Pedro Chagas Freitas deixa manifesto sem filtros: «Faz o que te der na real gana», referiu nas redes sociais.
Pedro Chagas Freitas voltou a transformar as redes sociais numa espécie de manifesto sobre a vida. Desta vez, o escritor reuniu numa longa sequência de frases aquilo que entende como pequenos atos de liberdade: arriscar, rir, amar, sentir prazer, falhar, desistir quando for preciso e não passar os dias condicionado pelo medo.
A lista mistura conselhos aparentemente banais com provocações assumidas e momentos de humor, sem procurar uma fórmula perfeita para viver. Pelo contrário, há espaço para a contradição e para escolhas feitas apenas porque apetece.
«Faz algo que te assuste. Diz piadas. Não escolhas o fácil só porque te parece fácil. Não faças o difícil só porque te parece difícil.»
Entre o amor, o medo e o ridículo
O amor atravessa grande parte do texto, mas sem aparecer como um sentimento idealizado ou vivido segundo regras fixas.
Pedro Chagas Freitas escreve «Ama sem olhar a quem», pede que se ame o sol, a chuva e o vento e incentiva também ao perdão, tanto de quem se ama como de quem não desperta esse sentimento.
A certa altura, o tom muda e surge o humor característico do escritor: «Imagina o teu pior inimigo sentado na sanita. Ri-te de tudo. Nunca penses que brincas demais.»
Há espaço para chorar, saltar à corda, atirar-se ao mar ou simplesmente aprender a rir de si próprio. A mensagem não passa por evitar os extremos, mas por experimentar a vida sem a transformar numa sucessão de comportamentos considerados corretos.
Pedro Chagas Freitas também fala de sexo e prazer sem rodeios
O prazer surge igualmente sem eufemismos. Pedro Chagas Freitas escreve sobre beijos, motéis, sexualidade e orgasmo como partes naturais da experiência humana.
«Experimenta novas posições sexuais.», escreve, antes de acrescentar noutra passagem: «Leva quem amas para um motel.»
Mais à frente, é ainda mais direto: «Nunca desistas de um orgasmo.»
E, já perto do final da lista, volta ao mesmo território: «Faz opções em nome do prazer. Insiste em viver. Vem-te periodicamente.»
O sexo aparece, assim, lado a lado com gestos tão diferentes como abraçar, ajudar alguém, partilhar ou sorrir, sem ser tratado como um assunto à parte.
«Não tenhas medo de desistir»
Entre tantas ordens para avançar, Pedro Chagas Freitas introduz também uma ideia menos habitual nos discursos motivacionais: desistir nem sempre representa fracasso.
«Não tenhas medo de desistir. Sê único. Não tenhas medo de não desistir.»
A aparente contradição resume uma parte importante do texto. Não existe uma decisão universalmente certa. Há momentos para insistir e outros para abandonar, tal como há ocasiões para seguir o caminho previsível e outras para fazer exatamente o contrário.
Daí outra das frases escolhidas pelo escritor: «Vai ao contrário só porque te apetece. Faz o que te der na real gana.»
Depois surgem o amor e o risco quase como extensões dessa liberdade: «Casa por amor. Ri para sempre. Vive por amor. Arrisca. Pisa o risco.»
A lista não acaba
Pedro Chagas Freitas não fecha o texto como quem termina um conjunto definitivo de regras. Faz precisamente o contrário.
«Continua esta lista. Todos os dias. A toda a hora. Já.»
O convite deixa a lista em aberto, como se cada leitor pudesse acrescentar aquilo que lhe falta fazer, sentir ou experimentar.
Entre medo e prazer, desistências e insistências, gargalhadas e lágrimas, o escritor constrói uma defesa de uma vida menos obediente ao que é esperado e mais atenta ao que ainda pode ser vivido.
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