Bruno Nogueira responde às críticas a “Ruído”: “Não têm a mesma energia a insurgirem-se contra a realidade”, afirmou.
Bruno Nogueira questionou a reação de associações ligadas à Igreja a um sketch de “Ruído”, considerando que a contestação à comédia não encontra correspondência na indignação perante os casos de abuso que lhe serviram de tema. O humorista abordou a polémica na “Grande Entrevista”, da RTP Notícias, emitida esta quarta-feira, 14 de outubro.
Em causa esteve um sketch da nova temporada da série da RTP1 que, através de uma paródia da Eucaristia, satiriza a Igreja e os casos de pedofilia que marcaram a instituição. A sequência motivou críticas de organizações católicas nas redes sociais.
“É curioso sempre e não deixa de ser fascinante quando as pessoas se insurgem, principalmente as associações relacionadas com a Igreja que se insurgiram contra este sketch, não têm a mesma energia a insurgirem-se contra a realidade, isto é, os casos de abuso na Igreja e o que aconteceu às vítimas”, afirmou Bruno Nogueira.
Argumentistas anteciparam a contestação
Na entrevista, o humorista explicou que a possibilidade de alguns sketches provocarem polémica já tinha sido discutida entre os elementos da equipa de escrita.
“Nós fizemos umas apostas entre os argumentistas sobre que sketches iriam dar problema. Há alguns que vão provocar isso de ‘será que me devia estar a rir disto?’, como já provocou este da Igreja”, contou.
Bruno Nogueira reconheceu, assim, o desconforto que determinados temas podem suscitar quando são abordados através do humor. No caso da sequência sobre a Igreja, defendeu que a discussão deveria considerar também os acontecimentos que estiveram na sua origem.
“Devíamos gastar a energia nisto ou num sketch?”
O humorista desenvolveu esse argumento ao distinguir a reação imediata à piada da reflexão sobre a realidade retratada. Na sua perspetiva, a ideia de que determinados assuntos não podem ser objeto de comédia pode impedir essa segunda leitura.
“A comédia suscita isso de haver uma camada de não ser possível brincar com isto, mas as pessoas não querem, ou não lhes interessa, chegar à outra camada que é: ‘Antes de terem feito isto, o que é que aconteceu? Ok, aconteceu isto na Igreja. Devíamos gastar a energia nisto ou num sketch que está a falar sobre uma coisa que aconteceu?’”
A resposta de Bruno Nogueira centrou-se, desta forma, na diferença que considera existir entre a mobilização contra o sketch e a reação aos abusos e às consequências para as vítimas, colocando essa comparação no centro da sua defesa do trabalho apresentado em “Ruído”.
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