Alternativa às injeções: Reino Unido aprova comprimido GLP-1 para perder peso, segundo foi revelado.
Depois de Mounjaro e Wegovy terem colocado as injeções no centro dos novos tratamentos contra a obesidade, surge agora uma alternativa em comprimido. O Reino Unido tornou-se o primeiro país europeu a autorizar o orforglipron, um medicamento da Eli Lilly que será comercializado com o nome Foundayo e é tomado uma vez por dia.
A aprovação aconteceu a 10 de agosto e abrange tanto o controlo do peso como a diabetes tipo 2. A principal diferença face aos medicamentos injetáveis que se popularizaram nos últimos anos é fácil de perceber: não existe caneta nem injeção semanal.
O Foundayo é um comprimido de toma diária e pode ser ingerido a qualquer hora, sem necessidade de jejum ou restrições específicas relacionadas com alimentos ou água.
O que é o orforglipron e como funciona?
Tal como outros medicamentos que ganharam notoriedade no tratamento da obesidade, o orforglipron atua sobre o sistema GLP-1.
Trata-se de um agonista do recetor do GLP-1, uma hormona produzida naturalmente pelo organismo após as refeições. A sua ação inclui áreas do cérebro relacionadas com a regulação do apetite, contribuindo para aumentar a sensação de saciedade, reduzir a fome e diminuir os desejos por comida.
É, contudo, uma pequena molécula não peptídica desenvolvida para administração oral, o que permite dispensar as injeções associadas a vários tratamentos desta classe.
No Reino Unido, foi autorizado para ajudar na perda e manutenção do peso em adultos com índice de massa corporal igual ou superior a 30. Pode também ser utilizado por adultos com IMC entre 27 e 30 quando exista pelo menos uma doença associada ao excesso de peso. A autorização inclui ainda doentes com diabetes tipo 2 insuficientemente controlada.
Quanto peso se pode perder com o comprimido?
Um dos principais estudos realizados com orforglipron envolveu 3.127 adultos com obesidade, ou excesso de peso acompanhado de pelo menos um problema de saúde relacionado, sem diabetes.
Durante 72 semanas, os participantes receberam diferentes doses do medicamento ou placebo, em conjunto com alterações na alimentação e atividade física.
Entre quem tomou a dose mais elevada e permaneceu em tratamento, a redução média do peso corporal chegou aos 12,4%, equivalente a cerca de 12,4 quilos considerando o peso médio inicial do grupo. No placebo, a redução média foi de 0,9%.
Quase 60% dos participantes nesse grupo perderam pelo menos 10% do peso e 39,6% conseguiram uma redução igual ou superior a 15%.
Os resultados foram também publicados no New England Journal of Medicine, com os investigadores a concluírem que o tratamento durante 72 semanas produziu uma redução de peso significativamente superior ao placebo e apresentou um perfil de efeitos adversos consistente com o já conhecido para os agonistas GLP-1.
É melhor do que o Mounjaro?
Os números não permitem concluir que o Foundayo seja melhor ou pior do que o Mounjaro.
Comparar diretamente percentagens obtidas em ensaios clínicos diferentes pode ser enganador, uma vez que os estudos podem envolver populações, doses, metodologias e condições distintas.
A grande mudança introduzida pelo orforglipron está, para já, sobretudo na forma de administração. Enquanto o Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, é administrado através de uma injeção, o Foundayo apresenta-se como um comprimido diário.
Isso poderá tornar o tratamento mais simples para pessoas que têm dificuldade ou resistência à utilização de medicamentos injetáveis, sem que tal signifique automaticamente maior eficácia.
Há efeitos secundários
A passagem da injeção para o comprimido também não elimina os riscos associados a este tipo de tratamento.
Segundo a autoridade britânica do medicamento, os efeitos secundários mais frequentes incluem náuseas, obstipação, diarreia, vómitos, indigestão e dor abdominal.
O Foundayo é um medicamento sujeito a receita médica e deve ser utilizado juntamente com uma alimentação com menor ingestão calórica e aumento da atividade física. A utilização simultânea com outros medicamentos agonistas do GLP-1 não é recomendada.
Apesar da autorização no Reino Unido, o medicamento ainda não está atualmente disponível através do NHS. A eventual utilização no serviço público de saúde britânico dependerá da avaliação do NICE, organismo responsável por analisar novos tratamentos e a respetiva relação entre eficácia e custo.
A aprovação representa, ainda assim, uma mudança importante num mercado que até agora ficou fortemente associado às canetas injetáveis: um dos grandes nomes da indústria dos medicamentos para a obesidade passa a ter também uma opção GLP-1 em comprimido.
O estudo pode ser visto AQUI.
