. Para sempre nosso».
A publicação prosseguiu com uma homenagem ao esforço e à influência do internacional português.
«Foste mais do que golos. Mais do que taças. Foste suor em silêncio, dor escondida nos bastidores, noites frias a treinar enquanto o mundo dormia. Foste a disciplina feita carne. A paixão feita gesto. Em cada golo teu, um grito nosso. Em cada queda, um país inteiro de mãos dadas a levantar-se contigo. Fizeste-nos acreditar. Fizeste-nos sentir gigantes. Fizeste de Portugal um rugido ouvido nos quatro cantos do mundo».
No final, a apresentadora voltou à dimensão histórica do percurso de Ronaldo.
«E no teu olhar, mesmo depois de tudo conquistado, nunca deixaste de ser aquele menino de olhos húmidos e coração cheio de fome. És mais do que um jogador. És um tempo que vivemos. Uma era de orgulho que nenhum de nós vai esquecer. Um capítulo eterno na nossa história. Obrigada, Cristiano! Por teres levado o nome da nossa terra ao topo do mundo. Por cada golo, cada lágrima, cada ‘silliiuuu’ que ecoou no peito de todos nós. Por teres sido tão humano, sendo tão imortal. Foste, és e serás: o nosso Maior. Portugal não esquecerá. Eu nunca esquecerei».
Eduardo Madeira prevê uma «ressaca» difícil depois de Ronaldo
Eduardo Madeira também centrou a sua reação na dimensão alcançada por Cristiano Ronaldo.
O humorista considerou que Portugal não fez o suficiente diante de Espanha. No entanto, criticou a facilidade com que as culpas recaem sobre o capitão.
Na publicação intitulada “O FIM”, escreveu:
«A verdade é que Portugal não jogou o suficiente. Para muitos a culpa é do Ronaldo. E porquê?
Porque é o maior jogador português de sempre. Colhe louros e leva com culpas a um nível diferente.
Uma coisa é certa:
Sem Ronaldo somos 10 milhões a apoiar a seleção.
Com Ronaldo somos 600 ou 700 milhões. E não voltaremos a isso tão depressa. A ressaca será dura.
Deixa-nos com um Europeu e duas Ligas das Nações.
A ressaca será mesmo muito dura.
Adeus campeão.
Portugal segue rumo ao próximo desafio. E com um selecionador que saiba treinar. Chega de cepos.»
A mensagem juntou, assim, uma defesa clara de Ronaldo a uma crítica igualmente direta ao comando técnico.
Ricardo Martins Pereira fala em «anos perdidos»
A avaliação de Ricardo Martins Pereira foi particularmente dura com Roberto Martínez.
Depois da eliminação, escreveu:
«Já todos sabíamos que isto iria acabar mais ou menos assim. Anos perdidos nas mãos de um selecionadpr medíocre, frouxo, sem coragem, sem rasgo, incompetente. Os jogadores mereciam mais. Todos eles».
O comentador apontou ainda nomes que, na sua opinião, mereciam outras oportunidades.
«Este senhor deve um pedido de desculpas aos portugueses e a muitos jogadores que, incompreensivelmente, não tiveram as oportunidades que mereciam, como o Gonçalo Ramos, o Trincão, ou o Matheus Nunes. Finalmente acabou o ciclo Martinez, e essa é a única celebração que teremos hoje».
Pedro Fernandes pede Jorge Jesus e despede-se sem saudades de Martínez
Pedro Fernandes seguiu uma linha igualmente crítica.
Na sua publicação, considerou positiva apenas a saída de Roberto Martínez e apontou vários problemas ao trabalho do selecionador.
«A única coisa boa deste jogo é que foi o último com este selecionador à frente da nossa equipa. Foram demasiados erros, más convocatórias, falta de ideias tácticas e conferências de imprensa miseráveis. Um desperdício para esta geração de jogadores portugueses de tanta qualidade e talento.
Saudade é uma palavra que só existe em português e Roberto Martínez não deixa nenhumas.
Venha de lá o Jorge Jesus para meter esta malta a jogar à bola.
Bom regresso a casa, rapazes. Portugal sempre! 🇵🇹»
O apresentador defendeu, desta forma, a chegada de Jorge Jesus ao comando da Seleção Nacional.
Raminhos vê um «Mundial de desespero»
António Raminhos também reagiu nas redes sociais. O humorista descreveu a participação portuguesa como um Mundial sem rumo aparente e com talento desaproveitado.
«Último lance deste mundial em desespero. E é a ideia que fica… um mundial de desespero. De ver uma geração enorme de talentos sem aparente rumo, sem ideias de jogo, de desaproveitamento total de alguns dos maiores nomes do futebol deste momento. Visível para todos, entendidos e não entendidos, e em nome do quê? O Cristiano merece uma gestão melhor do que ainda tem para nos dar- sou daqueles que acredita que tem um impacto positivo dentro e fora do campo) e todos os outros mereciam muito mais também. Só vamos saber o porquê disto tudo talvez daqui a uns anos.»
A crítica foi dirigida ao aproveitamento da geração portuguesa e também à forma como Cristiano Ronaldo foi gerido dentro da equipa.
Rita Ferro Rodrigues escolhe recordar o homem por trás do treinador
Nem todas as mensagens dirigidas a Roberto Martínez foram críticas.
Rita Ferro Rodrigues fez questão de começar por esclarecer que a sua publicação não era uma análise ao futebol. A apresentadora recordou dois anos de trabalho próximo do espanhol e das seleções nacionais.
A longa mensagem destacou a experiência humana vivida na Federação Portuguesa de Futebol.
«Este post não é sobre futebol. Tive o privilégio de trabalhar dois anos de perto com Roberto Martinez e com as várias seleções, sob a batuta de alto nível de Fernando Gomes , na presidência da Federação Portuguesa de Futebol.
Foram anos maravilhosos em que as seleções ganharam muitos títulos, mas mais do que isso, anos em que se vivia um ambiente extraordinário naquela casa : alegria , serenidade, competência, confiança e uma partilha de valores humanistas , de inclusão e diversidade, de igualdade que nos faziam sonhar a todos. Foram anos tão trabalhosos como felizes e para isso contribuiu muito o carácter de Roberto Martinez, um ser humano íntegro, muito bem formado e gentil, verdadeiramente encantador, que abraçava todas as causas de impacto social de coração comovido, absolutamente empenhado. Escolhi algumas fotografias desses tempos, retratos que me emocionam por razões diferentes que não vale a pena agora detalhar. O Roberto sabia o nome de cada funcionário, da mesma forma amorosa e única como se dedicava a aprender português, a aprender sobre o nosso povo, a nossa cultura, a nossa história.
Ao Roberto e à sua família, só desejo as maiores felicidades. Ao futebol em geral , desejo mais homens e mulheres assim – aliás ao mundo em geral . Seríamos todos mais felizes.
Godspeed querido Roberto 💗»
A publicação mostrou um lado diferente do debate que dominou as horas seguintes à eliminação.
Georgina Rodríguez acompanhou o jogo à distância
A ausência de Georgina Rodríguez das bancadas também despertou atenção depois da partida.
A modelo explicou indiretamente, através das redes sociais, que acompanhou o encontro em casa. Numa imagem, Mateo e Bella Esmeralda surgiram a torcer pelo pai.
Até então, Georgina não tinha publicado uma mensagem própria sobre o último Mundial de Cristiano Ronaldo.
No entanto, partilhou uma publicação da Nike com a frase:
«A sua lenda continua viva.»
Depois do encontro, Cristiano Ronaldo confirmou que disputou o último Campeonato do Mundo da carreira. No entanto, não tomou uma decisão sobre a continuidade na Seleção.
«A verdade é que foi o meu último Mundial, sim, mas o resto terei tempo para pensar, estar com a minha família, não decidir as coisas de cabeça quente e seguir a vida.»
O capitão fez também um balanço dos títulos conquistados.
«Ganhei três títulos por Portugal. Antes de Cristiano Ronaldo, Portugal não tinha ganho nenhum título. Pois, contente.»
E voltou a destacar o Europeu de 2016:
«A verdade é que o maior título que ganhei na seleção foi em 2016, que para mim tem a mesma dimensão que um Mundial, sinceramente.»
Ivana Rodríguez: «España te quiere, Cris»
Ivana Rodríguez, irmã de Georgina, deixou várias mensagens de apoio ao cunhado depois da eliminação.
Primeiro, partilhou dois emojis sobre fundo negro: uma lágrima e um coração partido.
Depois, divulgou uma mensagem onde se lia:
«Obrigado por inspirares gerações, para sempre o melhor.»
Também partilhou uma publicação do jornal espanhol Marca, onde surgia a frase:
«Custa a crer que o último jogo de Cristiano Ronaldo num Mundial foi contra a Espanha».
Por cima da publicação, Ivana Rodríguez escreveu:
«España te quiere, Cris».
A irmã de Georgina recordou ainda os números apresentados na publicação: 233 jogos, 146 golos e 42 assistências pela Seleção Nacional.
Na mesma partilha, comparou o período anterior a Cristiano Ronaldo com a era do capitão. Foram recordadas três presenças em Mundiais antes de Ronaldo, sem títulos ou finais.
Já durante a era de Cristiano Ronaldo, a publicação destacou seis Mundiais, quatro finais e três títulos: Euro 2016 e Ligas das Nações de 2019 e 2025.
Entre homenagens emocionadas, balanços críticos e opiniões totalmente opostas sobre Roberto Martínez, a eliminação portuguesa prolongou-se muito para lá do apito final.
Cristiano Ronaldo saiu do Mundial em lágrimas. À sua volta, o país começou imediatamente a discutir o passado, o presente e aquilo que virá depois de uma era difícil de repetir.
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