Pedro Chagas Freitas sobre “O Livro do Pechimperé”: “Será provavelmente o último livro que publico”, reforçou.
“Será provavelmente o último livro que publico.” A frase de Pedro Chagas Freitas surge numa publicação no Facebook dedicada a “O Livro do Pechimperé”, na qual o escritor se dirigiu a professores, pais e adultos para explicar o que pretende que a obra leve às escolas e às famílias.
A declaração deixa em aberto a possibilidade de este ser o seu último livro publicado, sem apresentar essa hipótese como uma decisão definitiva. Na mensagem, o autor centrou-se sobretudo na relação que deseja criar entre os leitores e a personagem, propondo conversas sobre sentimentos, imaginação e temas difíceis.
“Quero que este livro entre na tua vida”, escreveu, numa carta acompanhada pela imagem da obra e pelo apelo: “Carta aos professores, aos pais, aos adultos”.
Um convite aos professores para levar o Pechimperé à escola
Na parte dirigida aos docentes, Pedro Chagas Freitas apresentou o livro como um ponto de partida para trabalhar assuntos que vão além dos conteúdos das aulas.
“SE ÉS PROFESSOR, tens no livro uma história linda para ler, e tens fichas e planos de aula concretos, com propostas para trabalhar aquilo que não cabe no programa: medo, tristeza, empatia, coragem, criatividade, identidade, comunidade, curiosidade. Com o Pechimperé, podes levar uma turma a conversar enquanto sonha, enquanto aprende a ser gente. Não é essa a maior das aprendizagens?”
O escritor deixou também um convite às escolas, anunciando uma proposta associada à personagem.
“Ah: se quiseres que o Pechimperé vá à tua escola, manda mensagem. Ele preparou um BREVE CURSO PARA DESAPRENDER A SER ADULTO. Queres vê-lo ao vivo?”
“Pergunta ao teu filho que tempo está hoje dentro dele”
Aos pais, o autor sugeriu que a leitura encontrasse espaço em momentos comuns do dia, à mesa ou durante uma viagem de carro. A proposta passa por usar a história e as palavras inventadas para ajudar as crianças a expressar o que sentem.
“SE ÉS PAI OU MÃE, abre uma página ao jantar, lê um diálogo no carro, pergunta ao teu filho que tempo está hoje dentro dele, inventa com ele uma palavra. O livro traz um Dicionário Pechimperês-Português: abramuço é o lugar onde duas pessoas deixam de acabar na pele; alegranhar é encontrar alegria onde toda a gente dizia que não havia. Sabias que uma palavra inventada consegue dizer aquilo que uma criança não sabe explicar com as palavras dos adultos?”
A linguagem da personagem é, assim, apresentada pelo escritor como uma forma de iniciar conversas e aproximar adultos e crianças.
Bullying, doença e luto entre os temas da obra
Pedro Chagas Freitas estendeu o convite aos adultos, mesmo quando não se reveem no papel de pais ou professores. Na mesma publicação, enumerou alguns dos assuntos abordados no livro.
“SE ÉS ‘SÓ’ UM ADULTO, daqueles que já aprenderam a andar depressa, a produzir, a responder, a ser sensatos, este livro é para ti. Fala de bullying, de doença, de luto, de solidão, de depressão, de saudade, sem fazer construções secantes e lições de moral, só a abordar cada uma delas a brincar, a perguntar, a imaginar, a humanizar.”
Mais do que terminar a leitura, o autor afirmou querer que o livro permaneça no quotidiano de quem o recebe.
“Quero que uma professora escreva uma frase dele no quadro e deixe a aula fugir, quero que uma mãe dobre uma página porque quer voltar ali, quero que um pai descubra uma pergunta que faz o filho abrir-se, quero que uma criança se divirta com o Pechimperé, e pense, e sinta.”
Esse desejo ficou ainda expresso num último apelo: “Não quero que acabes este livro. Sente-o, deixa-o tocar-te, habita-o, deixa que quem amas o habite também.”
