Carolina Deslandes criticada no ‘Passadeira Vermelha’: “Tem algum dever moral” de explicar mudança a nível físico.
A recente perda de peso de Carolina Deslandes voltou a ser debatida no ‘Passadeira Vermelha’. Joana Latino e Filipa Torrinha consideraram que a cantora deveria explicar ao público o percurso por detrás da transformação física.
A discussão aconteceu na sexta-feira, 4 de setembro, depois de Carolina Deslandes responder às acusações de hipocrisia que recebeu nas redes sociais.
A cantora, de 35 anos, recordou que a defesa do orgulho corporal sempre esteve ligada à liberdade e à aceitação pessoal em qualquer fase da vida.
“Amei-me gorda e amo-me magra, não me parece que isso seja o significado de hipocrisia”, respondeu Carolina Deslandes a uma seguidora.
Joana Latino alerta para uma nova “ditadura da magreza”
Antes de abordar diretamente o caso da artista, Joana Latino manifestou preocupação com a utilização crescente do Ozempic e de outros medicamentos da classe GLP-1.
A comentadora reconheceu a importância clínica destes tratamentos para pessoas que vivem com obesidade, considerando-os “maravilhoso, milagroso até” nesses casos.
Contudo, Joana Latino teme que a utilização indiscriminada destes fármacos contribua para um novo padrão social de extrema magreza.
“O medo que eu tenho aqui em relação a isto é que as pessoas se transformem naquilo que andamos a ver nas passadeiras vermelhas de todo o mundo, que são cadáveres ver pessoas esqueléticas, subnutridas, com problemas de saúde claros”, afirmou.
A jornalista considera que voltou a ganhar força a mensagem de que “quanto mais pequeno tu és, quanto mais te diminuires fisicamente, mais valor tens”.
Joana Latino criticou ainda a responsabilização individual das pessoas que não correspondem a essas medidas. Segundo explicou, o chamado tamanho zero corresponde ao XXS em Portugal.
Na sua opinião, até pessoas que usam tamanhos S, M, L ou XL são alvo de julgamentos que não estão necessariamente relacionados com excesso de peso. Ainda assim, acabam apresentadas como alguém que “falhada, tem menos valor, não presta”.
“Este desaparecer não é só o peso, é também a mente”
Durante a análise, Joana Latino recordou que, há cerca de dez anos, a diversidade corporal começou a conquistar maior visibilidade. Essa mudança chegou até à representação física das bonecas Barbie.
Agora, a comentadora acredita que a sociedade está a regressar a um modelo mais restritivo, sobretudo para as mulheres.
“Agora estamos outra vez a voltar ao espartilhar, a uma ideia que vem muito do patriarcado e que pesa sobretudo sobre as mulheres, que é a obediência, o autocontrole, a autodisciplina, para tu praticamente desapareceres. E este desaparecer não é só o peso, é também a mente”, lamentou.
O debate sobre estes medicamentos acabou por anteceder a análise da transformação física de Carolina Deslandes. Contudo, no programa não foi estabelecida qualquer relação entre a cantora e a utilização de Ozempic ou de outro fármaco GLP-1.
Joana Latino aponta “dever moral” a Carolina Deslandes
Joana Latino não compreende que Carolina Deslandes tenha escolhido não aprofundar publicamente o assunto, depois de ter falado durante anos sobre o corpo e a aceitação corporal.
Segundo a comentadora, a questão ultrapassa uma simples curiosidade sobre o método utilizado pela artista.
“Nós não queremos que a Carolina fale sobre a forma como está a perder peso, só nós, eu e os meus alter egos”, começou por dizer.
Ainda assim, Joana Latino defendeu que Carolina Deslandes “tem algum dever moral de dizer o que é que se está a passar com ela, o que é que ela fez, que trabalho é que ela está a fazer, o que é que a motiva, sobretudo emocionalmente, para ter feito esta mudança”.
A jornalista argumentou que, “se ela foi inspiradora na aceitação de um corpo desformatado maior, também pode ser inspiradora no seu contrário”.
Depois, endureceu as críticas. Joana Latino acusou a artista de “estar a enxutar as pessoas e a ser pedante e a armar-se em superior para falar desta questão”.
Na sua leitura, Carolina Deslandes estará “só a entrar no espartilho social da diminuição corporal que a sociedade, a pressão que a sociedade agora exerce”.
Filipa Torrinha fala em “irresponsabilidade” com o público
Filipa Torrinha também considerou insuficiente a posição assumida pela cantora. A comentadora começou por reconhecer que é “perfeitamente legítimo” alguém amar-se com diferentes pesos e aparências.
No entanto, lembrou que Carolina Deslandes foi, durante vários anos, uma figura ligada publicamente ao movimento de aceitação corporal.
Embora considere “muito válida” a afirmação de que a artista se ama com os dois tipos de aspeto físico, Filipa Torrinha acredita que o público “precisa de mais”.
“Como é que ela chegou a esta conclusão? Qual foi o trajeto emocional que ela fez para chegar a esta conclusão? Porque é que então, se ela estava bem porque diz que se amava e gostava do seu corpo com o físico antes, porquê é que então ela mudou?”, questionou.
A comentadora recordou ainda que Carolina Deslandes foi “bandeira muito tempo e foi intencionalmente” da aceitação corporal. Acrescentou que existem jovens e escolas que utilizam a cantora como exemplo de ‘body positive’.
“Eu de facto sinto que a Carolina poderia, se assim o desejasse, eu acho que era ético, acho que era correto, acho que era idóneo, e muito justo para o seu público explicar como é que então nós nos amamos com dois tipos de corpos completamente diferentes. E porquê é que houve aqui esta mudança?”, defendeu.
Apesar das críticas, Filipa Torrinha reconheceu que a artista mantém o direito de não partilhar informações pessoais.
“As pessoas não têm o dever de exporem tudo, obviamente que não. E se ela sentir que não quer falar sobre o assunto, não tem que o fazer”, esclareceu.
Ainda assim, a comentadora entende que o silêncio retira impacto à mensagem pública anteriormente defendida por Carolina Deslandes.
“Nada contra ter perdido peso, é uma questão que é dela e dos médicos dela. Contra sim o facto dela não estar a ser construtiva para o seu público”, concluiu.
