Sara Correia e Camané levam o Fado e os bairros de Lisboa ao Rio de Janeiro, através do festival de fado.
O Festival Fado regressa ao Rio de Janeiro, no Brasil, para uma 16.ª edição que volta a colocar a tradição portuguesa no centro da programação. Sara Correia e Camané são os protagonistas dos concertos marcados para 6 de novembro, no Vivo Rio, mas a passagem do festival pela cidade começa um dia antes e inclui cinema, conferência e uma exposição com curadoria do Museu do Fado.
“O Fado e os Bairros” é o tema escolhido para esta edição, que pretende explorar a relação do género musical com zonas históricas de Lisboa como Alfama, Mouraria, Bairro Alto e Madragoa.
Em comunicado enviado às redações, a organização destaca precisamente essa ligação, explicando que “esta nova edição destaca a profunda ligação entre o Fado e os bairros históricos de Lisboa, como Alfama, Mouraria, Bairro Alto ou Madragoa. São lugares centrais na memória popular lisboeta, e que nos permitem compreender o nascimento e a transmissão desta tradição musical urbana”.
Diogo Clemente abre programação no Real Gabinete Português de Leitura
As atividades começam na quinta-feira, 5 de novembro, no Real Gabinete Português de Leitura. Às 14h30, Diogo Clemente conduz a conferência “A Rua e o Fado”, dedicada à presença do género musical no quotidiano das ruas e dos bairros da capital portuguesa.
Compositor, produtor e guitarrista, Diogo Clemente irá abordar a forma como o Fado se alimenta das vivências de quem habita Lisboa e, simultaneamente, influencia a identidade desses lugares.
A organização descreve essa relação como uma ligação em constante movimento e considera que “o Fado é uma consequência da vida e das vivências que o tornam num jornal do povo e das almas, compreendido por todos, mas que, ao mesmo tempo, tem a sua própria linguagem em cada bairro da cidade e em cada casa de Fado”.
Logo depois, às 15h30, será exibido “Do Bairro”, documentário realizado por Diogo Varela Silva.
O filme entra nos bairros de Alfama e Mouraria através das histórias dos próprios moradores, das tradições que continuam presentes e das mudanças que aquelas comunidades têm atravessado. A memória local, o Fado e as transformações urbanas surgem como pontos centrais da obra.
Museu do Fado leva os bairros de Lisboa ao Vivo Rio
Ainda a 5 de novembro, mas já no Vivo Rio, será inaugurada às 19h00 a exposição “Os Bairros de Lisboa”.
Com curadoria do Museu do Fado, a mostra reúne imagens, personagens e referências ligadas aos bairros populares da capital portuguesa e procura mostrar a importância destes territórios para a construção da memória fadista.
Segundo o comunicado, “a exposição revela como essas regiões se transformaram em espaços fundamentais para a construção da memória fadista”.
Sara Correia apresenta Tempestade
Os concertos ficam reservados para sexta-feira, 6 de novembro. Sara Correia sobe ao palco do Vivo Rio às 21h00, regressando ao Festival Fado numa fase de afirmação da sua carreira.
Depois de ter lançado o álbum de estreia, Sara Correia, em 2018, a fadista viu Do Coração ser nomeado para um Grammy Latino em 2021. No Rio de Janeiro, apresentará o mais recente trabalho, Tempestade.
A ligação aos bairros populares acompanha também o seu percurso. O comunicado recorda que, para Sara Correia, “como qualquer pessoa que cresce num bairro popular, o Fado tornou-se o bálsamo diário para os seus ouvidos”, acrescentando que a artista é atualmente uma referência para as gerações mais novas do género.
Camané encerra a noite no Rio de Janeiro
Camané atua às 22h00 e encerra a componente musical desta passagem do Festival Fado pelo Rio de Janeiro.
O fadista teve contacto com o género desde criança e, aos 13 anos, venceu a Grande Noite do Fado de Lisboa. A partir da década de 1990 consolidou uma carreira marcada por vários discos e projetos, entre eles Aqui está-se sossegado, desenvolvido com Mário Laginha e posteriormente nomeado para um Grammy Latino.
No Vivo Rio, Camané deverá percorrer diferentes momentos do seu repertório e apresentar também o trabalho mais recente.
Com os dois concertos, a exposição, o documentário e a conferência, o Festival Fado leva ao Rio de Janeiro não apenas algumas das vozes portuguesas do género, mas também os lugares onde parte dessa história nasceu e continua a ser contada.
