Pedro Chagas Freitas critica obsessão pelo trabalho: «Por favor, distrai-te», referiu através das redes sociais.
«Por favor, distrai-te». Foi com este pedido que Pedro Chagas Freitas abriu e encerrou uma reflexão publicada nas redes sociais sobre a pressão para permanecer constantemente focado no trabalho, nos resultados e nas metas profissionais.
O escritor recorreu ao humor e a vários termos associados ao mundo empresarial para questionar uma rotina em que até as deslocações e os momentos em família acabam dominados pelas preocupações profissionais.
«De vez em quando, caga no foco»
Pedro Chagas Freitas começou por desafiar diretamente a cultura do desempenho permanente.
«De vez em quando, caga no foco. E no mindset. E no core business, no deadline, no benchmarking, no break-even, no briefing, no target, no budget, no burn rate, no business plan, no follow-up», escreveu.
Depois da sucessão de expressões frequentemente usadas no meio profissional, o autor deixou um conselho mais simples: «De vez em quando, desconcentra-te».
Na sua reflexão, Pedro Chagas Freitas defendeu que o trabalho não deve ocupar todos os momentos do dia, sobretudo aqueles que poderiam ser dedicados a quem está por perto.
«Não vás pelo caminho até ao trabalho a pensar em trabalho, não vás pelo caminho até à escola do teu filho a pensar no trabalho. Olha para quem tens ao lado, olha para quem amas», pediu.
Mesmo nos momentos de solidão, o escritor incentivou os seguidores a olharem para si próprios e para aquilo que os rodeia.
«Se não tiveres ninguém ao lado, olha para ti, olha para o meio de ti, para o fundo de ti. E para o vento que abana as árvores, para os pássaros que cantam, para a maneira como as asas batem levemente, para a forma como a folha cai, para a rua cheia de pessoas concentradas no foco, zombies do foco», acrescentou.
O que está fora das estatísticas
Pedro Chagas Freitas aconselhou ainda quem está no escritório a afastar-se, por breves instantes, da pressão dos resultados.
«Se estás no escritório, vai à janela, ou ao bar, ou à rua um minuto. Sai do foco, sai do rolo compressor, da asfixia dos resultados», escreveu.
Para o autor, aquilo que verdadeiramente permanece nem sempre pode ser medido através de números ou estatísticas.
«No final das contas, vai ser isso, o que está fora dos resultados, distante das estatísticas, o que vai contar. No final das contas, é o que não pode contar-se que conta», refletiu.
O texto terminou com um novo apelo à distração e à atenção sobre aquilo que habitualmente passa despercebido.
«Há coisas que só conseguimos ver distraídos. Aproveita-as. Por favor, distrai-te», concluiu.
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