Pedro Chagas Freitas recorda Preta Gil um ano após a morte: «Pessoas como ela não morrem nem vivem; são»

Pedro Chagas Freitas recorda Preta Gil um ano após a morte: «Pessoas como ela não morrem nem vivem; são», considerou.

Um ano após a morte de Preta Gil, Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para recordar a cantora brasileira e a forma como enfrentou a vida e a doença.

O escritor não centrou a homenagem apenas na carreira artística. Destacou também a liberdade com que Preta Gil viveu, a exposição pública que assumiu e a resistência demonstrada durante o tratamento contra o cancro.

Logo no início da publicação, Pedro Chagas Freitas assinalou a passagem da data.

“Há um ano, morreu a Preta Gil.”

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Pedro Chagas Freitas rejeita rótulo associado a Gilberto Gil

Na reflexão, o autor começou por afastar a ideia de que Preta Gil deve ser recordada somente pela ligação familiar a Gilberto Gil.

Pedro Chagas Freitas enumerou diferentes dimensões da vida da artista, desde a música ao trabalho empresarial, passando pela maternidade, representação e intervenção pública.

“A Preta nunca foi só ‘filha de Gilberto Gil’. Era um bicho raro, um furacão doce. Fez da exposição uma forma de liberdade. Foi empresária, cantora, mulher, militante, mãe, actriz, amiga.”

Para o escritor, a artista viveu sem procurar autorização para ser quem era. Essa forma de estar nem sempre terá sido compreendida ou aceite por todos.

“Há quem não perdoe a coragem de viver sem pedir desculpa.”

Depois, resumiu essa atitude numa frase curta.

“Ela viveu.”

Luta contra o cancro recordada pelo escritor

Pedro Chagas Freitas abordou também o período em que Preta Gil enfrentou um cancro do intestino.

A artista foi submetida a cirurgia e tratamentos de quimioterapia. Procurou ainda alternativas experimentais nos Estados Unidos, numa tentativa de contrariar a progressão da doença.

Na publicação, o escritor descreveu essa luta como uma recusa em permitir que a doença diminuísse a presença e a identidade da cantora.

“Quando a doença a quis encolher, ela aumentou-se. Lutou anos contra o cancro do intestino, dançou no campo de batalha. Foi à faca, à químio, ao desespero, ao fundo de uma penumbra que poucos têm a coragem, o poder, de enfrentar. Tentou tudo, até o experimental, nos Estados Unidos. Foi infinita na luta contra a merda da finitude.”

A homenagem não transforma a doença numa narrativa distante. Pelo contrário, sublinha a dureza do percurso e a determinação de Preta Gil em experimentar todas as possibilidades ao seu alcance.

«A morte não é um descanso»

Num segundo momento do texto, Pedro Chagas Freitas refletiu sobre a linguagem habitualmente utilizada perante a morte.

O autor explicou que não se identifica com a ideia de que alguém “descansou”. Para o escritor, a morte representa antes uma ausência e um silêncio deixado por quem partiu.

“Não gosto de dizer que alguém descansou.”

A partir dessa frase, Pedro Chagas Freitas voltou a ligar a memória de Preta Gil à música, à cor e à liberdade com que a artista se mostrou publicamente.

“A morte não é um descanso; é uma ausência, é um silêncio. A Preta nunca foi silêncio. Sem ela, o mundo está um pouco mais calado, um pouco mais sem cor, um pouco mais pequeno, um pouco menos bonito. Mas enquanto houver uma mulher a cantar o que sente, a vestir o que quer, a amar sem vergonha, a mostrar o corpo como ele é: a Preta não morreu.”

Na leitura do escritor, a influência da cantora permanece em todas as mulheres que continuam a afirmar-se sem esconder o corpo, os sentimentos ou as escolhas.

Homenagem termina com agradecimento a Preta Gil

Já na parte final, Pedro Chagas Freitas deixou uma das frases mais fortes da publicação.

Em vez de colocar Preta Gil apenas no passado, o autor apresentou-a como uma presença que ultrapassa a divisão entre vida e morte.

“Pessoas como ela não morrem nem vivem; são.”

A homenagem terminou com um agradecimento direto.

“Obrigado, Preta.”

Com esta publicação, Pedro Chagas Freitas recordou não apenas o percurso artístico de Preta Gil, mas também a forma como a cantora tornou a própria vida numa afirmação de liberdade.

Veja a publicação AQUI.

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