Pedro Chagas Freitas aponta caso de Ricardo Velho e critica decisões no futebol: “O objetivo não é surpreender; é acertar”

Pedro Chagas Freitas aponta caso de Ricardo Velho e critica decisões no futebol: “O objetivo não é surpreender; é acertar”, disse.

Fotografia: Ricardo Velho – Instagram

Pedro Chagas Freitas partiu da situação vivida por Ricardo Velho para uma reflexão que rapidamente ultrapassou as fronteiras do futebol. O escritor destacou a qualidade do guarda-redes português e questionou a tendência para se procurar soluções complexas ou inesperadas quando, muitas vezes, a resposta está à vista de todos.

Numa publicação nas redes sociais, Pedro Chagas Freitas começou precisamente pelo jogador, que apresentou como “um dos melhores guarda-redes portugueses”, referindo que está sem competir e a treinar à parte.

“O homem que está na fotografia chama-se Ricardo Velho, é um dos melhores guarda-redes portugueses, e está sem competir, a treinar à parte. Ao saber do que lhe está a acontecer, interessa-me pensar na nossa dificuldade em escolher o óbvio.”

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“Escolher Ricardo Velho não tem esse encanto”

A partir desse ponto, o escritor dirigiu a reflexão para quem toma decisões no futebol. Na sua leitura, existe por vezes uma maior valorização de uma descoberta inesperada do que da escolha de alguém cujo valor já é conhecido.

“Há uma espécie de vaidade na raiz disto: quem decide gosta de descobrir. Encontrar um jogador num campeonato remoto, um talento que ninguém conhecia, prova visão, conhecimento, antecipação, inteligência. Escolher Ricardo Velho não tem esse encanto. Não há aquela glória pequerrucha de poder dizer: «fui eu que o encontrei.»”

Pedro Chagas Freitas não suavizou a crítica e acrescentou: “Que minorca é quem pensa assim, quem decide assim.”

Mas o texto não ficou preso ao futebol. O escritor transportou a mesma ideia para outras áreas e defendeu que a necessidade de demonstrar inteligência através de decisões aparentemente mais sofisticadas está presente em diferentes contextos.

“A necessidade de parecer inteligente não é exclusiva do futebol. Está em todo o lado. Nas empresas, na política, na educação, na vida.”

Pedro Chagas Freitas defende a força das escolhas óbvias

Para o autor, aquilo que é evidente acaba muitas vezes desvalorizado precisamente por não proporcionar a sensação de descoberta ou de complexidade associada a determinadas decisões.

“O óbvio tem má reputação. Acho que não tem departamento de marketing. A complexidade dá estatuto, e também pode dar dinheiro. Quanto mais gente houver entre uma necessidade e a sua solução, mais gente pode ganhar alguma coisa pelo caminho. Há pouca gente a ganhar dinheiro com o óbvio, mas um grande líder tanto tem de encontrar aquilo que ninguém encontrou como de ter a humildade de olhar para aquilo que está mesmo à sua frente e dizer: é isto.”

Ricardo Velho voltou então ao centro da publicação. Pedro Chagas Freitas utilizou o guarda-redes como exemplo de uma solução que, na sua perspetiva, não precisa de ser descoberta porque já é conhecida.

“A inteligência, muitas vezes, consiste em não complicar aquilo que já está resolvido: às vezes, o melhor está a cinquenta metros, às vezes já o conhecemos, às vezes toda a gente o conhece, às vezes chama-se Ricardo Velho.”

A reflexão terminou com uma distinção entre quem consegue antecipar aquilo que os outros ainda não perceberam e quem é capaz de reconhecer o que está diante de todos sem procurar complicar a decisão.

“O que vê antes dos outros é um visionário; o que vê o que está à frente de todos e não sente necessidade de olhar para outro lado também o é.”

E deixou uma última mensagem sobre ego e liderança: “Para ter essa grandeza, tem de vencer o ego. Vai ouvir vezes sem conta: «Isso era óbvio.» E vai ficar orgulhoso. O objetivo de uma decisão não é surpreender; é acertar.”

Veja a publicação AQUI.

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